quinta-feira, janeiro 25, 2007
“Terrain Vague”
na Madeira
sexta-feira, janeiro 19, 2007
“Bons Ventos” de Castela – La Mancha
Rasto ou Memória do Olhar
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......A “La huella de la mirada. Fotografia y Sociedad en Castilla-La Mancha, 1839-1936” é uma exposição que pode ser vista no Instituto Cervantes Lisboa , só até ao próximo dia 26 de Jan. 2007.......A exposição é comissariada pelo prestigiado historiador espanhol Publio López Mondéjar (Casasimarro, 1946), responsável pela selecção das fotografias em arquivos públicos e privados e em muitos espólios de descendentes de fotógrafos de Castela – La Mancha.
O resultado desta selecção foi bastante mais vasto do que aquele que vamos poder ver no Instituto Cervantes em Lisboa. Aí podemos apreciar 83 reproduções das espécies recolhidas por López Mondéjar. Quem pretender mais pode comprar o belíssimo catálogo por 28€ e vai muito bem servido.
..........Podemos começar a exposição pela fotografia de Martínez Palacios os “Madeireiros no rio Tejo” que vieram desaguar em Lisboa, com a ajuda do Instituto Cervantes. Como podemos ler no catálogo “A colecção reúne obras dos melhores fotógrafos da região, desde os representantes mais conhecidos da fotografia popular, como Casiano Aguacil, Luis Escobar, Luciano Armero, Ricardo Sánchez, Nicanor Cañas e Julián Colado; os retratistas de grande prestigio, como Jaime Belda, Vicente Rubio, Lucas Frail, Ruiz de Luna, José Reyes, Juan José Muñoz, Higio Rós e Eugénio Rodríguez; aficionados tão importantes como José Ortiz-Echagüe, Tomás Camarillo, Martínez Palacios ou Gregorio Prieto; ambulantes lendários, como Ricardo Sánchez, Serafín Cencerrado, Jesús Enero, Benito Pons ou Manuel Soler; até aos grandes viajantes estrangeiros, como Ch. Clifford, J. Laurent, Edward-King Tenison, Levy, Loty ou Roisin.”. E despedimo-nos da rua de Santa Marta, das “Tentações de Santo António”(1930), fotomontagem do pintor Gregorio Prieto Muñoz (1897- 1992); Casa Museu Gregorio Prieto Valdepeñas. Vão ver que não dói nada.
..........Deixo ainda esta informação importante da procedência desta colecção, "...mais de 50 museus e arquivos públicos e privados, na região de Castilla – La Mancha, mas também do resto do país e do mundo, como o Centro Regional de Fotografia de Cuenca, os Arquivos Municipais de Toledo e Albacete, os arquivos fotográficos das Assembleias Legislativas das províncias de Toledo e Guadalajara, o arquivo da província de Toledo, o Património Nacional, a Biblioteca Nacional de Madrid, o Arquivo Geral da Administração, o Arquivo da Comunidade de Madrid, a Biblioteca Nacional de París, a Hispanic Society de New York, o Victoria and Albert Museum de Londres, o Instituo de Estudos Fotográficos da Catalunha e o Centro de Estudos de Castilla-La Mancha. Especialmente importante, foi a disponibilidade e participação de dezenas de coleccionadores particulares, sobretudo os descendentes dos fotógrafos.". Impressionante o trabalho de nuestros hermanos.
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La huella de la mirada Fotografia y Sociedad en Castilla - La Mancha 1839-1936
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quinta-feira, janeiro 18, 2007
Agora em Lisboa
Museu Nacional de História Natural, Lisboa
Sala da Baleia - de 19 de Janeiro a 29 de Março de 2007
sábado, janeiro 13, 2007
Publicidade ao estúdio de Jeremiah Gurney impressa em tecido. O brinde para retratos não tem a indicação do n.º de retratos, pois que o n.º 100 e 89 ou seja, 189 da Browdoay corresponde ao n.º da porta do estúdio de Gurney registado no Anuário de New York City entre 1843 e1853.
