sábado, março 10, 2007

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Handmade Book Edition of 1 size 7 1/4 x 6 inches includes 10 color photos 4x6" © rita barros

Blackout and Falling


Estes trabalhos de Rita Barros fazem parte de um projecto de edição de pequenos livros de autor, feitos à mão. O formato varia entre 13 x18 cm e 10x 15cm aproximadamente, e as edições variam entre um exemplar e três. Uns livros são em acordeão e outros em “flip”(como os livros de acção em que a passagem rápida das páginas cria o movimento) A ideia é a de criar um título e desenvolver através de imagens uma narrativa relacionada com o tema. O suporte da página permite conter uma ideia dentro dum espaço perfeito para a visão do projecto. E o facto de ser um livro e de para ser visto ter de ser manuseado cria uma intimidade e sensualidade do toque.Em “Blackout”, o que pode significar apagão / desmaio / esquecimento o livro tem, 13 imagens, c-prints, de 10x15cm (estas imagens estão no site Anamnese). “Falling”, que pode ser associado com queda / desmoronar / morte, compreende 10 auto retratos da fotógrafa, num livro com 10 imagens, c-prints de 10x15cm.Estas narrativas foram criadas com a ideia de contar uma história que na maioria dos casos tem princípio meio e fim. Em casos específicos a narrativa é livre ou seja o principio pode ser o fim. O museu de Serralves adquiriu 9 destes livros, todos edições únicas.



Blackout


Handmade Book Edition of 1 size 7 x 6 1/4 inches includes 13 color photos 4 X 6"© rita barros




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sexta-feira, fevereiro 23, 2007

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Museu do Dundo
Levantamento etnográfico da Lunda

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Penteados

© Colecção Ângela Camila Castelo-Branco e António Faria

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Fotografias que fazem parte de um vasto levantamento etnográfico efectuado em Angola pelo Museu do Dundo, em 1958. O museu foi fundado em 1936 pela Diamang – Companhia de Diamantes de Angola, concessionária da exploração de diamantes nas províncias da Lunda Norte e Lunda Sul, e funcionou até finais dos anos 70. Detinha um valioso repositório de estudos etnográficos, antropológicos e históricos de toda a região. O seu importante arquivo fotográfico foi vendido em Lisboa à Universidade de Coimbra no início dos anos 80.

.SS

Sobas da Lunda

© Colecção Ângela Camila Castelo-Branco e António Faria

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Folclore Quioco

© Colecção Ângela Camila Castelo-Branco e António Faria
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quarta-feira, fevereiro 21, 2007

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Josep Renau (1907 – 1982) “100 Anos de gratidão”



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. Fotomontagens de Josep Renau "Descansem em paz" e " O Presidente fala de paz"


“Descansen en paz”, “El sabio y las bestias” e “El President parla sobre la paz”



Durante vários anos dediquei-me à arte da fotomontagem. Obsessivamente, recortava todas as revistas que me apareciam pela frente e passava horas a fio a remendar sonhos e a juntar pedaços da minha imaginação. No princípio dos anos 90 atrevi-me propor à directora de arte do Instituto Franco Portugais em Lisboa, uma exposição de fotografia. Depois de duas longas horas de apreciação do trabalho, fui surpreendida com um “excellent travail!”. Seis meses depois, estreava-me com uma exposição que tinha como titulo “O Céu pode esperar”.
Hoje, devo o incentivo, dedicação e gosto pela fotografia aos que me empurraram para este mundo de paixões: o António, meu marido, que sempre foi um amante incondicional da fotografia; o crítico João Pinheiranda, que por não me ter crucificado nesta primeira exposição despertou em mim o interesse para outros vôos no mundo da fotografia e o Mário Cesariny que nas noites infindáveis ao balcão do “Lua Nova”, no Bairro Alto, com quem muito aprendi sobre os estetas da fotomontagem que foram L. Moholy-Nagy (1895-1946), Hannah Höch (1899-1978), Alexander Rodchenko (1891-1956), John Heartfield (1890-1935), Josep Renau (1907-1982) e Klaus Staeck (1938-). Mas, vamos àquilo que me levou a falar das minhas fotomontagens. Josep Renau, o artista que encomendou “Guernica” a Picasso e as comemorações do centenário do seu nascimento, influenciou-me de maneira impressiva.
Sem nunca ter partilhado dos “modelos” políticos defendidos por Josep Renau, a sua obra estimulou-me, porém, a apetência pela defesa de ideais tão comuns como a liberdade e o direito à diferença. Ainda hoje, “Descansen en paz”, “El sabio y las bestias” e “El President parla sobre la paz” são ícones desconstrutivos da demagogia política que muitos teimam propalar.
Este ano comemoram-se 100 anos sobre a data de nascimento deste vanguardista de Valência, cidade onde nasceu, se formou em Belas Artes, trabalhou como publicitário, desenhador de cartazes e foi ilustrador das revistas “Estudos” e “Cadernos de Cultura”.






















