terça-feira, fevereiro 19, 2008


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Um dia destes o António...


Um dia destes o António enviou-me pelo correio um Almanaque Português de Fotografia de 1958, era o terceiro ano que se editava. Deparei com um aviso dos CTT na minha caixa do correio. O volume, segundo a missiva aviso, era de grande dimensão! Do que se trataria? Só o saberia na segunda-feira, pois que já passava das seis da tarde quando cheguei a casa. Deixei passar o sábado e o domingo tentando não pensar no assunto. Segunda-feira, em pulgas, arrumei o carro a alguma distância da loja dos CTT. Tirei a senha e, enquanto esperava, o empregado atendeu uma senhora que queria um livro do Miguel Sousa Tavares “O Rio das Flores”; logo a seguir, uma mãe comprava para o filho uma bola de futebol Portugal Tam.º1 e uma T-shirt Bem Me Quer – Senhora. Havia para venda a maior variedade de produtos, cheguei a duvidar que ali se vendessem selos ou enviassem cartas. Seria ali que tinha de levantar a encomenda postal! Quando finalmente chegou a minha vez, abri ali mesmo a surpresa do meu amigo. Um Almanaque de fotografia. O Almanaque tem algumas curiosidades e um artigo de um dos maiores fotógrafos portugueses. Em homenagem a Augusto Cabrita, aqui transcrevo “A Luz e o Ritmo na Fotografia”.


A Luz e o Ritmo na Fotografia
por Augusto Cabrita



Quando o fotógrafo por um impulso emotivo, não se contenta apenas em reproduzir mecanicamente a realidade e deseja interpretá-la com um cunho vincadamente pessoal, tem que atende fundamentalmente, aos elementos essenciais da composição fotográfica.
Trataremos, neste artigo sobre composição, de dois desses elementos básicos da arte de compor: a Luz e o Ritmo.
De facto sem luz não pode haver fotografia, e é da sábia escolha desse elemento que o fotógrafo dá plasticidade às imagens. Não basta, pois, - como é vulgar ouvir dizer-se – que uma fotografia “resultou” devido à acção única e exclusiva de um bom fotómetro!...
A célula foto-eléctrica, quanto muito, é um óptimo auxiliar de que o fotógrafo dispõe para “medir” a luz. Mas o que é essencial acima de tudo isto, é saber “interpretar” essa luz! Claro que, ao falar-mos de luz, temos que nos referir às sombras projectadas pelos corpos iluminados e é do equilíbrio entre as partes luminosas e as zonas escuras, que reside muitas vezes o êxito de uma fotografia. Às sombras e às respectivas gradações dentro do claro-escuro, está reservado um papel importantíssimo na composição fotográfica, de tal modo que um fotógrafo deve saber provocar essas sombras, quer usando a luz artificial ou escolhendo a hora ideal do dia para fotografar.
Falando do outro elemento essencial da composição fotográfica – o ritmo é definindo-o como sendo o equilíbrio de pontos de interesse que faz com que a vista realize o seu reconhecimento pela fotografia, sem a deixar “descansar” demasiadamente em quaisquer desses pontos, diremos que do intimo acordo entre estas duas condições – luz e ritmo – resultará o carácter e o ambiente da composição.
Tal como há pouco afirmámos, quando nos referimos ao papel que o fotómetro exerce no espírito de certas pessoas, como único responsável no êxito de uma fotografia, diz-se, por vezes, que certa e determinada fotografia tem vida, apenas porque houve “muita sorte”, da parte do fotografo em apanhar uma série de pessoas em atitudes de franca actividade!
De certo que o factor sorte e a espontaneidade de movimentos, ajudam muito o “caçador de imagens”, mas a grande dificuldade reside, sem dúvida, em saber interpretar esse momento.
E quantas fotografias não há que apesar de serem arrancadas à vida real, não nos infundem uma sensação de vitalidade e de movimento? Por vezes um objecto estático ou uma simples linha sabiamente fotografados podem emprestar-nos uma sensação forte de movimento e um automóvel em desenfreada correria não nos provocar qualquer noção de velocidade.
Tudo depende, pois do arranjo rítmico da imagem! E como tudo na vida é ritmo, se uma fotografia não for organizada de modo a que todos os elementos de que o fotógrafo dispõe sigam esse “caminho fácil” que a vista depois percorrerá, ao ser levada por uma sucessão ordenada de linhas, a fotografia resultará fria, estática – sem vida!
Não é difícil, quando contemplamos uma boa fotografia, descobrirmos a razão porque ela nos infunde essa agradável sensação de vitalidade. Verificamos que essa fonte de energia tem origem na maneira como o fotógrafo concebeu ritmicamente a sua obra, transmitindo-nos a impressão viva de quanto viu e sentiu.
Uma vez traçado esse caminho fácil de percorrer com a vista, verificar-se-á que, através dele não se poderá construir um ARABESCO rítmico, por meio de linhas reais ou fictícias. A linha tem, por si mesma, uma grande potência de direcção e emotividade. A vertical, por exemplo, dá-nos uma impressão de grandeza; à horizontais associa-se imediatamente a ideia de repouso e tranquilidade; a diagonal é essencialmente uma linha de movimento, sugerindo acção , agitação e inquietude, enquanto que a curva nos dá uma doce sensação de graciosidade.
É, pois, através das qualidades emotivas das linhas, que podem ser sugeridas as mais diversas sensações de ambientes e estados de alma.