O Insley de Cabeceiras de Basto
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..........Já escrevi no Grand Monde da Imagem e da Fotografia em Portugal sobre a história da fotografia do séc. XIX no Zanzibar e Tânganica actual Tanzânia, cujos fotógrafos oriundos de Goa, na então Índia Portuguesa, tiveram um papel predominante. Escrevi também sobre os Nunes Carvalho os daguerreotipistas, o Salomão e o seu pai David Nunes Carvalho, que na América do Norte foram pioneiros, primeiro em Baltimore e depois no Far West, o lendário Oeste Selvagem e mais tarde em Filadélfia.Em falarei sobre Moçambique, sobre a África Oriental Portuguesa de Louis Hilly, de Thomas Lee e dos Lazarus, os irmãos de origem judia, que em 1899 se instalaram na rua Araújo (actual rua de Bagamoyo) em Lourenço Marques, hoje Maputo e tendo-se posteriormente transferido para o edifício da “Avenida Building”, depois de terem aberto casa na Beira e na República do Transval. Acabariam proprietários da Photographia Ingleza, a fazer retratos no n.º 59 da rua Ivens em Lisboa.
..........Escrevi, e vou continuar a escrever sobre os Cunha Moraes, os famosos, que depois da morte de Abílio da Cunha Moraes (1825-1871), desterrado em Luanda por falsificação de moeda, logo a viúva e de seguida os filhos lhe seguiram os passos nas artes do retrato. Acabariam em Crestuma – Vila Nova de Gaia, na fábrica de fiação A. C. C. Moraes, debruçada sobre o Douro nas franjas da Quinta da Estrela que lhes pertenceu até 1984. Republicanos e Maçónicos, políticos, filantrópicos e corajosos, veja-se o Ângelo Moraes, um dos filhos de Joaquim Júlio da Cunha Moraes, que fez figura na oposição à ditadura de Sidónio País na revolta de 12 de Outubro de 1918 acabando com os costados no Aljube. Entre os que me lêem, estou a pensar em alguns que sabem bem quanto é necessário em coragem e convicções para se lutar contra ditaduras, ou tão simplesmente pelas próprias ideias. Ainda está por escrever a história dos Cunha Moraes, com tudo o que ela tem de mistério, de empenhamento e sacrifício à maneira do norte, à maneira dos romances de Camilo, o da bengalada, o da “Bruxa de Monte Córdova” e “Noites de Lamego”. Este aparte justifica-se por mais adiante ir falar das terras dos Bástulas.
..........Nem de propósito, hoje vou falar sobre fotografia no Brasil, vou falar sobre o Pacheco, por agora, porque quero ainda escrever-vos outras histórias de fotografia e de fotógrafos luso-brasileiros. O fotógrafo Chrestiano Júnior, tão em voga nos dias de hoje. O industrial José Francisco Correia, Visconde de Sande e Conde de Agrolongo (1853-1929), o das vistas estereoscópicas com os respectivos aparelhos, brindes da Fábrica de Fumos Veado que lhe trouxe fortuna em Niterói, no Brasil. O fotógrafo Júlio Siza, de Belém do Pará, avô do arquitecto português e da Tereza Siza do CPF – Centro Português de Fotografia. Isto para vos dizer, que me tenho questionado se podemos falar de uma diáspora portuguesa da fotografia? Estou cada vez mais convencida que sim.
