“Terrain Vague”
na Madeira
......A “La huella de la mirada. Fotografia y Sociedad en Castilla-La Mancha, 1839-1936” é uma exposição que pode ser vista no Instituto Cervantes Lisboa , só até ao próximo dia 26 de Jan. 2007..
La huella de la mirada Fotografia y Sociedad en Castilla - La Mancha 1839-1936
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Agora em Lisboa
Museu Nacional de História Natural, Lisboa
Sala da Baleia - de 19 de Janeiro a 29 de Março de 2007
..........Já escrevi no Grand Monde da Imagem e da Fotografia em Portugal sobre a história da fotografia do séc. XIX no Zanzibar e Tânganica actual Tanzânia, cujos fotógrafos oriundos de Goa, na então Índia Portuguesa, tiveram um papel predominante. Escrevi também sobre os Nunes Carvalho os daguerreotipistas, o Salomão e o seu pai David Nunes Carvalho, que na América do Norte foram pioneiros, primeiro em Baltimore e depois no Far West, o lendário Oeste Selvagem e mais tarde em Filadélfia.
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Colecção - Biblioteca do Congresso, Washington
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...............A 22 de Agosto de 1853, o americano Salomão Nunes Carvalho (1815-1897), judeu sefardita de origem portuguesa, pintor e fotógrafo, com atelier inaugurado a 1 de Junho de 1849 em Baltimor, encontrou-se com o coronel John Charles Frémont (1813-1890), astrónomo, geógrafo e expedicionário de prestígio, que fora incumbido de organizar uma expedição que fizesse o levantamento orográfico para a execução do futuro traçado da primeira linha de caminho de ferro transcontinental que atravessaria o Kansas, as montanhas rochosas do Colorado, Utah até Los Angeles, entre o rio Mississipi e a Costa do Pacífico. Frémont procurava um desenhador e fotógrafo para acompanhá-lo na expedição. Salomão Nunes Carvalho aceitou de imediato o convite e assim juntou-se à expedição como desenhador e fotógrafo oficial. Teve apenas dez dias para preparar todo o material fotográfico necessário para esta viagem arrojada, que lhe apresentava problemas acrescidos pela necessidade de cumprir com as orações da religião que professava e com regras muito especificas quanto aos alimentos kosher, e ainda, as adversidades climatéricas de um Inverno impiedoso, que se imporia no cume das montanhas com temperaturas que chegariam a rondar os 30 graus negativos e que previa fizessem alterar todo o processo comum das aplicações correntes para a preparação, revelação e posterior conservação de todas as chapas de daguerreótipos.
...............As suspeitas de S. N. Carvalho quanto à morosidade do processo fotográfico naquelas circunstâncias climatéricas viriam a concretizar-se. O fotógrafo fez-se valer dos seus conhecimentos em química e estudos sobre a incidência da luz, dedicando-se diariamente à preparação de todo o material fotográfico e obrigando à paragem da expedição por um período de 12 horas em cada local, onde eram efectuadas as tomadas de vista, para que efectivamente se tivesse a certeza que as imagens haviam sido bem captadas e resistiriam às vicissitudes das intempéries. Isto contribuiu para uma sucessão de atrasos na expedição, o que veio a revelar-se desastroso pois para além de ter trazido um maior desgaste físico ao grupo fez com que este chegasse às Montanhas Rochosas do Colorado numa altura em que o clima era mais severo.
...............A Expedição viria a revelar-se um desastre. Salomão Nunes Carvalho, depois de ter suportado o frio e a neve, a fome e a doença, enfrentado índios e animais selvagens, ter quebrado as regras rígidas da alimentação da religião judia (Kashrut), numa aventura em que nem todos chegaram ao fim e que para muitos o preço foi a morte; em Utha, o fotógrafo sefradita viu-se obrigado a abandonar a expedição por motivos de saúde.
...............Salomão Nunes Carvalho regressa desta aventura com 300 daguerreótipos tornando-se o primeiro daguerreotipista a fotografar o Kansas. Segundo Robert Faft “...As mais antigas fotografias feitas no Kansas que eu tenha conhecimento e que sejam mencionadas são atribuídas a Salomão Nunes Carvalho – durante a expedição Frémont em 1853/54” in A Photographic Históry of Early Kansas. Antes da expedição ao Far Weste, Salomão Nunes de Carvalho trabalhou na Broadway em New York City para Mathew Brady (1823-1896) e também para o atelier fotográfico de Jeremiah Gurney (1812-1886), provavelmente, na mesma altura em que aí se encontrava o fotógrafo português Joaquim José Pacheco (Joaquim Insley Pacheco), ver Registo Daguerreian de Craig (Pesquisa sobre os fotógrafos americanos entre 1839-1860), John S. Craig actualização de 2003. Acrescento agora, ao que aqui tenho vindo a escrever, o comentário de Carlos Miguel Fernandes do blog No Mundo http://no-mundo.weblog.com.pt/, e ao qual aproveito para agradecer: "There was another young newcomer to Broadway's photography row within the next few months. Brady undoubtedly saw him, S.N. Carvalho, a brisk youn man with a short black beard, probably the first American to penetrate America's Wild West with a camera."in Mathew Brady - Historian with a Camera, Bonanza Books, New York, 1955.
...............Em 1856, Salomão Nunes Carvalho descreve as suas experiências durante a expedição, num livro intitulado “Incidents of Travel and Adventure in the Far West”, publicado por Derby e Jackson, Nova Iorque 1859. http://www.jewish-history.com/WildWest/Carvalho/index.html Nestes testemunhos, é mencionado que as primeiras vistas foram captadas perto de Westport a 17 ou 18 de Setembro de 1853.