Análise do ritmo

Para ilustrar o que dissemos acerca do papel que o Ritmo desempenha na fotografia escolhemos três fotografias de autores portugueses, com o fim de, ante a sua representação esquemática, analisarmos a maneira como o fotógrafo realizou a estrutura da sua obra e, ao mesmo tempo, demonstrar que o “clima” criado se deve essencialmente à interpretação que o autor deu ao motivo escolhido (onde a natureza não foi mais que um simples pretexto) dispondo de uma maneira organizada os elementos constituintes da composição. Dissemos também que a linha possuía por si mesma uma grande potência de direcção e emotividade, e que era através das suas qualidades emotivas que poderiam ser sugeridas as mais diversas sensações de ambiente.
Pois bem: A sensação que nos sugere a primeira dessas fotografias que escolhemos para analisar – intitulada “Vento” – é de facto, como pretendeu o autor, o distinto amador Eng. Chagas dos Santos, a de “um dia de vento”!
É certo que um fotógrafo inexperiente, sem quaisquer conhecimentos das mais elementares regras de composição, também poderia ter fotografado este assunto. Todavia, uma vez apresentada a fotografia, verificaríamos que o ambiente criado havia sido mais um assunto de roupa estendida, confusamente disposta, e nunca o de “O dia do vento”!
Para se obter este efeito houve que se escolher o ângulo ideal para a tomada de vista, de modo a que as linhas rítmicas produzissem todo o seu efeito emotivo. Esta fotografia é um exemplo frisante de RITMO ANGULAR, conforme se pode verificar através das linhas tracejadas na sua representação esquemática. O RITMO ANGULAR determina um movimento forte, com direcção muito definida. De facto, ao olharmos para esta prova, sentimos uma sensação forte de movimento da direita para a esquerda - como que um impulso produzido por uma violenta rajada de vento.
É de notar também que todos os “pontos de interesse” desta fotografia, dispostos nesse “caminho fácil” de se percorrer com a vista (referimo-nos à diagonal dominante desta prova) “ajudam”, pelos seus ritmos angulares, a que se obtenha a sensação desejada.

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Repare-se que até a simples árvore, colocada na parte inferior da fotografia, imprime, pela agudeza do ângulo formado pela sua posição inclinada um movimento dinâmico e agitado.
Na realidade, quanto mais agudo for o ângulo mais o movimento se torna violento e incisivo, ao contrário dos ângulos abertos que nos dão a sensação dum movimento lento.
A segunda fotografia que apresentamos para exemplificar outro arranjo rítmico – RITMO EM ESPIRAL – é a prova “Homem do mar”, do autor deste artigo. Se olharmos para a representação esquemática desta fotografia, o desenvolvimento linear do seu arabesco, toma a forma de uma espiral.
De facto, a vista “entra” naturalmente pelo ombro – cuja a posição dá estabilidade à composição – seguindo depois o “seu caminho” num movimento em espiral em redor da cabeça do pescador, para se deter finalmente na borla do barrete – que marca, por assim dizer, o términos “dessa viagem”.
Por último escolhemos para fazer a análise rítmica a magnifica prova – “Dinamismo” do consagrado amador de Coimbra, David de Almeida Carvalho.
Esta fotografia, devido ao seu desenvolvimento linear, é um sugestivo exemplo de um outro arranjo rítmico, ou seja: RITMO EM HÉLICE.

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O rítmico em forma de hélice dá-nos, pelas qualidades emotivas das suas linhas., uma sensação de força, excitação e movimento. De facto, se olharmos detidamente para a fotogravura da prova “Dinamismo” e em seguida para a sua representação esquemática (na qual construímos, em linhas tracejadas, o respectivo arabesco rítmico) verificamos que a nossa vista entra, naturalmente, pela parte inferior esquerda da fotografia, sendo depois levada a percorrer “aquele caminho fácil”, num impulso ascensional, com um breve momento de repouso no primeiro ponto de interesse que encontra: o elemento humano, colocado no “ponto forte” da composição. Este elemento – uma banhista que sobe uma escada - “força” o sentido rítmico da imagem, ajudando a vista a percorrer o resto do “seu caminho”.
O segundo ponto de paragem, dá-se precisamente quando os degraus do primeiro lanço de escada acabam de traçar a primeira curva. Aí, a vista já não se detém tanto tempo quando da “contemplação da figura humana”, pois num breve instante, toma como que alento, para se lançar vertiginosamente NUM MOMENTO HELICOIDAL para os outros degraus da escada, a qual, sempre uniformemente iluminada, contribui para que a vista não se distraia e continue o seu caminho, até novamente se enrolar (agora num movimento mais lento) libertando-se, por fim, ao sair pela parte superior esquerda da fotografia.

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Como vimos, o arabesco rítmico que serve de estrutura a esta prova é uma autêntica hélice, que nos sugere, pelo seu desenvolvimento, uma sensação de potência, excitação e movimento. Está pois absolutamente certo o título que o autor deu a esta prova denominando-a “Dinamismo”. O motivo escolhido – uma escada de cimento armado! – é aos olhos de um leigo em composição fotográfica, um assunto banal, sem expressão, sem movimento – Sem vida. Todavia, a escolha feliz do ângulo e a sua excelente iluminação fizeram deste assunto, aparentemente frio e estático, uma bela fotografia, plena de vitalidade e movimento. A beleza existe, de facto, em toda a parte – a dificuldade é saber encontrá-la!