..........Mas hoje, como já disse, vou escrever sobre o Pacheco, o Insley, o próprio, esse mesmo! Joaquim José Pacheco nasceu em Cabeceiras de Basto no ano de 1830, entre as serranias da Cabreira e do Marão, nas margens do Tâmega. Pouco se sabe das suas origens, é possível que tenha sido mais um a engrossar o rol de emigrantes que procurou fortuna nas Américas, para fugir à fome, à miséria e à má sorte. A Enciclopédia Itaú Cultural diz-nos que Pacheco no fim da década de 1840, aprende a fazer daguerreótipos em Fortaleza, onde começa a trabalhar como retratista com o fotógrafo e pintor irlandês Frederick Walter, responsável pela introdução do invento de Daguerre no Ceará. A confirmar-se, seria muito jovem o português quando se iniciou nos ofícios da fotografia. Ainda segundo a mesma enciclopédia, Pacheco viaja para Nova Iorque, onde resta, provavelmente, entre 1849 e 1851, ou seja, entre os seus 19 a 21 anos. Aí foi aprendiz de Mathew B. Brady (1823-1896), o famoso fotógrafo americano que registou a guerra da secessão entre 1861 e 28 de Junho de 1865. O mesmo que reproduziu as cópias dos daguerreótipos da expedição Fremont e Salomão Nunes Carvalho ao Far West, expedição de que já vos falei aqui no Grand Monde. Em Nova Iorque Joaquim José Pacheco foi ainda assistente dos daguerreotipistas Jeremiah Gurney (1812-1886) e de Henry E. Insley (1811-1894), o que eventualmente, lhe teria sugestionado a utilização do nome por que viria a ser conhecido, o de Joaquim Insley Pacheco. E assim sendo, temos aqui alguns desacertos de datas pois que no Registo Daguerreian de Craig (Pesquisa sobre os fotógrafos americanos entre 1839-1860), John S. Craig actualização de 2003, ficamos a saber que Joaquim Pacheco trabalha esporadicamente para Jeremiah Gurney ainda no ano de 1853. O curioso é que também o daguerreotipista Salomão Nunes de Carvalho terá trabalhado para Gurney em 1853, o que só podia ter acontecido antes de 22 de Agosto de 1853 posto esta ser a data em que Salomão é convidado por Fremont para a expedição ao Far West. Seria muito interessante sabermos se os dois fotógrafos, Pacheco e Nunes Carvalho, se teriam conhecido. No mesmo registo de Craig, ficamos a saber que Joaquim Pacheco trabalhou também para Henry E. Insley. O fotógrafo americano, de quem Pacheco se apropriou do nome, é o primeiro registado na lista de daguerreotipistas em Nova Iorque, onde abre estúdio. Numa notícia aquando da sua morte, podemos ler que o fotógrafo em 1840 teve estúdio no cruzamento entre a Broadway e a Fulton Street numa sociedade com os irmãos Prosch.
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.O estúdio de Mathew Brady em N. Y. ca. 1843 ................ Interior do estúdio de Gurney em N. Y. ca. 1843
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sexta-feira, janeiro 12, 2007
Moçambique, terra mãe

Photo Camacho.
A África profunda que apenas alguns eleitos conheciam, os eleitos da aventura da coragem e do trabalho, os colonos, os missionários e os comerciantes, mas também, os militares e os administrativos, os muitos que não se confinaram ao litoral pachorrento das esplanadas e dos Whiskys com gelo. A África praticamente desconhecida dos europeus até finais do século XIX quando, a Monarquia moribunda se lembra e lhe protela a agonia. Aliás, é este o preciso momento que marca a efectiva ocupação portuguesa de todo o hinterland moçambicano, impulso notável de uma pequena potência que na sequência das conferências de Berlim e reagindo ao Ultimatum Britânico conseguiu, mercê de esforços diplomáticos e a decisiva intervenção militar nas campanhas de pacificação, garantir a presença portuguesa por mais três quartos de século.
Não quero fazer aqui uma evocação do passado, antes o registo de recordações que vão desaparecendo com aqueles que amamos.
Natural de Lourenço Marques actual Maputo, onde nasci a 2 de Fevereiro de 1966. Ainda muito jovem vivi a vinda compulsiva para a metrópole sem a consciência do que deixava para trás. Os sonhos que não voltariam, a não ser nas conversas em família. As caçadas do avô Arlindo que foi Aspirante, e Chefe de Posto, e Secretário e Administrador, primeiro em Manjacaze e depois no Chinde e em Panda onde morreria no dia 10 de Agosto de 1955. A minha estadia no “Barroso”, o mais conservador dos colégios, aonde chegava aos ombros do Januário mainato lá em casa. Os gelados da Esquimó na Polana, as matinés da Disney e do Cantiflas ao sábado no cinema da Sociedade de Estudos que faziam as delicias do Augusto, criado lá em casa e cinéfilo da criançada. As tardes na esplanada do Continental onde, no 4º andar do edifício o meu pai trabalhava para a Sonap Moc, filial da Sonap em Moçambique, a gasolineira portuguesa de Manuel Bulhosa e Manuel Queirós Pereira. A mãe Ana Maria que até à morte do avô Arlindo, por quem nutria uma enorme devoção e a quem acompanhou nos mais recônditos e maravilhosos sertanejos; esses lugarejos de fantasias e ilusões onde os sonhos chegavam no autocarro do Mahjohn com os magaíças, mercearias, jornais, revistas e cartas duas vezes por semana ou então se procuravam na colecção filatélica do pai. Terra rude e apaixonante donde ainda hoje penso que a minha mãe nunca, efectivamente, regressou. O Hotel Clube, em Lourenço Marques onde os meus pais foram morar depois de casados e ai viria a nascer o primeiro filho, o Nuno. O gerente era o Sr. Bernardo, pai da Irene casada com Raul Cruto e Silva o rei do leite condensado.
