quarta-feira, janeiro 23, 2008
sábado, janeiro 19, 2008
(… ) A paixão da pintura, foi quando eu comecei a fabricar tintas. Eu acabava um curso universitário. De ciências… Foi a grande re-volta. Que depois se transformou em câmara escura. (Autobiografia In desdobrável da exposição A Tradição como Aventura, Gal. Quadrum, Lisboa, 1978)
“A sua produção fotográfica, com início nos anos 40, inclui levantamentos etnográficos, de escultura medieval, de arte popular, retratos urbanos, etc. Entre os inéditos que fazem parte do seu espólio, contam-se numerosas montagens de fotografias que E.S. “paginava” com reenquadramentos e cortes, segundo um modelo que não era meramente gráfico ou cinematográfico mas antes se aproximava de posteriores sequenciações conceptuais.”. (Biografia In http://www.ernestodesousa.com/)
Emília Tavares escreve sobre o trabalho de Ernesto de Sousa na área da Fotografia (…) Ernesto de Sousa adere às primeiras rupturas com o redutor ambiente de concursos e salões fotográficos, bem como das publicações a estes adstritas, ao lançar a breve mas fracturante revista PLANO FOCAL, na década de 50, em que se assistiam ainda às ressonâncias de um Surrealismo nacional inesperado. Ao longo de 5 números, a revista propõe uma actualização dos conteúdos fotográficos informativos e formativos em que, entre outras situações de relevância, a historicamente mais importante foi uma entrevista a Man Ray (1890-1976), publicada no número de Maio-Junho de 1953.(…)
“dar o mundo todo ao mundo”
Em 1972, Ernesto de Sousa entrevistou Joseph Beuys na V DOCUMENTA, em Kassel.
(…)
Ernesto de Sousa encontra-se com Joseph Beuys…
…assim, para lá de todo o pudor:
0 Diálogo
JB: Nunca deixei de atingir o diálogo intenso. O resto, as acções, as obras, a «arte» é secundário. Pouco me interessa a arte senão na medida em que ela propicia o diálogo com o homem. Esse diálogo sempre o consegui… Algumas vezes tive que ouvir insultos, sarcasmos, mas isso também foi sem importância.
ANTIARS + ARS = ARS
… a fórmula que resume não tão facilmente como se pode pensar o problema da anti-arte. Porque uma transformação semântica importante não é um eterno retorno dessorado. Que importa que as palavras fiquem se o mundo é outro. É esse outro que nos compete pressentir).
O carácter fundador e transdisciplinar das acções desenvolvidas por Ernesto de Sousa, tal como fica a seguir brevemente anotado na sua biografia, constituem-nas como obras abertas de que a investigação académica, a edição e a reedição de textos ou outros registos ou o exercício da crítica podem ser considerados as mais evidentes e desejáveis consequências. Em 1990, na sequência da decisão de organizar e salvaguardar o espólio de Ernesto de Sousa, a partir do projecto CEMES, foram estabelecidos protocolos com a Biblioteca Nacional, (Inventário BN), para o tratamento e microfilmagem da produção escrita do artista, identico protocolo com a Cinemateca-ANIM, em relação ao espólio fílmico, e com o Arquivo Nacional de Fotografia (hoje Divisão de Documentação Fotográfica do IPM), para salvaguarda de uma parte do acervo fotográfico. O projecto CEMES aguarda encontrar a Instituição interessada no importante acervo de interesse público.