Augusto Cabrita, Almanaque Português de Fotografia, 1958
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segunda-feira, fevereiro 18, 2008

Pour mes amis, mes amours et mes emmerdes
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© Fotografias Charles Aznavour


Dia 23 de Fevereiro Aznavour actua mais uma vez em Portugal. Sendo um dos meus cantores franceses preferidos este seria já motivo para o lembrar mas, de facto, são outras as sensibilidades que me fazem trazê-lo aqui. Quando o intérprete da canção francesa se exprime em 24x36 ou em ektas diz-nos que a fotografia é uma arte de consolar, de amar e de exaltar.
No livro “Images de ma vie” Aznavour mostra ao público os seus álbuns de fotografias. Essas fotografias são aquelas que o cantor fez dos momentos em família, dos amigos e dele mesmo mas, são também aquelas que Aznavour fez dos outros pelo mundo onde andou.
As fotos falam de um Aznavour que não é apenas a voz. Ninguém é apenas aquilo que os outros pretendem!
Em 2007 Aznavour falou sobre fotografia no “Salon de la Photo”. Escutem o que ele diz sobre a fotografia no Photographie.com carregando sobre o link.
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Ângela Camila Castelo-Branco

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Non, Je N'ai Rien Oublié - Charles Aznavour

domingo, fevereiro 17, 2008

Milagres do tempo presente

Dedico este artigo a Gérard Castello Lopes

As duas fotografias que hoje me servem de tema ganharam prémios do World Press Photo 2007. À esquerda, na foto do búlgaro Ivaylo Velev, o esquiador Philippe Meier é perseguido por uma avalanche em Flaine, França, em 15.03.2007. Velev ficou em primeiro na categoria de acção desportiva. À direita, a foto de Miguel Barreira, do Record, ficou em terceiro nessa categoria; mostra o surfista Jaime Jesus no campeonato português em 16.12.2007 alçando-se habilmente duma onda violenta na Nazaré (ver todas as imagens no blogue do PÚBLICO http://blogs.publico.pt/artephotographica/).


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Essas são as circunstâncias das duas fotografias; elas são aqui irrelevantes. Certamente não o foram nem para os desportistas, que correram perigo, nem para os fotógrafos que as viveram do lado de lá da câmara. Mas nenhuma delas foi pr emiada pelas acções desportivas dos seus protagonistas. A única circunstância importante dos dois momentos decisivos nas imagens é conhecermos o seu devir: os desportistas não sofreram com gravidade em consequência dos actos da natureza que vemos. Venceram as ameaças gigantescas que nos são dadas ver.
O que interessa nas fotografias, é, assim, e apenas, as próprias fotografias. Elas sobreviveram em primeiro lugar pela beleza. Aplicando o que o antropólogo Julio Caro Baroja escreveu em contexto só aparentemente afastado, ‘as formas de ritual que têm um valor estético resistem ao tempo’. É o caso.
Ambas as fotos confirmam e contrariam a essência da fotografia em simultâneo: capturam um momento fixo, único; mas dão-nos também, na rigidez desse momento, a história do antes e principalmente do depois. Não são só a acção em imagem, são a imagem em acção. Tal como a foto do homem que salta de uma das Torres Gémeas, estamos perante duas imagens provocadoras da imaginação, construtoras de narrativas.
Há mais semelhanças entre elas. Cada uma mostra um único homem, não identificável. A identidade é tornada irrelevante pela distância e pelas circunstâncias que cada um vive. No caso do esquiador, a cara está tapada pelo equipamento de protecção. No caso do surfista, a distância impede que lhe reconheçamos as feições. Aqui entra uma primeira dimensão cultural das duas fotos -- simbólica ou representacional, se se quiser: estes dois homens poderiam ser qualquer um, qualquer outro. Eles são eles e ao mesmo tempo todos os homens. Apesar de a circunstância revelar a sua valentia, não estão aqui como heróis, pois mais parece que os rodeia uma força exterior a eles.
Assemelham-se também as duas imagens por mostrarem os protagonistas rodeados pelo elemento água: gelada no primeiro caso, líquida no segundo, a água ocupa tudo o que há. E a água está nos dois casos em revolta, em avalancha sobre o esquiador, em onda gigantesca envolvendo o surfista.
Os desportistas estão em perigo. A água representa aqui em primeiro lugar a morte e não surge aparentemente como a fonte de toda a vida. É uma massa indiferenciada que ameaça submergir os homens. É uma representação simbólica da dissolução, do dilúvio que revela a fragilidade do homem: ‘Salvai-me, ó Deus, porque as águas quase me submergem. Estou a afundar-me num lamaçal profundo, não tenho ponto de apoio; entrei no abismo de águas sem fundo e a corrente está a arrastar-me’ (Salmos, 69, 1-2).


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As duas imagens parecem distinguir-se quanto à capacidade de o homem se afirmar perante o elemento em fúria. Vemos o esquiador mais próximo de ser esmagado do que o surfista, porque o primeiro está na metade inferior da fotografia e o segundo na metade superior. A ameaça ao esquiador é, porém, organizada com linhas rectas do gelo a cair em grossas cordas. A ameaça não passa da metade superior. Há, a meio da imagem, uma zona neutra e o esquiador fica a salvo não só por causa dessa distância como devido à sua posição: a forma triangular que assume com os esquis e o bastão resguarda-o. E, pelo movimento de fuga, em menos de um ápice o esquiador estará fora da fotografia, e esse devir é mostrado na imagem fixa. O gelo que cai, a zona neutra e o corpo do homem em movimento seguem todos na mesma direcção, o canto inferior direito seguindo a diagonal que parte do canto superior esquerdo.
No caso do surfista, quase não há linhas rectas. A onda do mar é um remoinho, um vórtice que suga em direcção ao centro exacto da fotografia. É aí que está o fundo, o abismo, o ponto mais negro do mar na imagem. Acontece, porém, que a imagem nos dá uma sensação de que o homem não corre perigo. O corpo do homem, num magnífico movimento, acompanha a direcção da onda, mas ele está suspenso, acima da onda, acima do centro do abismo. O seu movimento ascensional diz-nos que ele salvar-se-á. Tal como o gelo, estas não são águas de dilúvio, mas afinal de renovação da vida. Nós sabêmo-lo porque há uma harmonia geométrica perfeita, e a perfeição é divina. O surfista está colocado exactamente acima do cruzamento das diagonais da fotografia. Ele está na metade superior da fotografia porque voa, foge da água em direcção ao céu enquanto o esquiador tinha de estar na metade inferior da fotografia porque foge da água que cai do céu, foge em direcção à terra. Atenção: o surfista está protegido pelo céu, mas também o esquiador, porque ambos estão no ar, não tocam no elemento em fúria, eles andam sobre as águas: poder divino, poder do homem forte e hábil que o desportista representa? Será como o leitor quiser receber estas imagens: mas em qualquer caso, não temerá por eles.
Estando no Centro simbólico das imagens, os seus protagonistas não só representam a Ordem como a vitória sobre o Caos que os ameaça. Nas fotos, para mais, o Caos aparece organizado. Ambos os homens sugerem triângulos, símbolos de divindade, harmonia e proporção. E a fúria da Natureza é geometrica. As duas fotografias transmitem esteticamente essa dupla visão do Caos e da Ordem.
É assim. As imagens dão-nos realidades, mas realidades aparentes. Elas só ganham sentido com a carga simbólica, sagrada ou profana, que transportam elas e que transportamos nós. São os símbolos que tornam estas imagens não só universais como transparentes, que nos permitem ver a transcendência, o mundo e o homem. Podemos camuflar os mitos e os símbolos, mas são eles que nos salvam. Merecem prémios.
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Eduardo Cintra Torres in "Olho Vivo", Público 16 de Fevereiro de 2008