Cartazes de Josep Renau, Espanha 1936/38


Em 1936 no início da guerra civil em Espanha, Josep Renau é nomeado Director Geral de Belas Artes, cargo que ocupará até 1938. Com a incumbência de salvaguardar o património artístico espanhol, manda evacuar todas as obras do Museu do Prado com o intuito de as resguardar dos bombardeamentos dos nacionalistas à cidade de Madrid. Enquanto responsável pela selecção de artistas para representarem o seu país na Exposição Internacional de Artes e Técnicas de Paris de 1937, contacta Pablo Picasso a quem encomenda uma obra que simbolizasse o período sanguinário que se vivia em Espanha. O pintor andaluz apresenta no pavilhão de Espanha “Guernica”, que publicamente se tornará um grito de denúncia das atrocidades cometidas na guerra civil. Hoje, poucos referem a importância do gesto de J. Renau quando se fala de “Guernica”!
Francisco Franco chega ao poder em 1939 e Josep Renau foge para França, de onde parte para o exílio no México. Conhece o pintor David Alfaro Siqueiros, passando com este a dedicar-se à pintura mural. A proximidade geográfica com os EUA e a política propagandística que difunde o “idílico sonho americano” sensibiliza o artista que se apercebe dos contrastes sociais existentes naquele país. Começa a comprar as revistas americanas “Life”, “Fortune” e “The New Yory Times”, cortando, coleccionando e catalogando temas inerentes ao estilo de vida americano.




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Fotomontagens de Josep Renau. Fata Morgana USA, Berlim 1967



Datam desta fase a série de fotomontagens “Fata Morgana USA: The American Way of Life”, que o autor assume como uma tentativa de desmistificação do comportamento político e social norte-americano. Este conjunto de imagens, toma maior importância na obra artística de Renau, quando pela primeira vez o artista elabora uma série de fotomontagens dedicadas ao mesmo tema e passa a utilizar a cor nos seus trabalhos de crítica social e política, o que até aqui era exclusivo das fotomontagens a preto e branco.
Deixa o México em 1958 rumo a Berlim, na República Democrática Alemã onde viverá até ao fim dos seus dias.




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Livro editado para a Bienal de Veneza e Catálogo de exposição na Alemanha


Em Berlim, Renau publica o livro “Fata Morgana USA: The American Way of Life” e executa a série de fotomontagens “Über Deutschland” que foi uma única vez exposta a público na Alemanha.
O espólio de Josep Renau foi doado ao Instituto Valenciano de Arte Moderna que até agora não tem agendada uma única exposição dedicada ao artista, no ano em que se comemora o centenário do seu nascimento.
Na arte como na política, a DEMOCRACIA É DIVERTIDA!



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Fotomontagens de Klaus Staeck, "Agora os cravos precisam de água" e "Pão para o Mundo", 1975

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Fotomontagens de John Heartfield. Crítico da república de Weimar e do Nazismo Alemão.

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Alexander Rodchenko

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Cartaz com Lili Brik e caricatura do crítico Osip Brik, variante da capa da revista LEF (Frente Izquierdista de las Artes), 1924. Fotomontagens a partir de fotografias de Alexander Ródchenko. Museu Estatal de Bellas Artes Pushkin, Moscovo
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Hannah Höch

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Hannah Hoch foi pioneira na fotomontagem, com a sua arte desafiou o papel da mulher na Alemanha conservadora.
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Associação Portuguesa de Photographia
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domingo, fevereiro 18, 2007

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Inauguração dos caminhos-de-ferro de Ambaca, Angola 1886