Porque entendo, que qualquer reprodução possa ser entendida como abusiva e apesar de com este post apenas estar a homenagear a obra de Ernesto de Sousa e este Sítio que inaugura agora, como se se tratasse de um verdadeiro “Museu Virtual da Obra de Ernesto de Sousa” que Isabel Alves põe à disposição de todos, fica aqui registada a disponibilidade imediata para anular este post se esse for o entendimento de Isabel Alves e da CEMES.
quarta-feira, janeiro 09, 2008
segunda-feira, dezembro 31, 2007
Na senda do que já foi o ano que agora termina, dia 30 de Dezembro o sociólogo António Barreto escolheu e comentou 44 fotografias de vários fotógrafos da Reuters. “À fotografia de actualidade nada escapa. O efeito é o hábito. Depois de tudo ver, nada nos comove.” ou “Hoje, com os meios de comunicação de massas e os novos comportamentos, a dor passou a ser fotogénica. Evoluiu o conceito de belo e de sublime. Parece absurdo, mas é verdade: a dor é bela.”. Uma análise e o olhar de António Barreto numa homenagem àqueles que com o seu esforço e sensibilidade nos ajudam a ver mais longe.
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Daniel Rocha fotografou Robert Mugabe. O ditador africano que esteve na cimeira Europa-África em Lisboa. Mas, Mugabe, como outros que aqui estiveram, não é “apenas” um ditador ele é um criminoso. Mugabe espreita por cima dos óculos de costas para a pandilha que se acotovela para o fotografar. Como se se tratasse do monstro da feira. Com o mesmo ar inocente dos aleijados que eram expostos nos circos, o criminoso, que é tudo menos inocente, sentia-se em casa. Já não há perguntas. Já não há jornalismo! Apenas imagens. Daniel Rocha estava do lado certo.
Outro português, José Manuel Ribeiro, fotografou para a Reuters o incêndio no Parque Natural de Sintra em 24 de Agosto de 2007.
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“Angela Merkel a bordo de um helicóptero aliado sobrevoando o Afeganistão. Olhando para ela, quem haveria de dizer que se trata do político mais poderoso da Europa? E um dos mais poderosos do mundo?”
“Atrás de arame farpado, em sua casa em Lahore, Benazir Bhutto dá uma conferência de imprensa. Há anos que tentava regressar ao seu país, onde uma vez foi primeira-ministra. Era filha do primeiro-ministro Ali Bhutto, deposto e enforcado. Ao fundo, nos telhados, vários soldados ou policias completam o cenário. (Quando ao telefone, combinava o envio das legendas destas imagens, a editora do jornal informa-me que Benazir Bhutto acabava de ser assassinada)”.
Submissas, timoneiras ou cobardemente assassinadas elas vão ganhar o século. Digo eu...
quarta-feira, dezembro 26, 2007
Podem ajudar o Sérgio Gomes a encontrar a máquina fotográfica?
sábado, dezembro 15, 2007
II - Wolfgang Sievers, Henri Cartier-Bresson e Georges Dussaud
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Inventor do “filme em rolo” patenteado em 1884 e da câmara fotográfica kodak em 1888. Fundou a Eastman Dry Plate and Film Company (1884), em Rochester, New York, localidade onde viveria até sua morte, a primeira empresa a produzir equipamentos fotográficos padrões em série e também filmes transparentes flexíveis, o primeiro filme em rolo, que deu grande impulso à indústria cinematográfica. Fundou a poderosa indústria Eastman-Kodak Company (1892), que se transformou numa das maiores empresas mundiais de equipamentos e materiais fotográficos. Implantou-se em todo o mundo, a Portugal chega apenas em 1919, de facto em 1919, foi criada a Kodak Portuguesa, Limited.

A 1.º Câmara Kodak e o rolo transparente patenteado por George Eastman
Federick Church, Americano (1864-1925)
Albumina, George Eastman a bordo do S.S. Gallia, Fevereiro 1890
George Eastman House Collection, gift of Margaret Weston
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A partir do momento em que a Kodak chega a Portugal, ou até devido ao facto de ter finalmente aqui chegado, os concursos de fotografia patrocinados por inúmeras colectividades, as exposições de maior ou menor relevo e os salões de maior e menor importância vão marcar as próximas décadas.