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sábado, fevereiro 16, 2008

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Pedro Letria
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São Trindade

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"O Mundo é belo" de Pedro Letria
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de São Trindade "Sobreviver a uma cidade de futebol"
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21 de Fevereiro de 2008. às 18:30
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Rua da Palma, 246 Lisboa
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Telf.21 886 23 32
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Os Livros de Daniel Blaufuks
28 de Fevereiro de 2008 a 28 de Março de 2008

Conversa entre Nuno Crespo e o Autor
Quinta-Feira 28 de Fevereiro de 2008, às 17 horas
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Um mundo igual a este, mas um bocadinho diferente.

"A fotografia é um espaço. A fotografia é uma memória. Fotografia é um texto. A fotografia é um postal. A memória é uma imagem. Um livro de fotografias bem desenhado pode criar um novo tipo de original."

Estas afirmações de Daniel Blaufuks partem da consciência de que a imagem fotográfica é constituida de inúmeras camadas de sentido em que a relação entre memória e realidade conhece novas dimensões.

Trata-se de, primeiro, distinguir entre a imagem-facto e imagem-fotografia, esta é um objecto com uma escala e narrativa próprias, a outra diz respeito aos diferentes modos de como o real se inscreve nos corpos, na inteligência, na sensibilidade.

As categorias de interpretação da fotografia estão presas não só à pratica que cada indivíduo, artista e fotógrafo a cada momento definem, mas do modo como essas imagens participam da vida colectiva da comunidade em que se inserem. É neste contexto que o livro de fotografia (também podemos designá-lo como álbum, atlas, colecção e, até certo ponto, arquivo) é uma outra existência da imagem-fotografia. É esta existência que os livros de Blaufuks dão conta...

Nuno Crespo

Arquivo Municipal de Lisboa /Biblioteca do Arquivo Fotográfico

Rua da Palma, 246 Lisboa

Telf.21 886 23 32

arqmun.fotografico@cm-lisboa.pt

O "Sítio" do Daniel Blaufuks


© Daniel Blaufuks. I Spy, da série Collected Short Stories, 2003
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sexta-feira, fevereiro 08, 2008


FOTÓGRAFOS DA CASA REAL


Palácio Nacional da Ajuda

17 de Fevereiro de 2008 às 15:00 horas

No Palácio Nacional da Ajuda uma visita guiada cujo tema é “Fotógrafos da Casa Real”, a qual será orientada pela conservadora da colecção de fotografia do palácio, a Dr.ª Mª do Carmo Rebello de Andrade. A visita está sujeita a marcação prévia e tem o limite de 30 pessoas.

Informações:

Palácio Nacional da Ajuda / Museu Calçada da Ajuda 1349-021 Lisboa

Tel 213637095

Fax 213648283

www.ipmuseus.pt/

www.ippar.pt/monumentos/palacio_ajuda.html

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quarta-feira, fevereiro 06, 2008

HOTEL CHELSEA, NY
"Um lugar mágico"




Capa do Le Monde 2. “Hotel Chelsea, New York”, Fotografia de Rita Barros


O assunto “Une legende que s’éteint” faz a capa do "Le Monde 2" de 1 de Fevereiro de 2008, com uma fotografia de Rita Barros. No interior algumas fotografias ilustram a reportagem sobre a agonia do mítico hotel nova-iorquino. A fotógrafa portuguesa vive em New York desde 1980, foi para lá estudar, a cidade trocou-lhe as voltas “Rapidamente arranjei amigos, também saía muito, NY era super divertido, mas assim daquelas coisas que a gente não tem tempo para ir às aulas, e pronto, rapidamente gostei muito, e festas, era uma altura em que havia muito dinheiro e em que, de facto, viver era fácil. Trabalhar era uma coisa, género ganhar rapidamente assim o que houvesse a ganhar e continuar.” (som), In ©2001 Walk Don't Walk, de Laurent Simões. Rita vive no último andar do Chelsea Hotel no mesmo quarto onde esteve o inventor dos satélites, Arthur C. Clarke que escreveu "2001: Odisseia no Espaço" enquanto aí esteve hospedado. Rita Barros já editou um livro de fotografias “Chelsea Hotel fifteen years” em 1999. E não me surpreenderia se editar um segundo com muitas fotografias e histórias deste hotel mítico, verdadeiro ícone da cultura nova-iorquina.