© Colecção Ângela Camila Castelo-Branco e António Faria



Os Cunha Moraes de fio a pavio III
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Angola, como toda a restante África subsaariana repartida pelas potências reunidas em Berlim em 1885, conheceu uma colonização rápida. Se durante séculos, a presença portuguesa se limitara a uma ténue linha costeira, o hinterland só foi desbravado em finais do século XIX. A este surto colonizador não foram estranhos os novos instrumentos de domesticação do meio natural, nomeadamente as tecnologias decorrentes do vapor. Ao combóio, verdadeiro conquistador das savanas imensas da África Austral, deveu-se, pois, o celere internamento e povoamento europeu de territórios até aí inacessíveis ao homem branco.
A primeira grande realização ferroviária em Angola foi a linha de caminhos-de-ferro de Luanda a Ambaca.
O empreendimento ficou devidamente registado pelos fotógrafos Cunha Moraes. Sobejamente conhecida, esta família chegou a Luanda em 1863, quando Abílio Simões da Cunha Moraes foi desterrado para esta colónia por crime de falsificação de moeda. A Abílio Moraes (1825-1871) sucederia o seu primeiro filho, Augusto César da Cunha Moraes (1850-1939), depois o irmão deste, José Augusto da Cunha Moraes (1855-1932), seguido por Joaquim Júlio da Cunha Moraes e pelo irmão mais novo, Alfredo Adelino da Cunha Moraes. Todos os filhos de Abílio vieram a revelar-se excelentes fotógrafos, deixando para a posteridade a sua visão da realidade da África Ocidental Portuguesa. São deles algumas das reproduções fotográficas que aqui deixamos da construção dos caminhos-de-ferro Luanda-Ambaca (1886 a 1907). Sendo Joaquim Júlio condutor de obras públicas nos caminhos-de-ferro e Alfredo Adelino também funcionário dos caminhos-de-ferro, não nos surpreende a escolha e o magnifico registo e sentido de oportunidade das peças aqui expostas.

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Ponte do Luinha, K 232, .

© Colecção Ângela Camila Castelo-Branco e António Faria
\n Angela Camila <acamilacb@gmail.com> wrote: ",1]
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domingo, janeiro 28, 2007




La Photographie un bien Public?
e Um dia a falar de Imagens Médicas


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Ecografia 4D Patricia


.UM DIA A FALAR DE IMAGENS MÉDICAS


Um Dia a Falar de Imagens Médicas dias 16 e 17 de Fevereiro 2007, sexta (início às 18h30) e sábado (encerramento às 18h). No Instituto Franco-Português, Avenida Luís Bivar, 91 Lisboa Metro: Saldanha e Picoas. Um dia a reflectir sobre o mundo das imagens médicas e sobre as relações que a medicina, os médicos e os cidadãos com elas estabelecem. Com Carla Rodrigues Cardoso, Dominique Chastres, Eduardo Cintra Torres, Eduardo Prado Coelho, Graça Castanheira, João Lobo Antunes, José Bragança de Miranda, José Manuel Reis Santos, Laure Bourdarot, Manuel Valente Alves, Margarida Pereira, Maria do Carmo Seren, Mário Ferreira, Marise Francisco, Monique Sicard, Mário Andrea, Paulo Filipe Monteiro e Regina Marques. Organização de José Carlos Abrantes em colaboração com o Serviço de Neurologia do Hospital de Santa Maria, Instituto Franco-Portugais e Edições 70. Inscrição: Até 10 de Fevereiro 40 euros. Depois de 10 de Fevereiro 70 euros. Estudantes: 15 euros (nº limitado de inscrições). Inscrições e-mail josecarlos.abrantes@gmail.com telefone 936 346 853


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Dos Raios X ao IDL


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LA PHOTOGRAPHIE: UN BIEN PUBLIC?

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Seminário no CCB La photographie: un bien public? 16 Fevereiro, 10h-13h e 14h30-17h30 (6 horas). Sala Polivalente do Centro de Exposições. Inscrições: de 8 a 26 Janeiro 2007. Vagas: 30 Preço: € 60. Critério de selecção: Ordem de chegada. Certificado de presença emitido pelo Ministério da Cultura/Centro Cultural de Belém. Esta última acção é desenvolvida em colaboração com a Universidade Nova de Lisboa - Departamento de Comunicação e com o Professor José Carlos Abrantes. Informações/inscrições: através dos telefones 21 361 28 00/ 21 361 28 67 ou do e-mail servico.educativo@ccb.pt.