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O mesmo entendi com Wolfgang Sievers, que abre este segundo período embora tivesse fotografado Portugal pela primeira vez em 1934. Quanto a Georges Dussaud que só começa a fotografar em Portugal a partir de 1975, e ainda hoje fotografa, foi aqui incluído por entender que não se identificaria com os períodos que se seguem: “III - Sebastião Salgado e os Mensageiros da Liberdade” e “IV - Os olhares de Cândida Hoffer, Bert Teunissen e Marta Sicurella”, penso que concordam comigo, ou pelo menos entendem as minhas opções.
O atraso nos costumes e nas mentalidades em Portugal foi, também, registada por outros que nos visitaram. Emília Tavares, conservadora para a área da fotografia e vídeo no Museu do Chiado - Museu Nacional de Arte Contemporânea em Lisboa, escreve no seu trabalho “A fotografia ideológica de João Martins (1898-1972)”, Mimesis 2002: “O fenómeno dos salões de fotografia está intimamente associado ao advento do amadorismo fotográfico, à banalização da fotografia, à sua acessibilidade e mediatização como objecto de culto social e familiar. A um inicial associativismo de elite, sucedeu no século XX outra concepção deste tipo de agrupamento, então designados de foto-clubes, numa esfera de agremiação por identidade com determinado processo ou técnica fotográfica, ou ainda através de espaços lúdicos de cariz pós-laboral, como os grupos desportivos e culturais de grupos profissionais determinados.” Apesar disso, os salões de fotografia que então se multiplicaram trouxeram outros olhares, neles participavam grande número de estrangeiros, alguns (não muitos), deslocavam-se propositadamente a esses eventos traziam o seu próprio olhar e levavam-no no regresso, na bagagem, para terras distantes. Na verdade esse olhar não era muito diferente do nosso, também ele se limitava ao litoral, às ilhas, ao característico nos pescadores e nas gentes do campo, aos saloios, às planícies alentejanas, ao atraso, à pobreza, às crianças descalças, às feiras, romarias e procissões.
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Quando esteve em Lisboa Henri Cartier-Bresson (1908-2004), subiu ao Castelo de São Jorge para espreitar a cidade. Não terá visto mais que qualquer um de nós, não terá tido o seu “instante decisivo”, os deuses não estavam com ele nesse momento, ter-se-ão reencontrado no mesmo dia nos Jerónimos durante uma confissão – mas, ficou-nos um sabor a pouco. Inge Morath (1923-2002), foi assistente de Henri Cartier-Bresson nos anos de 1953-54 (eventualmente acompanhou-o na sua vinda a Portugal em 1954). Morath começou a fotografar em 1951, entrou na Magnum em 1953 como membro associado e tornou-se membro de pleno direito em 1955. Esteve em Portugal em 1956, foi quando fotografou alfama e, é dessa data a fotografia de Lisboa do Cais das Colunas escolhida para ilustrar o livro “Magum, Magnum”, comemorativo dos 60 anos da Magnum, editado em 2007.
Nos anos 50 também por aqui passou a realizadora e fotógrafa francesa Agnès Varda (1928-), que fotografa a mulher portuguesa e um cheirinho dos sabonetes Lux das vedetas de Hollywood. É dela a mulher que passa apressada roçando a parede com o cartaz da Lux que exibe o sorriso e os olhos rasgados de Sophia Loren. “A cineasta passou pela Póvoa de Varzim nos anos cinquenta e deparou-se com uma festa popular. Pediu à senhora da foto que fosse com ela para uma rua deserta com claridade para aí compor este belo retrato. Cinquenta anos depois escrevi um artigo num jornal com o postal "Sophia Loren em Portugal" e eis que alguém me dá a conhecer a poveira que ilustra tão bela imagem” chama-se Maria do Alívio, senhora que lavava roupa para fora. "Sophia Loren em Portugal”, 1953, comentários no Blog a (In)visibilidade das coisas. Não resisto a mostrar aqui um pequeno excerto de um texto de Agnès Varda, os filmes e as fotografias, “Daguerrencontro, Outubro 1992″, Cinemateca Portuguesa, Junho 1993.
