terça-feira, dezembro 19, 2006



Museu Virtual
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Vamos visitar Gustave Le Gray (1820-1884)


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Autoretrato Gustave Le Gray entre 1850-1852
Cópio em papel salgado a partir de um negativo de vidro de colódio húmido 20 x 14,7 cm Antiga colecção Georges Sirot© Paris, Biblioteca Nacional de França, Departamento de Estampas e de Fotografia.

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Cairo, Egipto. Túmulos dos Califas Fotografia de Gustave Le Gray, 1861-1862 Papel albuminado a partir de um negativo de vidro em colódio húmido. Panorâmica de duas provas em formato de carte-de-visite horizontais 20 x 6,3 cm
Antiga colecção do Principe Filipe da Bélgica, conde da Flandres (1837-1905) © Paris, Bibliothèque nationale de France

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domingo, dezembro 17, 2006



Henri Jean-Louis Le Secq
Fotógrafo francês, 1818-1882

A propósito de Henri Le Secq que para criar um registo fotográfico dos monumentos de França trabalhou, com mais quatro fotógrafos, em Chartres, Strasbourg, Reims e outras catedrais e igrejas que cercam Paris. Começou a carreira fotográfica em 1840 quando ainda era pintor no estúdio de Paul Delaroche (1797-1856), e foi fundador da Société Héliographique de France. Dizia eu, a propósito de Le Secq, quando aqui à uns anos subi pela primeira vez, à Catedral de Notre Dame de Paris, o António que estava comigo, também quis subir, mas pela milionésima vez e decidiu que estava na altura de os nossos dois filhos mais velhos, o João Diogo e o Nuno Miguel, nos acompanharem na subida íngreme de 387 degraus que nos separam da vista que podemos desfrutar sobre a cidade depois de tamanho esforço. Devo acrescentar que para os meus dois filhos de 7 e 10 anos foi uma experiência inesquecível ainda hoje o João se lembra do número de degraus para chegar ao topo. Foi aqui que Le Secq fez uma fotografia magnífica com a vista fabulosa de Paris partilhada com as gárgulas da catedral gótica, Notre Dame de Paris na Ile de la Cité, berço da cidade e onde reis e imperadores foram coroados. Foi mais tarde transformada em templo ao culto da razão e depois em depósito de vinhos pelos revolucionários. Lá do alto o João e o Nuno viam lá em baixo, pequenino, o avô que os esperava sentado e aprendiam como a distância pode afectar a grandeza do homem. Foi uma experiência inesquecível, daqui a uns anos recordá-la-ei com amor.

Figuras grandes no Porch norte, catedral de Chartres, 1852 Henri Le Secq (francês, 1818-1882)Cópia de papel salgada do negativo de papel; 12 15/16 x 8 11/16 dentro. (32.8 x 22.1 cm)

sábado, dezembro 16, 2006





Feliz Natal

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João Vilhena

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.Ele entrou na sala como se aquilo tudo que ali estivesse não existisse, aquilo éramos nós todos, sentados à espera de sermos servidos, à espera que o João entrasse em cena. Na mesa onde se sentou com a Isabel, estava já eu sentada, não os conhecia, falámos toda a noite sobre coisa nenhuma. No final do jantar entornou-se-lhe vinho sobre o fato de linho branco e foi a casa trocar de roupa. Mais tarde voltei a vê-los na inauguração da exposição de John Baldessari em Lisboa. Há pessoas que, por motivo nenhum, gostamos logo... Ele está agora em Nova Yorque, e lá também é Inverno....