La Mission Héliographique de 1851


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Bagneux. Dolmen dit la Grande Allée couverte
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Chenonceaux, château vue d'ensemble
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quinta-feira, janeiro 25, 2007

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Évora Desaparecida
Fotografia e Património 1839-1919
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"Évora Desaparecida - Fotografia e Património 1839-1919", exposição inserida nas Comemorações dos 20 anos da classificação de Évora como Património da Humanidade e que ainda pode ser visitada até 28 de Fevereiro de 2007 no Convento dos Remédios em Évora.
No dia 27 de Jan. de 2007, Peddy-paper "Évora Desaparecida" organizado pelo Arquivo Fotográfico da Câmara Municipal de Évora, em colaboração com a Rádio Telefonia do Alentejo. A recepção aos concorrentes decorrerá a partir das 10.00 horas no Salão Nobre da Câmara Municipal de Évora, na Praça do Sertório. A prova tem a duração de duas horas (11.00 às 13.00). O Peddy-paper consiste num percurso pedestre pela cidade, com o objectivo de conhecer algum do património desaparecido, através da resuloção de provas e enigmas, procurando divulgar, simultaneamente, a Exposição "Évora Desaparecida - Fotografia e Património 1839-1919".
No dia 3 de Fev. de 2007, 15.00 horas - Conferência e visita orientada por Carlos Teixidor Cadenas, conservador da Colecção J. Laurent, do Instituto do Património Histórico Espanhol.
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“Terrain Vague”
na Madeira


No centro de Artes e Congressos “Casa das Mudas”, na Calheta estão em exposição desde 1 de Janeiro de 2007 fotografias de Paulo Catrica. Segundo palavras do fotógrafo à “Revista Olhar” do Jornal da Madeira on line, “- Esta exposição é uma espécie de “ponto da situação” do meu trabalho até hoje. Ou seja, é uma exposição que reúne trabalhos de encomenda que eu fiz em países diferentes, de cinco ou seis séries diferentes já apresentadas em outras situações. É que, como trabalho sobre este registo de paisagem há cerca de dez anos, trabalho, muitas vezes, com encomendas directas e faço séries sobre um sítio específico como aquele que fiz aqui na Madeira, em 2002, sobre a sua paisagem contemporânea. De certa forma, os trabalhos que tenho nesta mostra são fotografias de cinco ou seis séries diferentes. De Lisboa, Porto, Finlândia, Holanda, Inglaterra e Madeira.”.