“Para voltarmos à fotografia e chegarmos a Portugal, a fotografia “Sofia Loren em Portugal” foi feita na altura de uma reportagem (…) Pensando nessa reportagem a primeira coisa de que me lembro são as escritas nos passeios em frente à loja de chá- chat quer dizer em português chá, não é? Para mim, que gosto muito de gatos, os gatos estavam nos passeios e fartei-me de os fotografar. Fotografei também muitas mulheres que levavam coisas sobre a cabeça, pão ou bebés. Estive numas aldeias muito bonitas, Nazaré, na costa, e na região de Évora. Atravessei planaltos que parecem a lua. Em Estremoz havia um homem que fazia estatuetas e trabalhava nas finanças, ia receber os impostos de bicicleta e voltava para casa para fazer pequenas esculturas com um canivete. Fiz muitas fotografias sobre a arte popular, mas gostei sobretudo do trabalho desse homem… Luciano Martins de Oliveira, chamava-se.”
Postado no blog De-ci De-lá em 23 de Agosrto de 2006.
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Reg Birkett, "Fishermen Siesta", 1958 -Nazaré Getty/images
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FRANÇOIS LE DIASCORN
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Lamentações das três Marias, Évora, Portugal 1980. Fotografia François Le Diascorn / Phatos
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A suiça Sabine Weiss (1924-), esteve em Portugal nos anos de 1954 e 1956, esteve em Fátima onde provavelmente terá fotografado “Missa”, 1954. Esta fotografia pode também ter sido tirada em qualquer igreja de Portugal. Sabine Weiss nasceu na Suiça em 1924. Quando de uma viagem a Itália conhece Hugh Weiss, um pintor americano, com quem vem a casar em 1950. A fotógrafa escreveu: “Eu gosto muito deste diálogo constante entre mim, o meu aparelho e o meu sujeito, isto é o que me diferencia de alguns fotógrafos que não procuram este dialogo e que preferem distanciar-se do seu sujeito.”.
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Quem também esteve em Fátima foi George Krause. De facto o americano nascido em Filadélfia nos EUA em 1937, esteve em Portugal quando tinha 27 anos. Foi quando fez as fotografias de Fátima, tinham passado já 43 anos desde as aparições e o local onde construíram o Santuário tornara-se de culto. Foi nesse ano, a 21 de Novembro que ao encerrar a 3ª sessão do Concilio Ecuménico do Vaticano II, o Papa Paulo VI anuncia diante dos 2.500 padres conciliares, a concessão da Rosa de Ouro ao Santuário de Fátima. George Krause voltaria a Portugal, pelo menos em 1970 data de um outro trabalho do fotógrafo americano. “Rebanho”, 1970.
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A maqueta do livro «Retratos dos Portugueses» foi adquirida à alguns anos pelo Centro Português de Fotografia - CPF. Bill Perlmutter cruzar-se-ia novamente com os portugueses em 1970 em (Portrait of the Portuguese, Modernage Gallery New York), e mais tarde em 1998 em “À Prova de Água”, grande exposição organizada pelo Prof. Jorge Calado (Waterproof at Expo '98, Centro Cultural de Belém Lisboa, Portugal). A exposição “Heróis do Mar” onde o fotógrafo norte-americano foi de novo lembrado assim como o seu percurso pelo litoral português, entre Lisboa e a Nazaré em 1958, foi cedida pelo Centro Português de Fotografia para ser vista nas comemorações dos 70 anos do Museu Marítimo de Ílhavo. Passados todos estes anos, as fotografias de Bill Perlmutter (entretanto editadas em livro, em 2002), foram novamente mostradas em ‘Heróis do Mar’, exposição que tem percorrido o país de então para cá. .