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Inverno

(Fotografia de João Vilhena)

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sexta-feira, dezembro 15, 2006






Princesas para todos os gostos de Huíla ao Xai-Xai




Litografia de Babolla Princesa de Huíla
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Em 1843 o médico cirurgião Clemente Joaquim Abranches Bizarro (?-1845), fotografou a Princesa de Huíla em Angola, quando esta acompanhava o Major Garcia Moreira nas explorações de África; do daguerreótipo existe uma litografia na Biblioteca Nacional em Lisboa.
O fotógrafo, que pela mesma altura tinha estúdio na rua dos Mártires n.º 34, 1.º em Lisboa, era o francês E. Thiesson que fotografou meia Lisboa e a quem A. Feliciano de Castilho dedicou um artigo publicado no Jornal de Belas Artes intitulado “Luz Pintora”, onde se confirma o estúdio do francês em Lisboa em 1845. Provavelmente foi nesse mesmo estúdio, visitado por Castilho, que Thiesson terá feito uma série de daguerreótipos de africanos residentes em Lisboa entre os quais estaria aquela que passou a ser uma famosa nativa de Moçambique. O daguerreótipo pertence hoje à colecção George Eastman, Rochester, Nova Yorque; esclarecem estes que a retratada a nativa de Sofala é a Rainha do Xai-Xai de Zavala - Moçambique e que aí foi retratada por Thiesson em condições climatéricas adversas. Bem, o Xai-Xai foi a capital de distrito João Belo e depois novamente Xai-Xai. Perto fica a Zavala dos tarimbeiros, mas Sofala fica a umas largas centenas de Km de distância. E eu que até acho que o fotógrafo nunca esteve em Moçambique, não deixo de simpatizar com a história da Casa George Eastman. Os americanos lá terão as suas fontes! Para mim serão sempre a Rainha Babolla e uma Princesa do Sabá, negra e formosa senhora de grandes domínios, do Índico aos grandes Lagos donde sempre se pensou nasciam os grandes rios que rasgam o continente africano incluindo o Nilo.
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Nativa de Sofala, Rainha do Xai-Xai

terça-feira, dezembro 12, 2006


Delagoa Bay / Lourenço Marques / Maputo



Lourenço Marques, 1890.

Albumina de Thomas Lee
Colecção Angela Camila Castelo-Branco e António Faria

Quando em 1890 D. Carlos decidiu que fazia todo o sentido que a capital da província deixasse de ser a ilha de Moçambique e se mudasse para a actual Maputo antes Lourenço Marques, aquilo era um pântano imenso de humidade e doenças. No início da década de 90, começa então a febre da construção na nova capital da colónia, rasgando-se avenidas, drenando-se terrenos alagados, procedendo-se a aterros. Surgem construções de alvenaria, proliferam alpendres, varandas em rendilhados de ferro forjado, colunatas também em ferro, em caprichosos ou duvidosos pastiches de estilos clássicos. As companhias inglesas vão- se instalando na Lourenço Marques em crescimento, mas ainda reticentes quanto ao nome da capital, insistindo os bilhetes-postais na para sempre perdida Delagoa Bay. Entre os primeiros a lá chegar estariam por ventura, muitos conhecidos da bisavó Argentina que ali chegara com apenas dez anos, idade que não bastaria para arranjar par no baile de gala a quando da visita do Príncipe herdeiro Luís Filipe ao território em 1907. Lourenço Marques já era na altura uma cidade charmosa traçada a régua e esquadro segundo o plano do General Joaquim José Machado, com edifícios de alguma beleza, sobretudo a Baixa Lourentina do inicio do séc. XX, que já denunciavam a diversidade cultural daquela província varanda do Índico onde aportavam gentes de um oriente ainda mais longínquo das Índias Portuguesas e Macau, coexistiam já igrejas católicas e protestantes e desde 1887 a mesquita com os mesmos anos que a cidade de Lourenço Marques. Os comerciantes da rua da Gávea, banianes (indu) e monhés (maumetanos); os chineses na Av. General Machado, Av. Paiva Manso e Av. Manuel Arriaga, que desde 1910 até ao triunfo de Mao estiveram sempre em guerra e para Moçambique foram muitos trabalhar em hortas, casas de louças, pequenas tabernas, em lojas com roupas e tapetes da ManKay e muitos restaurantes. A marrabenta invadia as primeiras casas da rua Araújo.

Quiosque na Pç 7 de Março em Lourenço Marques 1898.