S. Alhandra vs Sanjoanense, campo da Hortinha, Alhandra. 19.10.2003.
Fotografia de Paulo Catrica




Estádio Municipal de Braga. Fotografia de Paulo Catrica


*Estes trabalhos não estão na Exposição da Casa das Mudas


sexta-feira, janeiro 19, 2007

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“Bons Ventos” de Castela – La Mancha
Rasto ou Memória do Olhar
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......A “La huella de la mirada. Fotografia y Sociedad en Castilla-La Mancha, 1839-1936” é uma exposição que pode ser vista no Instituto Cervantes Lisboa , só até ao próximo dia 26 de Jan. 2007.
......A exposição é comissariada pelo prestigiado historiador espanhol Publio López Mondéjar (Casasimarro, 1946), responsável pela selecção das fotografias em arquivos públicos e privados e em muitos espólios de descendentes de fotógrafos de Castela – La Mancha.
O resultado desta selecção foi bastante mais vasto do que aquele que vamos poder ver no Instituto Cervantes em Lisboa. Aí podemos apreciar 83 reproduções das espécies recolhidas por López Mondéjar. Quem pretender mais pode comprar o belíssimo catálogo por 28€ e vai muito bem servido.
..........Podemos começar a exposição pela fotografia de Martínez Palacios os “Madeireiros no rio Tejo” que vieram desaguar em Lisboa, com a ajuda do Instituto Cervantes. Como podemos ler no catálogo “A colecção reúne obras dos melhores fotógrafos da região, desde os representantes mais conhecidos da fotografia popular, como Casiano Aguacil, Luis Escobar, Luciano Armero, Ricardo Sánchez, Nicanor Cañas e Julián Colado; os retratistas de grande prestigio, como Jaime Belda, Vicente Rubio, Lucas Frail, Ruiz de Luna, José Reyes, Juan José Muñoz, Higio Rós e Eugénio Rodríguez; aficionados tão importantes como José Ortiz-Echagüe, Tomás Camarillo, Martínez Palacios ou Gregorio Prieto; ambulantes lendários, como Ricardo Sánchez, Serafín Cencerrado, Jesús Enero, Benito Pons ou Manuel Soler; até aos grandes viajantes estrangeiros, como Ch. Clifford, J. Laurent, Edward-King Tenison, Levy, Loty ou Roisin.”. E despedimo-nos da rua de Santa Marta, das “Tentações de Santo António”(1930), fotomontagem do pintor Gregorio Prieto Muñoz (1897- 1992); Casa Museu Gregorio Prieto Valdepeñas. Vão ver que não dói nada.
..........Deixo ainda esta informação importante da procedência desta colecção, "...mais de 50 museus e arquivos públicos e privados, na região de Castilla – La Mancha, mas também do resto do país e do mundo, como o Centro Regional de Fotografia de Cuenca, os Arquivos Municipais de Toledo e Albacete, os arquivos fotográficos das Assembleias Legislativas das províncias de Toledo e Guadalajara, o arquivo da província de Toledo, o Património Nacional, a Biblioteca Nacional de Madrid, o Arquivo Geral da Administração, o Arquivo da Comunidade de Madrid, a Biblioteca Nacional de París, a Hispanic Society de New York, o Victoria and Albert Museum de Londres, o Instituo de Estudos Fotográficos da Catalunha e o Centro de Estudos de Castilla-La Mancha. Especialmente importante, foi a disponibilidade e participação de dezenas de coleccionadores particulares, sobretudo os descendentes dos fotógrafos.". Impressionante o trabalho de nuestros hermanos.
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Legendas: De Martínez Palacios, Madeireiros no rio Tejo perto de Peralejo de la Truchas c. 1885 (Arquivo Monasor). As Tentações de Santo António fotomontagem do pintor Gregorio Prieto 1930 (Casa Museu Gregorio Prieto, Valdepeñas) e Cassiano Alguacil, o primeiro grande fotografo de Castilla-La Mancha. Retratado por Eugénio Rodríguez 1910 (Espólio Rodrígues. Arquivo de Toledo).

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La huella de la mirada Fotografia y Sociedad en Castilla - La Mancha 1839-1936

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quinta-feira, janeiro 18, 2007

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Agora em Lisboa

Museu Nacional de História Natural, Lisboa

Sala da Baleia - de 19 de Janeiro a 29 de Março de 2007

Muse.