Velho de 125 anos o Chelsea aguenta. Tem resistido desde 1883 altura em que foi construído no bairro de Chelsea, em Manhattan, Nova Iorque. Situa-se no 222 de West Street 23º, entre as Sétima e Oitava Avenidas. Foi o primeiro condomínio “cooperativa de habitação” de Nova Iorque. De rendas baixas e residentes modestos, trabalhadores imigrantes italianos, irlandeses, polacos, alguns judeus que viviam do comércio e de outras actividades portuárias nas docas de Hudson ali mesmo ao lado. Em 1905 a cooperativa foi vendida e passou a ser um Hotel. Foi só em 1939 que o pai de Stanley Bard, um imigrante húngaro que tinha feito fortuna, adquiriu o hotel em sociedade com alguns amigos. Em 1957 o pai de Stanley Bard nomeia-o delegado do Chelsea Hotel. Hoje o hotel recebe hóspedes, mas é mais conhecido pelos seus residentes de longa duração, do passado e do presente. Em 1968 Stanley Bard hospedou um jovem checo que não gostava dos tanques soviéticos a passearem pelas ruas de Praga e por isso resolveu fugir para o outro lado do atlântico. Acabado de chegar a New York, sem dinheiro, ficou combinado que só pagaria a estadia no Chelsea quando se concretizasse a pretensão que trazia de realizar um filme. Bard perguntou-lhe como se chamava. Ao que este lhe respondeu: "... no passaporte está escrito Jan Thomas Forman mas, todos me tratam por Milos". O jovem cineasta, então com 36 anos, só veio a pagar a renda 2 anos depois com o êxito de Taking Off (1971), uma sátira hilariante. Ficaria no Chelsea por mais três anos, a trabalhar no argumento do “One Flew Over the Cuckoo's Nest” (em português: Voando sobre um Ninho de Cucos), que estreou em 1975. Um filme que é uma adaptação de um romance de Ken Kesey, que foi produzido pelo actor Michael Douglas e que marcaria a carreira de Milos Forman. Ainda hoje, quando visita Nova Iorque, Milos fica hospedado no Chelsea Hotel.




"Como se fuma um charro"




Não resisto - até pelo fundamentalismo anti tabagista que nos rodeia, em deixar aqui um excerto de 'Taking Off' de Milos Forman (1971), How to smoke a joint – (Como se fuma um charro). Milos Forman deve rir-se do facto de hoje em dia, haver um 'Não Fumar' no átrio do hotel.


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São muitas as estórias e não menos os nomes de gente célebre que encontrou no Chelsea um abrigo, um lugar privilegiado de inspiração e magia. Paul Morrissey e Andy Warhol dirigem “Chelsea Girls (1966). O filme foi o primeiro grande sucesso cinematográfico de Warhol. Tendo como cenário o Hotel Chelsea e outros locais de New York, documenta a vida das jovens que aí vivem. O nome é uma óbvia referência ao local onde decorreram as filmagens. Filmado no Verão e início do Outono 1966, em várias salas e locais no interior do Hotel Chelsea, mas vale a pena esclarecer que, de todos aqueles que entravam no filme, só o poeta René Ricard realmente vivia ali na altura. Também se filmou na The Factory, Warhol's studio.
A cantora de música popular, modelo e actriz alemã Christa Päffgen (1938–1988) foi discípula de Warhol, mais conhecida pelo seu pseudónimo Nico, e foi uma das "Warhol Superstar", em "Chelsea Girls".
O Hotel Chelsea é frequentemente associado ao "Warhol Superstars" e o filme "Chelsea Girls" (1966), um filme sobre a sua "Factory" e a vida das "Warhol Superstars": Edie Sedgwick, Viva, Larry Rivers, Ultra Violet, Mary Woronov, Holly Woodlawn, Andrea Feldman, Nico, Paul América, e Brigid Berlinno como residentes do Hotel Chelsea.




Nico canta Chelsea Girls in the Chelsea Hotel




No Hotel Chelsea passaram ou permaneceram por longos períodos, escritores e pensadores como: Mark Twain, O. Henry, Herbert Huncke, Dylan Thomas, Arthur C. Clarke, William S. Burroughs, Gregory Corso, Leonard Cohen, Arthur Miller, Quentin Crisp, Gore Vidal, Tennessee Williams, Allen Ginsberg, Jack Kerouac (que aí escreveu On the Road ), Robert Hunter, Jack Gantos, Brendan Behan, Simone de Beauvoir, Robert Oppenheimer, Jean-Paul Sartre, Bill Landis, Michelle Clifford, Thomas Wolfe, Charles Bukowski, Matthew Richardson , Peggy Biderman, Raymond Foye, e René Ricard. Charles R. Jackson, autor de The Lost Weekend, cometeu suicídio nos seus aposentos, no Chelsea a 21 de Setembro de 1968. Por lá passaram também actores e realizadores como: Stanley Kubrick, Shirley Clarke, Cyndi Coyne, Mitch Hedberg, Miloš Forman, Lillie Langtry, Ethan Hawke, Dennis Hopper, Eddie Izzard, Kevin O'Connor, Uma Thurman, Elliot Gould, Jane Fonda, e Gaby Hoffmann e sua mãe, a estrela "Warhol Superstar" Viva e Edie Sedgwick. Ali moraram, mais ou menos tempo, músicos como: The Libertines, Tom Aguarda, Patti Smith, Virgil Thomson, Dee Dee Ramone do grupo "The Ramones", Henri Chopin, John Cale, Édith Piaf, Joni Mitchell, Marty Connolly, Bob Dylan, Janis Joplin, Jimi Hendrix, Sid Vicious, Richard Hell, Ryan Adams, Jobriath, Rufus Wainwright, Abdullah Ibrahim / Sathima Bea Benjamin, Leonard Cohen e Anthony Kiedis.