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Outro americano que nos visitou foi a fotógrafa Esther Bubley (1921-1998). Esteve em Portugal em 1965, gostou dos vendedores de castanhas, das varinas e dos empedrados da calçada portuguesa. A força das suas imagens, desde quando trabalhava para Roy Stryker (Farm Security Administration), como técnica na câmara escura e durante toda a sua vida, nunca deixou de nos surpreender. Contudo, a sensibilidade da fotógrafa americana não encontrou entre nós especial fortuna. .
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Alma Lavenson (1897-1989), nasceu em San Francisco, filha de um empresário/comerciante bem sucedido. Após o devastador terramoto, e incêndio que se lhe seguiu, de 1906, a família vai viver para a Baía de Oakland. Em Dezembro de 1927 uma fotografia sua fez a capa da Photo-Era Magazine e em 1941 recebe um prémio pela fotografia “San Ildefonso Indians” que é uma das fotografias mais conhecidas da fotógrafa americana. Em 1962 esteve em Portugal continental e na Madeira. A sua fotografia “Spiral I, Tomar, Portugal” fez parte da exposição Photography in the Fine Arts IV organizada em 1963 no Metropolitan Museum, Nova Iorque, que a adquiriu. Alma Lavenson, formou-se em psicologia em 1919 e durante a sua vida foi muito mais que uma fotógrafa. “Para mim”, disse ela, em 1978, “fotografia era apenas uma pequena parte da minha vida”. Alma Lavenson morreu em 1989. (Patrícia Gleason Fuller, texto de Alma Lavenson (exposição catálogo), Riverside, CA: Museu da Fotografia Califórnia, c. 1979.) e (Biografia de Alma Lavenson “Portugal 1890-1990” Catálogo Europália 1991).
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Auto-retrato, "Stan Kubrick"–style, 1950. All photographs by Stanley Kubrick. From the Look Magazine Photograph Collection/The Library of Congress.
Outros americanos fotografaram Portugal Peter Fink (1907-1984), que esteve connosco diversas vezes nos anos 50 e 60, e também fotografou as famílias que no cais esperavam o regresso dos soldados portugueses da guerra colonial em Angola.
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Peter Fink. Portugal ca. 1955 Col. CPF/MC
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Leon Levinstein (1913-1988), filho de emigrantes judeus russos passou por Portugal quando de uma viagem pela Europa nos anos 60.
.Leo Levinstein. Mulheres da Nazaré, Portugal 1960 Col. CPF/MC
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Ray K.. Metzker (1931-), este professor de fotografia e fotógrafo viajou pela Europa em 1960-61, fez algumas fotografias de Portugal em 1960.
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Ray K..Metzker Portugal 1960 Col. CPF/MC Louis Stettner (1922-), visitou Portugal em 1958-59. Foi nessa altura que o fotógrafo e escritor esteve, - adivinhem onde? Na Nazaré, pois claro.
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Thomas Hoepker (1936-), no dia 11 de Setembro de 2001 ficou preso no trânsito e só pôde fotografar o horror a partir de Manhattan Bridge. Foi quando fotografou cinco nova iorquinos que conversavam perante a tragédia, “Young New Yorkers on the Brookliyn waterfront on 9/11”. A fotografia, que o autor só permitiu ser publicada 4 anos depois dos acontecimentos daquele dia fatídico, torna-se polémica.
Em 1964 Hoepker estava a fotografar em Trás-os-Montes a boda de um casamento; fotografou também um jovem da Mocidade Portuguesa, fazendo a saudação fascista; as mulheres vestidas de negro; o homem que faz pose para o fotógrafo de rua segurando um guarda-chuva e os rapazes (um de bicicleta e outro montado num burro), que debaixo de chuva miudinha, sorriem para o fotógrafo, riem de quê? Interpretações...
Não sei se o fotógrafo voltou mais tarde a Portugal, no entanto, a sua passagem por aqui, deixou rasto.