sábado, janeiro 13, 2007

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Publicidade ao estúdio de Jeremiah Gurney impressa em tecido. O brinde para retratos não tem a indicação do n.º de retratos, pois que o n.º 100 e 89 ou seja, 189 da Browdoay corresponde ao n.º da porta do estúdio de Gurney registado no Anuário de New York City entre 1843 e1853.
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O Insley de Cabeceiras de Basto
De entre as serranias da Cabreira e do Marão até New York City
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..........Já escrevi no Grand Monde da Imagem e da Fotografia em Portugal sobre a história da fotografia do séc. XIX no Zanzibar e Tânganica actual Tanzânia, cujos fotógrafos oriundos de Goa, na então Índia Portuguesa, tiveram um papel predominante. Escrevi também sobre os Nunes Carvalho os daguerreotipistas, o Salomão e o seu pai David Nunes Carvalho, que na América do Norte foram pioneiros, primeiro em Baltimore e depois no Far West, o lendário Oeste Selvagem e mais tarde em Filadélfia.
Em falarei sobre Moçambique, sobre a África Oriental Portuguesa de Louis Hilly, de Thomas Lee e dos Lazarus, os irmãos de origem judia, que em 1899 se instalaram na rua Araújo (actual rua de Bagamoyo) em Lourenço Marques, hoje Maputo e tendo-se posteriormente transferido para o edifício da “Avenida Building”, depois de terem aberto casa na Beira e na República do Transval. Acabariam proprietários da Photographia Ingleza, a fazer retratos no n.º 59 da rua Ivens em Lisboa.
..........Escrevi, e vou continuar a escrever sobre os Cunha Moraes, os famosos, que depois da morte de Abílio da Cunha Moraes (1825-1871), desterrado em Luanda por falsificação de moeda, logo a viúva e de seguida os filhos lhe seguiram os passos nas artes do retrato. Acabariam em Crestuma – Vila Nova de Gaia, na fábrica de fiação A. C. C. Moraes, debruçada sobre o Douro nas franjas da Quinta da Estrela que lhes pertenceu até 1984. Republicanos e Maçónicos, políticos, filantrópicos e corajosos, veja-se o Ângelo Moraes, um dos filhos de Joaquim Júlio da Cunha Moraes, que fez figura na oposição à ditadura de Sidónio País na revolta de 12 de Outubro de 1918 acabando com os costados no Aljube. Entre os que me lêem, estou a pensar em alguns que sabem bem quanto é necessário em coragem e convicções para se lutar contra ditaduras, ou tão simplesmente pelas próprias ideias. Ainda está por escrever a história dos Cunha Moraes, com tudo o que ela tem de mistério, de empenhamento e sacrifício à maneira do norte, à maneira dos romances de Camilo, o da bengalada, o da “Bruxa de Monte Córdova” e “Noites de Lamego”. Este aparte justifica-se por mais adiante ir falar das terras dos Bástulas.
..........Nem de propósito, hoje vou falar sobre fotografia no Brasil, vou falar sobre o Pacheco, por agora, porque quero ainda escrever-vos outras histórias de fotografia e de fotógrafos luso-brasileiros. O fotógrafo Chrestiano Júnior, tão em voga nos dias de hoje. O industrial José Francisco Correia, Visconde de Sande e Conde de Agrolongo (1853-1929), o das vistas estereoscópicas com os respectivos aparelhos, brindes da Fábrica de Fumos Veado que lhe trouxe fortuna em Niterói, no Brasil. O fotógrafo Júlio Siza, de Belém do Pará, avô do arquitecto português e da Tereza Siza do CPF – Centro Português de Fotografia. Isto para vos dizer, que me tenho questionado se podemos falar de uma diáspora portuguesa da fotografia? Estou cada vez mais convencida que sim.
..........Mas hoje, como já disse, vou escrever sobre o Pacheco, o Insley, o próprio, esse mesmo! Joaquim José Pacheco nasceu em Cabeceiras de Basto no ano de 1830, entre as serranias da Cabreira e do Marão, nas margens do Tâmega. Pouco se sabe das suas origens, é possível que tenha sido mais um a engrossar o rol de emigrantes que procurou fortuna nas Américas, para fugir à fome, à miséria e à má sorte. A Enciclopédia Itaú Cultural diz-nos que Pacheco no fim da década de 1840, aprende a fazer daguerreótipos em Fortaleza, onde começa a trabalhar como retratista com o fotógrafo e pintor irlandês Frederick Walter, responsável pela introdução do invento de Daguerre no Ceará. A confirmar-se, seria muito jovem o português quando se iniciou nos ofícios da fotografia. Ainda segundo a mesma enciclopédia, Pacheco viaja para Nova Iorque, onde resta, provavelmente, entre 1849 e 1851, ou seja, entre os seus 19 a 21 anos. Aí foi aprendiz de Mathew B. Brady
(1823-1896), o famoso fotógrafo americano que registou a guerra da secessão entre 1861 e 28 de Junho de 1865. O mesmo que reproduziu as cópias dos daguerreótipos da expedição Fremont e Salomão Nunes Carvalho ao Far West, expedição de que já vos falei aqui no Grand Monde. Em Nova Iorque Joaquim José Pacheco foi ainda assistente dos daguerreotipistas Jeremiah Gurney (1812-1886) e de Henry E. Insley (1811-1894), o que eventualmente, lhe teria sugestionado a utilização do nome por que viria a ser conhecido, o de Joaquim Insley Pacheco. E assim sendo, temos aqui alguns desacertos de datas pois que no Registo Daguerreian de Craig (Pesquisa sobre os fotógrafos americanos entre 1839-1860), John S. Craig actualização de 2003, ficamos a saber que Joaquim Pacheco trabalha esporadicamente para Jeremiah Gurney ainda no ano de 1853. O curioso é que também o daguerreotipista Salomão Nunes de Carvalho terá trabalhado para Gurney em 1853, o que só podia ter acontecido antes de 22 de Agosto de 1853 posto esta ser a data em que Salomão é convidado por Fremont para a expedição ao Far West. Seria muito interessante sabermos se os dois fotógrafos, Pacheco e Nunes Carvalho, se teriam conhecido. No mesmo registo de Craig, ficamos a saber que Joaquim Pacheco trabalhou também para Henry E. Insley. O fotógrafo americano, de quem Pacheco se apropriou do nome, é o primeiro registado na lista de daguerreotipistas em Nova Iorque, onde abre estúdio. Numa notícia aquando da sua morte, podemos ler que o fotógrafo em 1840 teve estúdio no cruzamento entre a Broadway e a Fulton Street numa sociedade com os irmãos Prosch.