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Patti Smith e Robert Mapplethorpe no Hotel Chelsea


O Chelsea foi ainda um lugar mágico para artistas plásticos que ali pernoitaram ou se deixaram ficar em estadias mais ou menos longas, ali viveram, ali se abrigaram e ao Hotel deixaram algumas das suas obras: Larry Rivers, Brett Whiteley, Christo, Arman, Richard Bernstein, Francesco Clemente, Philip Taaffe, Michele Zalopany, Ralph Gibson, Robert Mapplethorpe, Frida Kahlo, Diego Rivera, Robert Crumb, Jasper Johns, Claes Oldenburg, Vali Myers, Donald Baechler, Herbert Gentry, Willem De Kooning, John Dahlberg e Henri Cartier-Bresson. O pintor e etnomusicologista Harry Smith viveu e morreu no quarto 328. O pintor Alphaeus Cole viveu no Chelsea os últimos 35 anos da sua vida, onde acabou por morrer em 1988, com 112 anos. Charles James: couturiers do século XX, influenciaram a moda nos anos de 1940 e 50 - Em 1964 mudaram-se para o Chelsea Hotel, onde criaram um pequeno estúdio, mas que atraiu poucos clientes. James morreu de pneumonia no Chelsea Hotel, em 1978.




Um "concerto" ao Chelsea Hotel
“Sarah” Bob Dylan in Chelsea Hotel
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"Sara" by Bob Dylan, which refers to "Staying up for days in the Chelsea Hotel, writing Sad Eyed Lady of the Lowlands for you".


LEONARD COHEN'S CHELSEA HOTEL AT MIDNIGHT
Chelsea Hotel/Leonard Cohen/Rufus Wainwright








David Van Tieghem - Live at the Chelsea Hotel






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New York Skyline. Fotografia de Rita Barros

Ângela Camila Castelo-Branco, APPh.

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sexta-feira, fevereiro 01, 2008


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Dos Anos do Inquérito à Arquitectura Regional Portuguesa
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Na sequência de uma iniciativa da Faculdade de Arquitectura da Universidade do Porto (FAUP) e do jornal “O Primeiro de Janeiro”, e tendo por base uma selecção de fotografias (70), a exposição "Dos Anos do Inquérito à Arquitectura Regional Portuguesa" pretende dar a conhecer uma determinada realidade arquitectónica, antropológica e etnográfica de Portugal. As fotografias têm origem no arquivo profissional do arquitecto António Menéres, enquanto membro da Zona 1 da equipa do inquérito produzido pelo Sindicato Nacional dos Arquitectos no final dos anos 50 e tornado público no ano de 1961. A exposição que agora se apresenta na Direcção-Geral de Arquivos (DGARQ) / Arquivo Nacional da Torre do Tombo (ANTT), mostra o percurso fotográfico resultante da acção do arquitecto. O resultado deste trabalho é uma exposição itinerante, que já esteve exposta na FAUP e no Arquivo Distrital de Braga/Unidade Cultural da Universidade do Minho e que agora se apresenta em Lisboa, acompanhada de um Livro/ Catálogo (disponível para aquisição na Loja da DGARQ/ANTT) que fixa e amplia a dimensão do material expositivo.
A exposição está patente ao público, na sala de exposições do ANTT (Alameda da Universidade, 1649-010 Lisboa), de 11 de Janeiro a 22 de Fevereiro de 2008, nos dias úteis das 10h às 19h e aos Sábados das 10h às 12h.
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quinta-feira, janeiro 31, 2008



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L'ancêtre du porte cartes mémoire. (Tony Cenicola/The New York Times)


Robert Capa e "La valise mexicaine"


Desaparecida desde 1939, “la valise mexicaine” de Robert Capa que na verdade não é uma, mas três malas de negativos, acabam de ser devolvidas por um cineasta mexicano, Benjamin N. Traver. O fotógrafo tinha confiado estas três malas ao seu assistente Imre (Csiki) Weisz antes de fugir para os Estados Unidos da América. Agora que foram encontradas, elas trazem consigo algumas questões. Julgava-se que Weisz as tinha dado a um Cônsul mexicano em Marselha, antes de ter sido preso e de ter sido enviado para um campo na Argélia. Por isso, e se foi realmente assim, como se explica que depois da sua libertação, ele não tenha procurado os negativos (na altura nas mãos do General Aguilar Gonzalez que os tinha levado com ele para o México) ?
Imre Weisz entrevistado pelo biografo de Robert Capa, Richard Whelan, em 1985, nunca deu indícios que permitissem localizar os negativos...Ele hoje está morto, mas foi precisamente no México que acabou os seus dias (casou com a pintora surrealista Leonora Carrington).
Depois da reaparição surpresa dos negativos na Internacional Center of Photography (ICP) em Nova Iorque, “une onde de choc parcours la planète photographique”. A descoberta destes filmes, que pertenciam tanto a Capa como a Gerda Taro e David ‘Chim’ Seymour, reabrem a discussão. O original da célebre foto do soldado espanhol, atribuída a Capa e publicada a 23 de Setembro de 1936 na revista VU, estará ele no meio dos 3 500 negativos perdidos à 69 anos? Poderemos esclarecer, enfim, a autenticidade do “cliché”? Por exemplo, em Lés Photos Icons (Ed. Taschen, 2002) Hans-Michael Koetzle interroga-se: “Como é que um homem que está a descer uma ladeira e é alvejado, pode cair para trás?”
A fotografia será encenada? O homem terá sido realmente baleado? E depois falta confirmar de quem é na verdade a imagem. Brian Wallis, o chefe dos conservadores do ICP, já disse que a emblemática fotografia pode ser de Taro e não de Capa... Uma coisa é certa, os direitos sobre os clichés de Gerda Taro na posse do ICP, serão assegurados pela Magnum, assim como os negativos de Capa e de Chim que forem encontrados nas malas.