Albumina de Thomas Lee.

Colecção Ângela Camila Castelo-Branco e António Faria





Do Barão de Água Izé ao Visconde de Malanza
-Da prosperidade do cacau ao declínio das roças-



Visconde de Malanza com familiares e amigos, albumina de José Augusto da Cunha Moraes, SãoTomé 1894. Colecção Ângela Camila Castelo-Branco e António Faria


A João Maria de Sousa Almeida, (1816 / 1869) se deve o incentivo do cultivo de cacau e a introdução do cultivo da árvore Fruta Pão em S. Tomé. Nasceu na ilha do Príncipe, a 12 de Março de 1816. A família tinha nesta ilha o seu solar, possuindo seu pai o coronel Manuel de Vera-Cruz e Almeida, importantes propriedades e exercendo nela grande influência. A Ilha do Príncipe acolheu a capital do arquipélago de São Tomé entre 1753 e 1852, ano em que voltou para a ilha de S. Tomé. Benemérito que sempre foi, entre inúmeras acções em prol do bem estar nas ilhas, oferece gratuitamente todo o óleo necessário para iluminação pública da cidade. Estas e outras qualidades valeram-lhe a distinção pelo Rei D. Luís com o titulo com que se celebrizou Barão d’ Água Izé
Jacinto Carneiro de Sousa, 1º Visconde de Malanza, (1845/1905), fidalgo cavaleiro da Casa Real, nasceu na Ilha do Príncipe, filho de João Maria de Sousa Almeida, 1º Barão de Água Izé. Em 1852 vem para Lisboa estudar no Colégio de Nossa Senhora da Conceição. Herda de seu pai em São Tomé, os prazos: Alto Douro e Monte Belo, casa-se com a sua sobrinha Dona Pascoela Correia de Almeida. O título “Malanza”, refere-se a um dos lugares mais agradáveis da Fazenda Porto Alegre, fundada por Jacinto Carneiro de Sousa no extremo meridional da ilha de S. Tomé.
Sendo um dos roceiros mais importantes de São Tomé, participou na Exposição Insular e Colonial, realizada no Porto no Palácio de Cristal em 1894, com produtos produzidos na Roça de Porto Alegre, pelos quais foi agraciado com várias medalhas de Ouro e Prata. No final da exposição, os produtos nela expostos foram ofertados à Rainha D. Amélia.


Visconde de Malanza com familiares e amigos, albumina de José Augusto da Cunha Moraes, São Tomé 1894 Colecção Ângela Camila Castelo-Branco e António Faria


Em 1875 uma lei determina para o ano seguinte que em todos os domínios da Coroa portuguesa, seria eliminada a condição servil da raça negra. Os roceiros prontamente se adaptaram contratando os trabalhadores negros agora livres. Foi difícil depois controlar essa força de trabalho que desertava das roças e dos centros urbanos. A crise braçal trouxe transferências na titularidade da terra e uma renovação do grupo de roceiros, através do envolvimento do Banco Nacional Ultramarino - BNU acentuou-se a europeização dos proprietários de roças - Henrique Lopes de Medonça, José Constantino, Marquês de Val Flor a partir de 1880.
As grandes roças acabariam todas nas mãos das grandes companhias ultramarinas e da banca com destaque para o BNU que detinha a maioria das penhoras aos bens dos roceiros de S. Tomé e do Príncipe. O Visconde de Malanza viria a morrer na miséria em Lisboa no ano de 1905.
As contingências da história estavam traçadas nestas terras onde a civilização ainda hoje não conseguiu dominar a natureza.

domingo, dezembro 10, 2006

Fotografia no Douro: Arqueologia e Modernidade
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Fotografia do Douro de James Forrester (1809-1861)

"Fotografia no Douro: Arqueologia e Modernidade", projecto conjunto do Museu do Douro e do Centro Português de Fotografia para o programa das Comemorações dos 250 Anos das demarcações Pombalinas do território duriense, esta mostra fotográfica tenta constituir uma história do Douro através da fotografia e, naturalmente, uma demonstração dessa evolução técnica e estilística. Trata-se, portanto de uma vasta sequência de "vintages" fotográficos, onde se encontram representados muitos dos mais reconhecidos fotógrafos nacionais e internacionais...