Histórias soltas aqui e ali envolvidas em alguma amargura e saudade, que isto de deixar para trás uma terra que nos viu nascer e viu nascer os nossos pais e uma das avós, não se faz sem lágrimas.
Esta Terra Mãe, é hoje a República Popular de Moçambique. O território foi descoberto pelos portugueses em 1489 por Pêro da Covilhã em demanda das terras do Prestes João. A 1 de Março de 1498, três meses depois de ter dobrado o Cabo da Boa Esperança, Vasco da Gama chega à Ilha de Moçambique. Nesse mesmo ano, erguíamos em Quelimane o padrão de São Rafael na foz do rio dos Bons Sinais. Dois anos depois iniciava-se a colonização da África Oriental nos territórios que viriam a chamar-se Moçambique e que os portugueses chamaram primeiro capitania de Sofala que estava subordinada ao Estado da Índia. Os portugueses instalaram-se em Sofala em 1505 e em Moçambique em 1506; subiram o grande rio Zambeze até Tete em 1632. Em 1608 repeliram os holandeses e os árabes em 1892. Moçambique separa-se de Goa da qual dependia administrativamente em 1752 e torna-se “província” ultramarina portuguesa em 1951. Durante o governo de Marcelo Caetano a 23 de Julho de 1972 foi-lhe conferida a categoria de estado. Os nacionalistas combateram o exército português desde 1964, controlavam então a parte norte do território e conquistaram a independência a 25 de Julho de 1975.

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Passeio fluvial do Chinde ao Sombo no primeiro aniversário da República
Portuguesa, Chinde 1911. Fotografo não identificado
domingo, janeiro 07, 2007
Salomão Nunes de Carvalho.
Colecção - Biblioteca do Congresso, Washington
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...............A 22 de Agosto de 1853, o americano Salomão Nunes Carvalho (1815-1897), judeu sefardita de origem portuguesa, pintor e fotógrafo, com atelier inaugurado a 1 de Junho de 1849 em Baltimor, encontrou-se com o coronel John Charles Frémont (1813-1890), astrónomo, geógrafo e expedicionário de prestígio, que fora incumbido de organizar uma expedição que fizesse o levantamento orográfico para a execução do futuro traçado da primeira linha de caminho de ferro transcontinental que atravessaria o Kansas, as montanhas rochosas do Colorado, Utah até Los Angeles, entre o rio Mississipi e a Costa do Pacífico. Frémont procurava um desenhador e fotógrafo para acompanhá-lo na expedição. Salomão Nunes Carvalho aceitou de imediato o convite e assim juntou-se à expedição como desenhador e fotógrafo oficial. Teve apenas dez dias para preparar todo o material fotográfico necessário para esta viagem arrojada, que lhe apresentava problemas acrescidos pela necessidade de cumprir com as orações da religião que professava e com regras muito especificas quanto aos alimentos kosher, e ainda, as adversidades climatéricas de um Inverno impiedoso, que se imporia no cume das montanhas com temperaturas que chegariam a rondar os 30 graus negativos e que previa fizessem alterar todo o processo comum das aplicações correntes para a preparação, revelação e posterior conservação de todas as chapas de daguerreótipos.