Morte de um miliciano, Robert Capa, (?) Cerro Muriano, 1936 (25,5 x 35cm)


Texto original no blogue Photographie.com
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sexta-feira, janeiro 25, 2008



Paris en couleurs

Clique na imagem para ter acesso ao catálogo em PDF.

Dos irmãos Lumière a Martin Parr

Para comemorar o centenário da comercialização do autochrome, primeiro processo industrial de fotografia a cores inventado pelos irmãos Lumière, podemos ver até Março de 2008 no Hotel de Ville a exposição “Paris en couleur” 300 fotografias inéditas da capital francesa desde 1907 até hoje.
Estão nesta exposição cerca de sessenta negativos em placas de vidro autochrome de entre 1907 e 1930 dos Archives de la Planète. Em 1909 o banqueiro Albert Kahn (1860-1940), decidiu conceber o seu projecto para os Archives de la Planète, primeiro com imagens a preto e branco mas, a partir de 1912 e 1913 o operador Stéphane Paset vai realizar autochromes da República Popular da China. Entre 1909 e 1931, Albert Kahn financia reportagens fotográficas em mais de cinquenta países; 72 000 autochromes resultaram deste empreendimento, inventário fotográfico único e testemunho essencial dos primeiros anos do séc. XX.
A partir de 1913 são cerca de 6 mil placas de vidro que saem diariamente das fábricas Lumière. Em 1931 começam a vender-se os Filmcolor, material à base de celulóide. Dois anos depois substituído pelo Lumicolor, também em celulóide. O processo autochrome desaparece em 1956 cedendo à concorrência com processos de revelação cromogenea inversivel comercializados pela Kodak e pela Agfa desde 1935/36.

Numa segunda parte podemos ver fotografias de entre 1930 e 1960, o início dos filmes de fotografia a cores nos originais de Gisèle Freund, , fotógrafa alemã refugiada em França, foi uma das primeiras a especialisar-se nos retratos a cores. Fotografou artistas e escritores (Cocteau, Sartre, Youcenar, Beckett... ).
A 8 de Maio de 1939 a capa da revista americana Time mostra-nos um retrato em Kodachrome do escritor James Joyce na sua casa de Paris.
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Nos anos 20, Serge Prokoudine Gorsky, um dos pioneiros russos da fotografia a cores, fundador com os seus filhos Michel e Dimitri da sociedade Elka, torna-se conhecido quando desenvolve e melhora um processo de revelação a cores. São eles os responsáveis pelo Álbum Oficial da Exposição Internacional das Artes e Técnicas em Paris , 1937. As fotografias a cores no álbum oficial da Exposition Internationale des Arts et des Techniques” contrastam com o preto e branco de Guernica, o quadro de Picasso, que estava nesta mesma exposição internacional, denunciando o massacre com o mesmo nome, e o silêncio de uma Espanha ausente.
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Álbum oficial da “Exposition Internationale des Arts et des Techniques”, de 1937
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As imagens do quotidiano dos parisienses durante a ocupação e a libertação de Paris. “La pellicule en couleurs, quant à elle, est introuvable en France”. Setenta imagens inéditas de fotógrafos franceses e alemães, profissionais e amadores, podem ser vistas projectadas na exposição “Paris en Couleurs” As fotografias a cores de Paris durante a Segunda Guerra Mundial são muito raras. Quando da ocupação alemã um regulamento proibia a fotografia no exterior, salvo profissionais munidos de uma autorização especial com o acordo dos serviços de propaganda alemães.
Finalmente, dos finais dos anos sessenta até aos dias de hoje, nomes como Bruno Barbey ou Pierre et Gilles, Jean-Paul Goude, Sarah Moon, Martin Parr ou Philippe Ramette.
Uma parte da exposição é dedicada à moda e ao papel dos fotógrafos da Vogue como Henry Clarke, William Klein, Helmut Newton.







Exposição « Paris en couleurs » no Hôtel de Ville
Colocado por mairie de paris
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quinta-feira, janeiro 24, 2008

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A realidade "também" a cores
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A TRICROMIA

O francês Louis Ducos du Hauron (1837-1920), foi o inventor da fotografia a cores em 1868. Eescreveu “Lés Couleurs en Photographie”, em 1869. Foi também o inventor da tricromia, processo de fotografar e de impressão em policromia de fotografias. Hauron foi ainda, o inventor dos anaglifos, imagens que dão a impressão de relevo quando as olhamos através de óculos com uma lente vermelha e outra verde.