...............Desta expedição que ficou para a história norte americana como um feito para a época, onde Salomão Nunes Carvalho viu reconhecida a sua habilidade e mestria profissional e John Charles Frémont alicerçou condições para se lançar na corrida ao Senado, não foi feito relatório escrito e a memória da expedição registada por S. N. Carvalho, assim como as cópias feitas pelo conhecido fotógrafo norte americano Mathew B. Brady, perdeu-se para sempre aquando de um incêndio em Nova Iorque em 1881, num armazém onde estavam guardados os daguerreótipos desta epopeia e grande parte das cópias de Brady. Ao que se sabe, de 300 daguerreótipos restaram apenas 3 que estão conservados e preservados pela Biblioteca do Congresso, em Washington. Conhece-se ainda 34 gravuras que haviam sido abertas a partir dos daguerreótipos feitos durante a expedição.
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Aldeia Cheyenne, daguerreótipo S. N. Carvalho


Robert Shlaer um daguerreotipista contemporâneo
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http://www.amazon.co.uk/exec/obidos/ASIN/0890133409
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CAMINHO-DE-FERRO DE MOÇÂMEDES
1909/1910

Fotografia G. Schoss © Colecção Ângela Camila Castelo-Branco e António Faria
© Colecção Ângela Camila Castelo-Branco e António Faria
Fotografia G. Schoss, barbeiro no Caniço
© Colecção Ângela Camila Castelo-Branco e António Faria
Fotografia G. Schoss, Humbia, nivelando o ponto mais alto
© Colecção Ângela Camila Castelo-Branco e António Faria
Fotografia G. Schoss, Locomotivas do C. F. M.
Augusto Silva Carvalho, 1952. Fotografia Bobone . BN
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O Grand Monde, presta hoje merecida homenagem a Augusto da Silva Carvalho, natural de Tavira onde nasceu em 1861. Formou-se em Medicina na Escola Médico-Cirúrgica de Lisboa. Trabalhou nos Serviços da Administração Hospitalar em Lisboa. Foi presidente da Sociedade de Ciências Médicas, professor de História da Medicina a convite da Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa e sócio efectivo da Academia das Ciências (1928), deixou extensa bibliografia, quer no domínio da clínica cirúrgica, epidemiologia e saúde pública, quer no da História da Medicina em Portugal. Morreu em Lisboa em 1957 com 96 anos.
Ocorreu-me, a quando da leitura de alguns trabalhos académicos, e de outros menos académicos, que a frequente citação da “Comemoração do Centenário da Fotografia – Subsídio para a História da Introdução da Fotografia em Portugal” de Augusto da Silva Carvalho, (Comunicação feita à Classe de Ciências, em 2 de Novembro de 1939), acontecia de uma forma mecânica que, se por um lado continua a levar pessoas à leitura do mesmo, por outro lado levará alguns a citar o trabalho sem sequer o ter lido. Quando em 1940 se comemorou o centenário da fotografia e para isso se convidou A. da Silva Carvalho o Presidente da Sociedade de Ciências Médicas, talvez não tenha sido por acaso. Na sua comunicação, feita à Classe de Ciências a 2 de Novembro de 1939 e editada a separata nas Memórias da Academia das Ciências de Lisboa, Classe Ciências Tomo III, Academia das Ciências de Lisboa 1941, escrevia a propósito das noticias que tinha encontrado sobre fotografia: “...Desta maneira poder-se-á talvez fazer juízo fundamentado da resistência ou dificuldade, que em Portugal se manifestou para a compreensão do valor de tal descoberta.”, a este trabalho de recolha e pesquisa Augusto da Silva Carvalho juntou estudos especiais sobre diversas aplicações da fotografia na ciência em Portugal elaborados pelas mais diversas personalidades da época: “As aplicações da Fotografia à Química e à Físico-química” Dr. Achilles Machado (Comunicado feito à Classe de Ciências, 11 de Janeiro de 1940); “Notas sobre a Fotografia na Anatomia” Dr. Henrique de Vilhena (Lido em sessão da Classe de Ciências, em 11 de Janeiro de 1940); “A Microfotografia”Dr. A. Celestino da Costa (Comunicado feito à Classe de Ciências , 11 de Janeiro de 1940); “Notas para a história da fotografia aérea e da sua aplicação à cartografia) Dr. Vítor Hugo de Lemos (Comunicação feita à Classe de Ciências, em 7 de Março de 1940); “Sobre a importância dos métodos fotográficos na anatomia patológica” Dr. Friedrich Wohlwill, (Comunicado feito à Classe de Ciências, em 7 de Março de 1940); do nosso prémio Nobel da medicina Dr. Egas Moniz “A fotografia da circulação normal e patológica do cérebro” (Comunicado feito à Classe de Ciências, em 7 de Março de 1940) e ainda “Nota sobre a fotografia aplicada à Antropologia em Portugal” Dr. A. A. Mendes Corrêa (Comunicado lido pelo Sr. Dr. Augusto Silva Carvalho, à Classe de Ciências; em 7 de Março de 1940). Nem de propósito, depois destes anos todos, as conclusões de Augusto da Silva Carvalho no que diz respeito à fotografia, “da resistência ou dificuldade, que em Portugal se manifestou para a compreensão do valor de tal descoberta”, mutatis mutandis, continuam pertinentes.
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Em Dezembro de 1962 foi comprado pela BN à Misericórdia de Tavira o espólio de Augusto da Silva Carvalho, que compreende um vastíssimo conjunto de notas bio-bibliográficas, apontamentos de história de Medicina, correspondência, documentos biográficos e fotografias, junto com parte da livraria do médico e escritor.
Ângela Camila Castelo-Branco
Paulo Nozolino Foto - Nelson D Aires
PRÉMIO NACIONAL DE FOTOGRAFIA