Horário Centro de Exposições e Loja 3ª a 6ª das 15.00 às 18.00 Sábados, domingos e feriados: das 15.00 às 19.00Encerrado à 2ª feira Encerrado nos dias 1 de Janeiro, 1 de Maio, e 25 de Dezembro. Entrada livre
Visitas Guiadas mediante marcação prévia. Contactos:Telef.: 222 076 310 / Fax: 222 076 311e-mail:
email@cpf.pt Serviço Gratuito



sábado, dezembro 09, 2006



Vamos até África no Porto e em Matosinhos


Confesso, não é a primeira vez que quando vou ao Porto e sou convidada para ir ao Silo-Espaço Cultural no Norte Shopping invariavelmente me esquivo com esta ou aquela desculpa arranjada no momento. Os espaços comerciais do género apesar de interessantes cansam-me muito. Para a exposição “Memórias de uma Memória”, abri uma excepção e em boa hora a abri. O espaço da autoria do arquitecto Eduardo Souto de Moura, só por si merece a deslocação. Para quem não conheça como acontecia comigo dêem uma espreitadela. www.arcspace.com



Photo: arcspace


É aqui que se encontra em exposição uma parte da Colecção que o CPF – Centro Português de Fotografia / Ministério da Cultura adquiriu em Julho de 2006 a Colecção Alcídia e Luís Viegas Belchior, (pais de Francisco Belchior que lhe proporcionaram a recolha deste acervo ao longo da sua vida), e que pôde ser adquirida pelo estado português graças também ao apoio mecenático da Sonae e do BPI. Esta mostra constitui apenas uma pequena selecção das imagens das antigas colónias portuguesas em África, atendendo a que o Silo-Espaço Cultural do Norte Shopping dedicou o seu programa de fotografia em 2006 à fotografia africana. A exposição é dedicada à memória do coleccionador, Francisco Viegas Belchior e estará patente ao público todos os dias das 13:00 às 24:00 a partir de 07 Dezembro de 2006.

Cianotipias de J. A. Freire de Andrade





Cianotipo de J.A. Freire Andrade, Kraal de Mafussi e Beira Moçambique s/d, 1870-1890 s. e. Apesar da legenda creio tratar-se de Cianotipias de Alfredo Augusto Freire de Andrade nas campanhas de Magul Moçambique por volta de 1886 e na Beira por volta da mesma data.



Preta pilando milho, 1870-1890's fototipia de J. A. da Cunha Moraes. in África Ocidental, Album Photogaphico e Descriptivo (Loanda Cazengo, Rio Dande e Quanza). Albumina da Feitoria Visconde de Carnaxide em Sofala s/d, fotografo n/i Álbum de Fotografias da Companhia de Moçambique.


Photo Camacho. Estrada da Nhamacurra, Moçambique s/d Carvão com viragem. Indígena com dois leões. Humbe, Angola 1909 Fotografo não identificado. Gelatina de prata.



"Averdade daquilo que vemos..."

Na biblioteca da FLUP – Faculdade de Letras da Universidade do Porto pode ver “A verdade daquilo que vemos...”, o trabalho forçado em África, reproduções fotográficas dos originais da Colecção de Ângela Camila Castelo-Branco e António Faria. Atente-se no texto transcrito de um relatório de Obras Públicas para a construcção dos caminhos de ferro de Angola: “... Trataremos de atrair por todos os meios o indígena ao trabalho, pagando-lhe com regularidade e obtendo dos negociantes da província o estabelecimento de quitandas, onde se vendem mil objectos que desafiem o apetite do preto e o obriguem a gastar todo o dinheiro da quinzena por forma que, mandando vários presentes para a sanzala atraia os que lá ficaram mas não tenha dinheiro com que se julgue rico, nem as fazendas que geralmente lhes servem para permutação: assim o melhor comércio será aguardente, com preço elevado, a que o preto não resiste e lhe será vendida só uma vez por semana, aos domingos por exemplo, para lhes dizimar o dinheiro sem prejudicar a saúde; depois os espelhinhos, missangas, chapéus de sol, etc., enfim tudo que sirva para presentear os pretos e para seu uso, mas que dure tanto como os bonitos às crianças para que também estes tenham que desejar outros, criando-lhes necessidades dando maior vencimento aos que se vestirem à europeia; conseguindo que em vários dias da semana se venda carne, melhorando assim a sua alimentação, etc. ... Calcula-se a necessidade de 7 mil indígenas para a construção de 150 quilómetros e a necessidade de importar mão-de-obra de Moçambique, Índia e China. ...”