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O estúdio de Mathew Brady em N. Y. ca. 1843 ................ Interior do estúdio de Gurney em N. Y. ca. 1843
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..........De regresso ao Brasil por volta de 1854, Joaquim Insley Pacheco monta estúdio no Rio de Janeiro no n.º 102 da rua Ouvidou. Começa a fazer ambrótipos, processo mais económico do que o daguerreótipo, tornando-se um retratista famoso e especializando-se no retrato pintado (foto-pintura). Entre os fotógrafos ao serviço da Família Imperial estavam os melhores nomes desta arte e ofício no Brasil: O francês Marc Ferrez (1843-1923), o alemão Revert Henrique Klumb (183?-1886) e o português Joaquim Insley Pacheco. Pacheco fez quase todos os processos fotográficos: daguerreotipia, ambrotipia, colódios húmidos, reproduções em papel salgado, platinotipias, albuminas. Foi exímio nos ambrotipos e no retrato-pintado. Podemos constatá-lo no retrato aqui reproduzido da princesa Leopoldina do Brasil por volta de 1864 ano do casamento com Augusto, príncipe de Saxe-Coburg-Gotha (1845-1907). São seus muitos retratos da Família Imperial do Brasil na Colecção do Imperador do Brasil D. Pedro II.
..........Aliás, não escrervi neste texto, que já vai longo, sobre os talentos de Insley Pacheco como pintor e aguarelista. Segundo Laudelino Freire "1816-1916 - Um Século de Pintura" e ainda o CD-Rom "500 Anos de Pintura Brasileira" José Joaquim Pacheco foi discípulo de François René Moreaux, Carlos Linde e Arsênio Cintra da Silva. Foi várias vezes premiado nas Exposição Gerais de Belas Artes. Após a República passou a expor no Salão Nacional de Belas-Artes. À pintura dedicou os últimos anos da sua vida.
..........O que mais me impressiona em Insley Pacheco é o arrojo do jovem oriundo de um meio rural e atrasado que parte para um mundo completamente desconhecido. Na América do Norte foi aprendiz e depois assistente de nomes maiores da fotografia americana com estúdio na Broadway em New York City. De regresso ao Rio de Janeiro torna-se fotógrafo da Família Imperial do Brasil a par de grandes nomes da fotografia brasileira.
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Princesa Dona Leopoldina , ca. 1864 fotopintura. Fotografia de Insley Pacheco
Fundação Maria Luisa e Oscar Americano (São Paulo, SP)



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Retrato de homem fardado, c. 1855 ambrotipia em caixa. Retrato das Princesas Dona Leopoldina e Dona Isabel, c.1855 ambrotipia, 11 x 8cm (imagem). Trabalhos de Joaquim Insley Pacheco
Fundação Maria Luisa e Oscar Americano (São Paulo, SP)



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D. Pedro II Imperador do Brasil, Rio de Janeiro 1883. Platinotipia de Joaquim Insley Pacheco.
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sexta-feira, janeiro 12, 2007

Moçambique, terra mãe

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© Colecção Ângela Camila Castelo-Branco e António Faria

Habitações de funcionários da Companhia do Borôr, Zambeze 1936
Photo Camacho
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MOÇAMBIQUE TERRA MÃE.