...............As suspeitas de S. N. Carvalho quanto à morosidade do processo fotográfico naquelas circunstâncias climatéricas viriam a concretizar-se. O fotógrafo fez-se valer dos seus conhecimentos em química e estudos sobre a incidência da luz, dedicando-se diariamente à preparação de todo o material fotográfico e obrigando à paragem da expedição por um período de 12 horas em cada local, onde eram efectuadas as tomadas de vista, para que efectivamente se tivesse a certeza que as imagens haviam sido bem captadas e resistiriam às vicissitudes das intempéries. Isto contribuiu para uma sucessão de atrasos na expedição, o que veio a revelar-se desastroso pois para além de ter trazido um maior desgaste físico ao grupo fez com que este chegasse às Montanhas Rochosas do Colorado numa altura em que o clima era mais severo.
...............A Expedição viria a revelar-se um desastre. Salomão Nunes Carvalho, depois de ter suportado o frio e a neve, a fome e a doença, enfrentado índios e animais selvagens, ter quebrado as regras rígidas da alimentação da religião judia (Kashrut), numa aventura em que nem todos chegaram ao fim e que para muitos o preço foi a morte; em Utha, o fotógrafo sefradita viu-se obrigado a abandonar a expedição por motivos de saúde.
...............Salomão Nunes Carvalho regressa desta aventura com 300 daguerreótipos tornando-se o primeiro daguerreotipista a fotografar o Kansas. Segundo Robert Faft “...As mais antigas fotografias feitas no Kansas que eu tenha conhecimento e que sejam mencionadas são atribuídas a Salomão Nunes Carvalho – durante a expedição Frémont em 1853/54” in A Photographic Históry of Early Kansas. Antes da expedição ao Far Weste, Salomão Nunes de Carvalho trabalhou na Broadway em New York City para Mathew Brady (1823-1896) e também para o atelier fotográfico de Jeremiah Gurney (1812-1886), provavelmente, na mesma altura em que aí se encontrava o fotógrafo português Joaquim José Pacheco (Joaquim Insley Pacheco), ver Registo Daguerreian de Craig (Pesquisa sobre os fotógrafos americanos entre 1839-1860), John S. Craig actualização de 2003. Acrescento agora, ao que aqui tenho vindo a escrever, o comentário de Carlos Miguel Fernandes do blog No Mundo http://no-mundo.weblog.com.pt/, e ao qual aproveito para agradecer: "There was another young newcomer to Broadway's photography row within the next few months. Brady undoubtedly saw him, S.N. Carvalho, a brisk youn man with a short black beard, probably the first American to penetrate America's Wild West with a camera."in Mathew Brady - Historian with a Camera, Bonanza Books, New York, 1955.
...............Em 1856, Salomão Nunes Carvalho descreve as suas experiências durante a expedição, num livro intitulado “Incidents of Travel and Adventure in the Far West”, publicado por Derby e Jackson, Nova Iorque 1859. http://www.jewish-history.com/WildWest/Carvalho/index.html Nestes testemunhos, é mencionado que as primeiras vistas foram captadas perto de Westport a 17 ou 18 de Setembro de 1853.
...............Desta expedição que ficou para a história norte americana como um feito para a época, onde Salomão Nunes Carvalho viu reconhecida a sua habilidade e mestria profissional e John Charles Frémont alicerçou condições para se lançar na corrida ao Senado, não foi feito relatório escrito e a memória da expedição registada por S. N. Carvalho, assim como as cópias feitas pelo conhecido fotógrafo norte americano Mathew B. Brady, perdeu-se para sempre aquando de um incêndio em Nova Iorque em 1881, num armazém onde estavam guardados os daguerreótipos desta epopeia e grande parte das cópias de Brady. Ao que se sabe, de 300 daguerreótipos restaram apenas 3 que estão conservados e preservados pela Biblioteca do Congresso, em Washington. Conhece-se ainda 34 gravuras que haviam sido abertas a partir dos daguerreótipos feitos durante a expedição.
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Aldeia Cheyenne, daguerreótipo S. N. Carvalho


Auto-retrato Nunes Carvalho, Colecção da Biblioteca do Congresso.
...............A ascendência portuguesa de Salomão Nunes Carvalho reporta ao início do século XVIII, quando persistia a perseguição e expulsão dos judeus em Portugal pela igreja católica.