- Extracto de texto do Relatório das Direcções de Obras Públicas e outros documentos das possessões de África, 1876-1881.


Acampamento de Estudos do Caminho de Ferro de Ambaca na margem do rio Mucôso, junto ao desfiladeiro da serra da Quitunga, Angola 1886. Albumina de Joaquim Júlio da Cunha Moraes. Colecção de Ângela Camila Castelo-Branco e António Faria

Jacinto Carneiro de Sousa, 1º Visconde de Malanza, (1845/1904), no cais de embarque da Roça Porto Alegre. Albumina do fotografo José Augusto da Cunha Moraes 1894 São Tomé e Princípe. Colecção Ângela Camila Castelo-Branco e António Faria

Moleques. Albumina de José Augusto da Cunha Moraes Luanda 1886. À mesa Angola s/d fotografo não identificado Colecção de Ângela Camila Castelo-Branco e António Faria.

sábado, dezembro 02, 2006




Inês Gonçalves em “Uma Casa Portuguesa”

“Uma Casa Portuguesa” inaugurou a sua primeira loja na rua Anchieta n.º 11 em pleno Chiado lisboeta. A exclusividade dos seus produtos são o regresso à nossa infância, são um exercício de memória, são o revivalismo romântico dos produtos portugueses.
Este projecto de Catarina Portas e Isabel Cristina Haour já percorreu algum caminho desde que se iniciou em 2004, no entanto continua a surpreender-nos. Agora, neste seu novo espaço no Chiado num antigo armazém dos Irmãos David, os mesmos que tinham estabelecimento entre a Brasileira do Chiado e o Hotel Borges, tinham armazém no n.º 11 da rua Anchieta que partir deste momento é “Uma Casa Portuguesa”. A excelência dos produtos com que nos têm vindo a habituar a consumir ou adquirir para oferecer é motivo suficiente para nos deslocarmos ao Chiado. Ali podemos ainda ver uma pequena exposição evocativa dos 70 anos da Viarco que nos fala do grafite ao lápis de cor de uma forma encantadora.
Num espaço fascinantemente aproveitado que só por si merece a deslocação, somos ainda surpreendidos, na compra de algum produto, com autocolantes de fotografias inéditas de Inês Gonçalves.
Numa altura em que se quer empacotar o Museu de Arte Popular expoente da nossa cultura... No momento em que se fala na reabilitação do Chiado, é verdade que uma andorinha não faz a primavera, mas ajuda...