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Thomas Hoepker em Trás-os-Montes
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Neal Slavin
.Neal Slavin (1941-)
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Portugal foi visitado, pelo menos, por uma centena de fotógrafos estrangeiros, suspeito que terão sido muito mais de uma centena. Podemos constatar isso mesmo se espreitarmos alguns arquivos internacionais de fotografia, alguns bancos de imagem ou arquivos privados de instituições comerciais e industriais que funcionavam em Portugal. Por exemplo os arquivos da companhia de electricidade ou os arquivos das companhias de telecomunicações. Os arquivos das empresas de transportes ferroviários e da construção das linhas de caminhos-de-ferro. Mas também companhias de exploração de minas, frequentemente estas explorações eram entregues a empresas estrangeiras que contratavam fotógrafos estrangeiros para fazerem o levantamento patrimonial das mesmas. Haviam também as agências de imagens, hoje arquivos ou bancos de imagens. Se numa visita a Paris passarem uma tarde nos arquivos Roger-Viollet, ficaram surpreendidos com centenas de imagens de Portugal que se encontram nesses arquivos. A 13 de Outubro de 1889, Henri Roger fotografava a família durante um almoço, fazia a sua primeira fotografia e dava início a uma das mais prestigiadas agências fotográficas do mundo a Roger-Viollet.
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O holandês Christoffel Johannes Scherer, melhor ainda, Kees Scherer (1920-1993), foi um dos fundadores da World Press Photo. Esteve em Portugal em 1967 e fotografou-o de norte a sul. O Vintage Photo Gallery Pim Westerweel possui 54 fotografias que Scherer fez do nosso país. Kees Scherer
KEES SCHERER
A Lisboa cidade triste e alegre de Sid Kerner (1920-), foi quando o americano decidiu nela passar férias no Verão de 1967. Como com Vítor Palla e Costa Martins dez anos antes em 1958, também foram as pessoas que lhe prenderam o olhar de estrangeiro, “crianças e velhos, vendedores, pedintes, gente da rua.”, mas também os detalhes arquitectónicos, montras e mercados. Algumas das fotografias que fez quando por aqui passou foram expostas na Hudson Park Branch Library em 1971. Em 1995 foi homenageado com uma exposição no Arquivo Fotográfico da Câmara Municipal de Lisboa. Toda a exposição foi oferecida ao Arquivo de Lisboa. Sid Kerner terá, eventualmente, feito mais imagens da cidade que o viu regressar convidado para este evento. Não sabemos! Sid Kerner escreveu, no catálogo da exposição de 1995 “Lisbon Pictures, 1967”, que acreditava que a fotografia deve reflectir os tempos em que vivemos, e documentar não só o que nos perturba, mas também o que nos encoraja na nossa sociedade.
Sid Kerner (1920-)
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Herbert George Ponting (1870-1935), fotógrafo filho mais velho de Francisco Ponting, um banqueiro norte americano. Casou-se com Mary Biddle Elliott em 1895. Dificuldades financeiras obrigaram a família a regressar a Inglaterra em 1898. Depois de um breve período em Londres, voltaram para a Califórnia. Ponting abriu um estúdio de fotografia em 1900. No mesmo ano ganhou um concurso organizado pela Bausch e Lomb. Creio tratar-se Bausch & Lomb, a primeira empresa óptica norte americana, fundada em 1850 por dois amigos, J.J. Bausch e H. Lomb. Em 1853, quando John Jacob Bausch, um imigrante alemão, abriu uma pequena óptica em Rochester, Nova York, necessitou de mais dinheiro para manter o crescimento do negócio e pediu emprestados 60 dólares ao seu amigo Henry Lomb, a quem prometeu tornar sócio se o negócio desse certo, e como deu. Em 1920, a Força Aérea dos Estados Unidos fez uma encomenda: - Produzir uma protecção ocular para os seus pilotos de caça, que enfrentavam sérios problemas de visibilidade. Depois de dez anos de pesquisa, apresentaram óculos com lentes verdes, que reflectiam os raios solares. Somente em 1936 a novidade foi baptizada de Ray-Ban e começou a ser vendida ao grande público. Não resisti a contar a história. Ponting também fez fotografia de vistas estereoscópicas para diversas empresas. Entre 1900 e 1910 viajou pelo mundo, Japão, Coreia, Manchúria, China, Índia, Suíça, França, Espanha, Rússia, França, Birmânia e Portugal. Durante estes anos, ele se tornou amigo de um outro fotógrafo, E. O. Hoppé.