Agen, França em 1877. Fotografia de Louis Ducos du Hauron


Les Autochromes Lumière
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Os irmãos Auguste e Louis Lumière registaram logo em 17 de Dezembro de 1903 e apresentaram na Academia de Ciências a 30 de Maio de 1904 as placas autochrome Lumière. A partir de Junho de 1907 a invenção começa a ser comercializada e em 1913 são cerca de 6 mil placas de vidro que saem diariamente das fábricas Lumière. Em 1931 começam a vender-se os Filmcolor, material à base de celulóide. Dois anos depois foi substituído pelo Lumicolor.
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Photographies couleurs collections privées de la famille
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O AUTOCROME
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Este processo consistia em cobrir um vidro com oito a nove mil grãos de amido de batata por milímetro quadrado. Esses grãos coloridos de violeta, verde e laranja eram misturados numa proporção tal que a mistura apresentava uma cor neutra. Eram depois espalhados sobre uma chapa de vidro e submetidos a alta pressão de iodo para formarem uma camada muito fina, uniforme, transparente, com a espessura de um só grão. Pó de carvão era usado para tapar os poros e fixava-se sobre a placa com a ajuda de um betume, uma aplicação de carbono que permitia preencher as separações dos grãos.
Os grãos de amido eram depois cobertos com emulsão pancromática e expostos numa máquina fotográfica com a emulsão por detrás do vidro e dos grãos de amido. A luz atravessava primeiro o vidro, depois os grãos coloridos e finalmente registava na emulsão uma imagem a preto e branco contendo toda a informação cromática da cena fotografada. A chapa era revelada por um processo reversível. A imagem final resultava da sobreposição de um positivo transparente a preto e branco com o ecrã colorido. Tinha um aspecto granuloso, apresentando cores suaves. Os pequenos pontos coloridos não se apercebiam a olho nu e as três cores misturavam-se perfeitamente dando a aparência das cores reais. O processo apresentava excelente estabilidade. Duas revelações sucessivas transformavam a placa em positivo restituindo-lhe as cores reais da natureza. Depois aplicava-se um verniz destinado a aumentar a transparência das cores e a proteger a superfície sensibilizada das deteriorações, O resultado que se obtinha era o de uma placa positiva visível por transparência, da mesma forma de como seriam mais tarde vistos os diapositivos.

Em 1909 o banqueiro Albert Kahn (1860-1940), decidiu conceber o seu projecto para os Arquivos da Planète, primeiro com imagens a preto e branco mas, a partir de 1912 e 1913 o operador Stéphane Paset vai realizar autocromes na República Popular da China. Entre 1909 e 1931, Albert Kahn financia reportagens fotográficas em mais de cinquenta países; 72 000 autocromes resultaram deste empreendimento, inventário fotográfico único e testemunho essencial dos primeiros anos do séc. XX.


Technicolour dream: a married noblewoman, Ulan Bator, 1913

Outro processo que dava os primeiros passos era a revelação cromogénia inversivel, descoberta de R. E. Liesegang em 1895 e B. Homolka em 1907. O uso de acopladores de cor foi patenteado por Rudolph Fischer em 1912. Os corantes amarelo, cian e magenta, constituintes da imagem a cor, são formados durante a revelação cromogénia por reacção química do revelador oxidado com acopladores de cor existentes na emulsão ou no banho revelador. No processo de revelação cromogénia a primeira reacção dá-se entre os sais de prata e o revelador, formando-se prata metálica e revelador oxidado. A segunda reacção dá-se entre o revelador oxidado e os acopladores de cor formando-se corante. A prata é eliminada num banho posterior e a imagem final é constituída apenas por corantes. Os acopladores de cor não usados permanecem invisíveis na emulsão. Este método foi um grande desenvolvimento na cor da fotografia, e na qualidade da imagem, mas as cores produzidas eram inexactas, porque os acopladores não permaneciam nas camadas dos respectivos filmes.
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Serge Prokoudine Gorsky
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Tolstoy fotografado a cores por Prokudin-Gorsky


Nos anos 20, Serge Prokoudine Gorsky, um dos pioneiros russos da fotografia a cores, fundador com os seus filhos Michel e Dimitri da sociedade Elka, torna-se conhecido quando desenvolve e melhora um processo de revelação a cores.


Kodachrome e a evolução da fotografia a cores


Rolos Kodachrome de 1935 ....................................Fotografia Autochrome de 1907,

Curiosamente foram dois músicos profissionais que ficaram ligados ao maior sucesso de sempre da fotografia a cores a kodachrome, são eles os americanos Leopold Godowsky, Jr. e Leopold Mannes. A Kodachrome foi inventada por eles em 1930 e veio revolucionar todos os conceitos até então existentes sobre fotografia. Entrou nas nossas casas, nas revistas dos cabeleireiros, impôs-se na publicidade no cinema na moda, no fotojornalismo e por fim nas artes.




Quem da nossa geração, não teve o seu momento kodachrome? Tivemos todos os nossos momentos Kodachrome, aqui ficam alguns dos meus momentos coloridos nos anos sessenta e setenta.





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Kodachrome em 1974, o meu irmão Miguel e eu muito coloridos.



1969, eu a fazer-me à Kodachrome


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.Kodachrome de John F. Kennedy apenas 90 segundos antes de seu assassinato em 1963

Se pretenderem continuar a conhecer a cor na fotografia, não deixem de ler o Prof. Jorge Calado no Blogue da Associação Portuguesa de Photographia e no Sais de Prata e Pixels da Madalena Lello o que estes escreveram sobre o tema.


Mistérios da Cor
Será preciso recomeçar a fabricar os papéis e a preparar pigmentos

“O problema estava no excesso de informação. Se já era difícil procurar o instante decisivo em que a estrutura geométrica e significado coalesciam numa mensagem una e definida, era mesmo impossível esperar que as cores, aleatórias como a vida, harmonizassem com tudo o resto. À coca na esquina da rua, o fotografo não podia pedir à fulana que passava que mudasse ou tingisse o vestido, ou que o dono da loja alterasse a cor do letreiro, para tudo « ficar melhor no retrato». O pintor comanda a paleta; o fotógrafo governa-se com o que Deus lhe dá.”
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Jorge Calado in Actual, Expresso 9 de Abril de 2005, no Blogue da APPh.
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Joel Meyerowitz e a cor na fotografia
A 28 de Novembro de 2006 Madalena Lello, a propósito da cor na fotografia de Joel Meyerowitz, escrevia assim: “A utilização tardia da cor na fotografia continua um mistério por desvendar.A justificação de que os filmes a cores produziam cores instáveis não serve a partir da década de 1930. Em 1936, a Eastman Kodak Company comercializava o Kodachrome Color Film.”


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Ângela Camila Castelo-Branco, APPh.
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