...............Não conheço as datas de nascimento e morte do avô do fotógrafo daguerreotipista que tinha o mesmo nome. Apenas sei, que casou em Londres em Abril de 1765 com Judite Henriques Pimentel e que do matrimónio nasceram cinco filhos, entre os quais, David Nunes Carvalho (Londres, 1784 – Baltimor, 1860) que casa em 1814 com Sarah d’Azevedo e tem cinco filhos, um dos quais é o fotógrafo sefardita Salomão Nunes Carvalho que nasceu a 27 de Abril de 1815 em Charleston, Carolina do Sul e que foi o primeiro daguerreotipista a atravessar os EUA e a fotografar o lendário oeste selvagem, http://ruadajudiaria.com/index.php?p=80. Salomão Nunes Carvalho casou a 15 de Outubro de 1845, em Filadélfia com Sarah Miriam Solis e morreu em Nova Iorque a 21 de Maio de 1897. O pai do fotógrafo, David Nunes Carvalho também foi daguerreotipista, estando referenciado no “Directory of Baltimore Daguerreans” de Ross J. Kelbaugh http://www.bcpl.net/~images/baltodagsa-j.html .
DAGUERREÓTIPOS DE ROBERT SHLAER, 1996
Robert Shlaer um daguerreotipista contemporâneo
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http://www.amazon.co.uk/exec/obidos/ASIN/0890133409
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terça-feira, janeiro 02, 2007
O "Sultanato" dos fotógrafos portugueses no Zanzibar
© Colecção Ângela Camila Castelo - Branco e António Faria
Europeu e criados
Foto: J. B. Coutinho, Zanzibar 1878
O “Sultanato” dos fotógrafos portugueses no Zanzibar
Entre os séculos VII e XVI o território e a costa oriental do continente africano foram centros de comércio árabe, até caírem sob o domínio dos portugueses que acabariam expulsos pelo Sultão de Omã. Por volta de 1890 os alemães transformaram o Tânganica na África Oriental Alemã. Os portugueses bem sentiram a presença germânica, sobretudo durante as incursões destes a Moçambique (1916-18), que partindo do Tânganica e sob a liderança do General Von Lettow infligiram pesadas derrotas a um exército português desorganizado e sem recursos. Depois da I Guerra Mundial o território foi colocado sob mandato da Sociedade das Nações com administração britânica. Em 1963 torna-se independente e um ano depois Nyerere anexa o Zanzibar, a família de Freddie Mercury tem de partir do território. Nascia a República Unida da Tanzânia.
Na ilha tinham desembarcado nos finais do séc. XIX muitas famílias goesas vindas da Índia Portuguesa, fugindo das epidemias que obrigaram a mudar a capital para Pangim. Os que não quiseram ficar na nova capital, procuraram melhores oportunidades económicas noutras paragens e porventura alguns ter-se-ão decidido pelo Sultanato do Zanzibar. A história do Sultanato do Zanzibar do final do século XIX e começo do século XX pode ser contada num álbum de fotógrafos de origem portuguesa de Goa. Este é o motivo pelo qual escrevo hoje sobre fotografia portuguesa.
COUTINHO BROS
Mulher do Zanzibar; Árabes fotografados em estúdio; H. S. H. Hamaud Sultão do Zanzibar. Fotografias de Coutinho Bros e J. B. Coutinho, Zanzibar 1900
A. C. GOMES & Cº; SONS
Foto: P. de Lord
domingo, dezembro 31, 2006
Da Feira da Ladra ao Império do Sol Nascente
O Império Japonês então unificado a custo pelos senhores da guerra – Oda Nobunaga (1534-1582), Toyotomi Hideyoshi (1536-1598) e Tokugawa Ieyasu (1542-1616), iniciavam os primeiros contactos com os europeus. Os portugueses, apesar de poucos, influenciaram de forma decisiva o decurso da história nesta região, até pela responsabilidade que tiveram na introdução de armas de fogo que contribuíram para a pacificação do país devastado pelas guerras. Há, até, quem aluda ao "Século Português do Japão".
Os objectivos dos portugueses nestes territórios foram de natureza religiosa cuja figura maior foi São Francisco Xavier; outros se lhe seguiram, como os padres jesuítas João Rodrigues e Luís Fróis, este responsável pela obra “História do Japam” em 5 volumes, (1549-1593); o Padre João Rodrigues com a sua obra dedicada à aprendizagem da língua japonesa, autor da primeira gramática do Japonês e da “A História da Igreja do Japão”, Macau (1620-1633), onde se destacam a descrição do culto do chá que se pensa ter alguma relação com as práticas cristãs. Práticas cristãs que acabariam por levar a um final trágico a relação dos portugueses com o Império do Sol Nascente e que culminaram com a chacina de milhares de cristãos em Nagasaki no ano de 1597.