A África profunda que apenas alguns eleitos conheciam, os eleitos da aventura da coragem e do trabalho, os colonos, os missionários e os comerciantes, mas também, os militares e os administrativos, os muitos que não se confinaram ao litoral pachorrento das esplanadas e dos Whiskys com gelo. A África praticamente desconhecida dos europeus até finais do século XIX quando, a Monarquia moribunda se lembra e lhe protela a agonia. Aliás, é este o preciso momento que marca a efectiva ocupação portuguesa de todo o hinterland moçambicano, impulso notável de uma pequena potência que na sequência das conferências de Berlim e reagindo ao Ultimatum Britânico conseguiu, mercê de esforços diplomáticos e a decisiva intervenção militar nas campanhas de pacificação, garantir a presença portuguesa por mais três quartos de século.
Não quero fazer aqui uma evocação do passado, antes o registo de recordações que vão desaparecendo com aqueles que amamos.
Natural de Lourenço Marques actual Maputo, onde nasci a 2 de Fevereiro de 1966. Ainda muito jovem vivi a vinda compulsiva para a metrópole sem a consciência do que deixava para trás. Os sonhos que não voltariam, a não ser nas conversas em família. As caçadas do avô Arlindo que foi Aspirante, e Chefe de Posto, e Secretário e Administrador, primeiro em Manjacaze e depois no Chinde e em Panda onde morreria no dia 10 de Agosto de 1955. A minha estadia no “Barroso”, o mais conservador dos colégios, aonde chegava aos ombros do Januário mainato lá em casa. Os gelados da Esquimó na Polana, as matinés da Disney e do Cantiflas ao sábado no cinema da Sociedade de Estudos que faziam as delicias do Augusto, criado lá em casa e cinéfilo da criançada. As tardes na esplanada do Continental onde, no 4º andar do edifício o meu pai trabalhava para a Sonap Moc, filial da Sonap em Moçambique, a gasolineira portuguesa de Manuel Bulhosa e Manuel Queirós Pereira. A mãe Ana Maria que até à morte do avô Arlindo, por quem nutria uma enorme devoção e a quem acompanhou nos mais recônditos e maravilhosos sertanejos; esses lugarejos de fantasias e ilusões onde os sonhos chegavam no autocarro do Mahjohn com os magaíças, mercearias, jornais, revistas e cartas duas vezes por semana ou então se procuravam na colecção filatélica do pai. Terra rude e apaixonante donde ainda hoje penso que a minha mãe nunca, efectivamente, regressou. O Hotel Clube, em Lourenço Marques onde os meus pais foram morar depois de casados e ai viria a nascer o primeiro filho, o Nuno. O gerente era o Sr. Bernardo, pai da Irene casada com Raul Cruto e Silva o rei do leite condensado.
Histórias soltas aqui e ali envolvidas em alguma amargura e saudade, que isto de deixar para trás uma terra que nos viu nascer e viu nascer os nossos pais e uma das avós, não se faz sem lágrimas.
Esta Terra Mãe, é hoje a República Popular de Moçambique. O território foi descoberto pelos portugueses em 1489 por Pêro da Covilhã em demanda das terras do Prestes João. A 1 de Março de 1498, três meses depois de ter dobrado o Cabo da Boa Esperança, Vasco da Gama chega à Ilha de Moçambique. Nesse mesmo ano, erguíamos em Quelimane o padrão de São Rafael na foz do rio dos Bons Sinais. Dois anos depois iniciava-se a colonização da África Oriental nos territórios que viriam a chamar-se Moçambique e que os portugueses chamaram primeiro capitania de Sofala que estava subordinada ao Estado da Índia. Os portugueses instalaram-se em Sofala em 1505 e em Moçambique em 1506; subiram o grande rio Zambeze até Tete em 1632. Em 1608 repeliram os holandeses e os árabes em 1892. Moçambique separa-se de Goa da qual dependia administrativamente em 1752 e torna-se “província” ultramarina portuguesa em 1951. Durante o governo de Marcelo Caetano a 23 de Julho de 1972 foi-lhe conferida a categoria de estado. Os nacionalistas combateram o exército português desde 1964, controlavam então a parte norte do território e conquistaram a independência a 25 de Julho de 1975.


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© Colecção Ângela Camila Castelo-Branco e António Faria.

Colono transportado numa machila em terras do Prazo Macuse, Zambeze 1936. Photo Camacho
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© Colecção Ângela Camila Castelo-Branco e António Faria

Passeio fluvial do Chinde ao Sombo no primeiro aniversário da República
Portuguesa, Chinde 1911. Fotografo não identificado

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