Emil Otto Hoppé (1878-1972), também esteve em Portugal, assim como anos mais tarde e também na Madeira o fotógrafo Coburn.
O fotógrafo Alvin Langdon Coburn, nasceu nos EUA, em 1882. Com oito anos recebe dos seus tios a primeira câmara fotográfica e é o fotógrafo F. Holland Day que o convence a dedicar-se à fotografia. Acaba por abrir um estúdio em Nova Iorque. Em 1904, Coburn realiza um conjunto de retratos dos principais artistas e autores literários britânicos para o Metropolitan Magazine projecto que vai consagrá-lo como um dos grandes retratistas da época. Anos mais tarde, em 1917, realiza uma sucessão de imagens fotográficas com um espelho com efeitos caleidoscópicos à frente das lentes, repartindo assim o objecto fotografado num conjunto de planos não representacionais. Nasciam assim as primeiras fotografias puramente abstractas - "vortografias" -, como o próprio Coburn lhes chamaria. Por volta de 1930 oferece grande parte da sua colecção de fotografias ao Royal Photographic Society e destruiu 15.000 negativos em vidro. Em 1950 volta a fotografar, faz 300 fotografias numa visita à lha da Madeira, em Portugal.Morreu aos 84 anos no País de Gales em 1966 e deixou tudo à George Eastman House, em Rochester. Alvin Langdon Coburn, in Infopédia [Em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2007. [Consult. 2007-11-23].
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O Dr. Hass, como era mais conhecido, conta em seus livros as aventuras de mergulhar entre corais, tubarões e belos organismos marinhos, nos mais diversos mares do mundo. A série de livros que escreveu mostrando como era a vida submarina, ilustrada com várias fotos a preto e branco, fizeram grande sucesso na mesma época que Cousteau também explorava o assunto, assim, os relatos de Hans Hass são pródigos na descrição, uma vez que ele não possuía a estrutura que Cousteau tinha a seu dispor, nem as imagens em movimento que fizeram o sucesso de Cousteau.O livro "O Demonio do Mar Vermelho" é muito interessante para os mergulhadores de naufrágio, por causa do relato sobre os naufrágios ocorridos na Segunda Guerra e que apresentavam então pouca vida marinha em relação a naufrágios mais antigos.
Bernard Wolf é um fotógrafo freelancer. Em 1970 fotografou a caça à baleia e ao cachalote no atlântico ao largo do Arquipélago dos Açores. Deste trabalho editou um livro em 1972 “Daniel and the Whale Hunters; the Adventures of a Portuguese Boy in a Whaling Town in the Azores”. New York: Random House. Seria mais tarde reeditado em português Bernard Wolf [2002] , Daniel e os “caçadores” de baleias , Lajes do Pico , Câmara Municipal das Lajes do Pico.Fotografou as festas do Espírito Santo, na Ribeira de Maio. Trabalhou a cores e fotografou o Algarve, Lisboa e os Açores para a Secretaria Nacional do Turismo e para empresas como a TAP, transportadora aérea portuguesa. Nos anos oitenta voltou a fotografar Portugal.
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Em 1952 publicou o livro "The Quest of the Schooner Argus", sobre a pesca da frota portuguesa do bacalhau nos Bancos da Terra Nova, especialmente a bordo do lugre Argus. Este livro foi inicialmente publicado em português pela Livraria Clássica Editora com o título "A Campanha do Argus: Uma viagem aos Bancos da Terra Nova e à Groenlândia". Em 2005 a Editora Cavalo de Pau e o Museu Marítimo de Ílhavo reeditaram o livro com o título "A Campanha do Argus - Uma Viagem na Pesca do Bacalhau" [Veja a capa]. Sobre o mesmo tema Villiers escreveu para a revista National Geograhic Magazine, em Maio de 1952, o artigo "I Sailed With The Portuguese Brave Captains" e realizou o filme "The Bankers - The Voyage of the Schooner Argus", a partir das filmagens realizadas em 1950. .