Isto vem a propósito porque adquiri recentemente, na Feira da Ladra em Lisboa, uma fotografia que me despertou a atenção apenas pelo facto de representar um grupo de oficiais da Marinha Portuguesa.
Fiquei ainda mais feliz quando ao chegar a casa verifiquei que para além do papel albuminado ser da prestigiada casa B. F. K. Rives, um dos oficiais do grupo podia ser o militar e escritor Wenceslau de Moraes.
Daí ao labirinto da curiosidade foi um passo. Consultei na minha biblioteca a fotobiografia de Wenceslau de Moraes, da autoria de Daniel Pires, edição Fundação Oriente, 1993. Ali estava ele na pág. 64 com a legenda “Oito oficiais em uniforme de Verão. O escritor é o último à direita”, fotografia da Biblioteca Central da Marinha, (a minha compra em muito melhor estado de conservação). A mesma fotobiografia refere detalhadamente o percurso de Wenceslau de Moraes e as embarcações onde este prestou serviço. Refere também, que o escritor passa a pertencer à Escola Naval a 4 de Fevereiro de 1879 e a 12 do mesmo mês é promovido a Segundo-Tenente e que a 16 de Novembro do mesmo ano começa a exercer na canhoneira Quanza, comandada por Carlos Maria da Silva Costa, oficial que, a confirmarem-se as deduções das minhas pesquisas, estará entre os retratados.
No entanto, consultando o historial dos navios da armada portuguesa, no “Dicionário de Navios & Relação de Efemérides “ de Adelino Rodrigues da Costa e “Os últimos navios do Império – Portugal no Mar” de Telmo Gomes, continuam-me a subsistir duvidas quanto à embarcação onde se encontra o grupo de oficiais. Será esta a canhoneira Quanza (1877-1900) que se encontrava a efectuar várias comissões na costa angolana no ano de 1879/80 ou será a corveta mista Mindelo (1875-1897), onde seguiu Wenceslau de Moraes a 6 de Junho de 1881 quando esta largou de Lisboa para a estação naval de Moçambique e que uma tempestade no Indico obrigou a arribar a Aden, onde permaneceu durante três meses, pelo que só chegou a Moçambique em 9 de Novembro de 1881?
Isto para dizer, que quando publicamos num blog uma fotografia ou escrevemos sobre a mesma e não descrevemos todos os passos ou ainda não referenciamos a proveniência da informação que nos levou a determinada conclusão, muitas das vezes tal acontece por esquecimento e sem malícia.
sábado, dezembro 30, 2006
quinta-feira, dezembro 28, 2006
CAMINHO-DE-FERRO DE MOÇÂMEDES
1909/1910

Fotografia G. Schoss © Colecção Ângela Camila Castelo-Branco e António Faria
As fotografias que aqui vemos, da autoria de G. Schoss, fazem parte de um álbum fotográfico do levantamento dos trabalhos de estudo e construção desta linha-férrea de Angola pela Brigada de Artur Torres entre 1909 e 1910.
Na sequência deste trabalho esta importante linha do Sul de Angola atingiu o quilómetro 186. Aqui parou por um período de sete anos, pois só em 1923 chegaria a Sá da Bandeira, hoje Lubango, tinham então decorrido 33 anos desde a data da ideia da sua construção.
A partir dos anos cinquenta o seu prolongamento para Sul tornou-se uma realidade, com a construção do troço da Chibia em direcção ao Cunene e à Namíbia. Ficou-se por Chiange, e ainda hoje lá se encontra, a alguns quilómetros do objectivo inicial. À espera que o homem sonhe!