sábado, novembro 25, 2006

Albumina, fotógrafo Joaquim Júlio da Cunha Moraes
Moçamedes - Angola 1898



Os Cunha Moraes de fio a pavio II

O fotógrafo José Augusto da Cunha Moraes nas suas deslocações a Moçamedes terá conhecido Albertina Teixeira Pinto Zuzarte de Mendonça, filha de Maria Rosa Oliveira Teixeira Pinto e de José Júlio de Zuzarte Mendonça, Juiz de Paz e Comandante do porto de Moçamedes, família de grande prestígio naquela região conhecida como a Madeira da África Ocidental Portuguesa.
José Augusto contraiu matrimónio com Albertina Mendonça, porém não deixam descendência. As suas frequentes viagens a Moçamedes acompanhado pela mulher e pelos seus irmãos, favorecem e proporcionam outros laços familiares entre os Cunhas Moraes e os Zuzarte Mendonça, a tal ponto que o seu irmão Joaquim Júlio, após ter sido forçado pelos irmãos mais velhos a acabar com o namoro com uma mestiça, vem a casar-se com Matilde Teixeira Pinto Zuzarte de Mendonça, irmã de Albertina.
Mais tarde uma irmã de José de Sousa Maia, cunhado de José Augusto pelo matrimónio contraído com Henriqueta da Cunha Moraes, viria a casar com um dos filhos de José Júlio de Zuzarte Mendonça.
Eventualmente os Zuzarte de Mendonça estariam numa das vagas de colonos que teriam emigrado dos Açores para Pernambuco e mais tarde para Moçamedes onde com esforço e tenacidade vingaram a sorte daqueles que padeceram com as biliosas e o paludismo.
Moçamedes inegavelmente marcou estas duas famílias, para finalizar transcrevo este texto que encontrei no Boletim da Agência Geral das Colónias N.º 47, 1929 pág. 323: Monumento em Mossâmedes aos pioneiros da Civilização “... Só em 1924 é que a Câmara Municipal se lembrou de confiar a um artista o estudo do monumento. Para esse fim, dirigiu um oficio ao Sr. José Augusto da Cunha Morais, amigo provadíssimo de Mossâmedes, a solicitar-lhe a obsequiosa anuência em incumbir um dos nossos melhores escultores de expressar, pelo mármore e pelo bronze, a história da Colonização do Distrito. O Sr. Cunha Morais, ,...mantinha, há largos anos, com escritores e artistas, relações pessoais muito amistosas, nascidas da comunhão do trabalho e do convívio intelectual. ....prontamente lhe acudiu à lembrança o nome já consagrado de Simões de Almeida, Sobrinho, ...”
Mais uma vez os Cunha Moraes se encontravam com os Zuzarte de Mendonça na cidade de Moçamedes...

sexta-feira, novembro 24, 2006


APPh. - Associação Portuguesa de Photographia

Quase 100 anos depois de terem sido aprovados, a 27 de Junho de 1907 os estatutos da Sociedade Portuguesa de Photographia, por iniciativa de Arnaldo da Fonseca e Júlio Worm; estamos a trabalhar para que em breve, os portugueses que gostam de fotografia possam voltar a ter uma associação. Já nada nos pode parar e a APPh. - Associação Portuguesa de Photographia vai tornar-se uma realidade. Nos próximos dias o blog da associação estará ao serviço dos futuros associados na net: apphotographia.blogspot.com

A fotografia que ilustra o blog da associação representa a fachada da casa Photographia Nacional em Braga, por altura da formação da primeira associação em 1907. Agora pessoas ligadas às pequenas e às grandes colecções de fotografia antiga, contemporânea e de autor, historiadores, investigadores, estudantes, curiosos, restauradores e conservadores, coleccionadores, fotógrafos, teóricos, críticos e ensaístas todos tendo em comum o gosto p’la photographia vão dar o primeiro passo para o que será no futuro um passo de gigante. O blog da associação, que é uma espécie de Magazine, vai chamar-se APPhotographi@, dos sais de prata ao digital on-line. O endereço electrónico é: apphotographi@gmail.com

quarta-feira, novembro 22, 2006

Estúdio, Angola nos finais do século XIX.

Os Cunha Moraes de fio a pavio

Estúdio efémero montado por Joaquim Júlio da Cunha Moraes, o quinto filho dos seis de Abílio Simões da Cunha Moraes e Carolina da Conceição, nascido em Luanda em 1865 tendo exercido a par da profissão de fotógrafo a de Condutor de Obras Públicas na construção dos caminhos-de-ferro em Angola.
Em 1901 vem definitivamente para a Metrópole onde em Crestuma - Gaia era co-proprietário, com os seus cinco irmãos, da Fábrica de Fiação A. C. Cunha Moraes.