Georges Dussaud
Agrelos, Serra do Barroso 1981- .
"Esta fotografia é de uma reportagem sobre as debulhadas. Era Verão fazia muito calor. Uma mulher que estava à janela convidou-nos a beber um copo de vinho. Disse-lhes que as ia fotografar e elas puseram-se nesta posição. São mãe e filha, e esta pôs o cão sobre os joelhos. Vi nele o filho que ela não teria. Foi algo perturbador: há uma evidência de pobreza, mas ao mesmo tempo uma dignidade impressionante." (Georges Dussaud). In "Ministério da Soltura"
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Uma amiga alemã costumava dizer – quando queria irritar-me, que os portugueses tinham duas particularidades, a primeira, era que, em geral lhes faltavam os molares sendo que por esse facto quando estavam de perfil conseguia ver-se o outro lado da rua sem qualquer dificuldade; a segunda, dizia ela, coleccionávamos tudo: latas de refrigerantes e cervejas, canetas e isqueiros, porta-chaves, chávenas, selos, caricas e rolhas, pacotes de açúcar e até havia, num filme do realizador César Monteiro, um personagem (que era interpretada pelo próprio César Monteiro), que coleccionava pêlos púbicos. Dizia ela, que isso só era possível porque não tínhamos sofrido as contingências de uma guerra onde várias cidades foram completamente destruídas, não ficando pedra sobre pedra, pelos alemães e pelos aliados ao defenderem-nos do tirano, durante a II Grande Guerra Mundial. Se no que se refere à nossa saúde dentária ela queria destacar o nosso atraso na higiene da boca em relação ao resto da Europa, não me foi difícil concordar com ela. Naquilo que se refere ao coleccionismo - pelos púbicos à parte -, ela queria apenas dizer que éramos mais materialistas, mais agarrados aos objectos e às suas histórias, diz ela, porque nunca tínhamos perdido nada, - eles sim teriam passado pelas agruras da guerra. Neste ponto a minha amiga estava enganada, a revolução dos “cravos”, a mesma que nos deu a liberdade, tinha despojado de tudo, até mesmo da sua própria terra e dos familiares que lá ficaram sepultados, centenas de milhares de portugueses das colónias que foram despejados na metrópole sem, literalmente, nada. Imaginem que a partir de amanhã teriam de abandonar as vossas casas, a vossa terra (Coimbra, Torres Novas, Alenquer, Monfortinho, Vidigueira, seja qual for o seu nome, seja lá onde isso fica) e nunca mais teriam oportunidade para aí regressarem. Imaginem a gravidade daquilo que não se fez, do que não fomos capazes de perceber nos corações daqueles que nos chegavam nas pontes aéreas, velhos que transportavam nos olhos cascatas de desespero, crianças que conviviam alegres com a mentira dos pais que lhes prometiam um regresso que nunca aconteceria – onde estavam os “olhares fotográficos”? - Um assunto que está por escrever de uma maneira séria, de uma maneira justa, devemos-lhes isso. - Talvez ainda seja demasiado cedo.Contudo, penso que a minha amiga estava enganada quanto a sermos um povo que nunca perdeu nada.
......II - Wolfgang Sievers, Henri Cartier-Bresson e Georges Dussaud
......III - Sebastião Salgado e os “Mensageiros da Liberdade”
......IV - Os olhares de Cândida Hoffer, Bert Teunissen e Marta Sicurella.




















































