© Colecção Ângela Camila Castelo-Branco e António Faria
Fotografia G. Schoss, barbeiro no Caniço
© Colecção Ângela Camila Castelo-Branco e António Faria
Fotografia G. Schoss, Humbia, nivelando o ponto mais alto
© Colecção Ângela Camila Castelo-Branco e António Faria
Fotografia G. Schoss, Locomotivas do C. F. M.
domingo, dezembro 24, 2006
quarta-feira, dezembro 20, 2006
Augusto Silva Carvalho, 1952. Fotografia Bobone . BN
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O Grand Monde, presta hoje merecida homenagem a Augusto da Silva Carvalho, natural de Tavira onde nasceu em 1861. Formou-se em Medicina na Escola Médico-Cirúrgica de Lisboa. Trabalhou nos Serviços da Administração Hospitalar em Lisboa. Foi presidente da Sociedade de Ciências Médicas, professor de História da Medicina a convite da Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa e sócio efectivo da Academia das Ciências (1928), deixou extensa bibliografia, quer no domínio da clínica cirúrgica, epidemiologia e saúde pública, quer no da História da Medicina em Portugal. Morreu em Lisboa em 1957 com 96 anos.
Ocorreu-me, a quando da leitura de alguns trabalhos académicos, e de outros menos académicos, que a frequente citação da “Comemoração do Centenário da Fotografia – Subsídio para a História da Introdução da Fotografia em Portugal” de Augusto da Silva Carvalho, (Comunicação feita à Classe de Ciências, em 2 de Novembro de 1939), acontecia de uma forma mecânica que, se por um lado continua a levar pessoas à leitura do mesmo, por outro lado levará alguns a citar o trabalho sem sequer o ter lido. Quando em 1940 se comemorou o centenário da fotografia e para isso se convidou A. da Silva Carvalho o Presidente da Sociedade de Ciências Médicas, talvez não tenha sido por acaso. Na sua comunicação, feita à Classe de Ciências a 2 de Novembro de 1939 e editada a separata nas Memórias da Academia das Ciências de Lisboa, Classe Ciências Tomo III, Academia das Ciências de Lisboa 1941, escrevia a propósito das noticias que tinha encontrado sobre fotografia: “...Desta maneira poder-se-á talvez fazer juízo fundamentado da resistência ou dificuldade, que em Portugal se manifestou para a compreensão do valor de tal descoberta.”, a este trabalho de recolha e pesquisa Augusto da Silva Carvalho juntou estudos especiais sobre diversas aplicações da fotografia na ciência em Portugal elaborados pelas mais diversas personalidades da época: “As aplicações da Fotografia à Química e à Físico-química” Dr. Achilles Machado (Comunicado feito à Classe de Ciências, 11 de Janeiro de 1940); “Notas sobre a Fotografia na Anatomia” Dr. Henrique de Vilhena (Lido em sessão da Classe de Ciências, em 11 de Janeiro de 1940); “A Microfotografia”Dr. A. Celestino da Costa (Comunicado feito à Classe de Ciências , 11 de Janeiro de 1940); “Notas para a história da fotografia aérea e da sua aplicação à cartografia) Dr. Vítor Hugo de Lemos (Comunicação feita à Classe de Ciências, em 7 de Março de 1940); “Sobre a importância dos métodos fotográficos na anatomia patológica” Dr. Friedrich Wohlwill, (Comunicado feito à Classe de Ciências, em 7 de Março de 1940); do nosso prémio Nobel da medicina Dr. Egas Moniz “A fotografia da circulação normal e patológica do cérebro” (Comunicado feito à Classe de Ciências, em 7 de Março de 1940) e ainda “Nota sobre a fotografia aplicada à Antropologia em Portugal” Dr. A. A. Mendes Corrêa (Comunicado lido pelo Sr. Dr. Augusto Silva Carvalho, à Classe de Ciências; em 7 de Março de 1940). Nem de propósito, depois destes anos todos, as conclusões de Augusto da Silva Carvalho no que diz respeito à fotografia, “da resistência ou dificuldade, que em Portugal se manifestou para a compreensão do valor de tal descoberta”, mutatis mutandis, continuam pertinentes.
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Em Dezembro de 1962 foi comprado pela BN à Misericórdia de Tavira o espólio de Augusto da Silva Carvalho, que compreende um vastíssimo conjunto de notas bio-bibliográficas, apontamentos de história de Medicina, correspondência, documentos biográficos e fotografias, junto com parte da livraria do médico e escritor.
Ângela Camila Castelo-Branco



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