domingo, junho 08, 2008

Gérard Castello-Lopes visto por António Barreto.

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Em 23 de Outubro de 1998 a revista Indy, suplemento do jornal Independente, publicava “Um olhar português”, um artigo de António Barreto sobre o fotógrafo Gérard Castello-Lopes. Assim escrevia o sociólogo / fotógrafo a propósito de “Lisbonne d’un Autre Temps” – (“Lisboa de Outras Eras”), uma exposição patrocinada pelo Instituto Camões de Paris em 1998.






“Um olhar Português”



Ao contrário de Fernando Pessoa, Gérard Castello-Lopes não tem heterónimos, tem vidas. Várias e sucessivas. Falo do fotógrafo, que é o que nos traz aqui, não do homem, cuja unidade parece maior e não cabe em meia dúzia de páginas. Para mal dos nossos pecados, e dos dele, espero, não nos deu tantos anos de fotografia quantos os que leva de vida adulta, como deveria ser. Começou a fotografar, em 1956, com mais de trinta anos, idade difícil para uma arte que exige candura na aprendizagem. Fotografou durante uma década, talvez menos. Depois, parou. Perdera a ousadia. Não se sentiu mais capaz de, afirmar, agredir as pessoas na rua, fotografar quem não o deseja. Tanto mais quanto considera que, naturalmente, ninguém quer ser fotografado. Em todo o caso, ninguém o quer ser de surpresa, por um estranho. Durante vinte anos, pôs de lado as Leicas. Percebe-se hoje, pelo que diz e como fotografa, que o sofrimento não o abandonou. Com, todavia, um lenitivo: estudou, pensou e amadureceu. Em meados dos anos oitenta, regressou. Para nosso bem. E dele, espero.
Os bons fotógrafos são quase todos tímidos. Conheço bastantes. Alguns são-no mesmo exageradamente. Julgo percebê-los. Fotografar substitui o acto de falar com os outros. Conhecê-los. Viver com eles. A fotografia, a imagem preservada, será o modo a que tímidos recorrem para manter uma qualquer relação com o real, congelado esteja este. Todavia, os tímidos não são grosseiros, bem pelo contrário. É, muitas vezes, a delicadeza que os fez assim. Os verdadeiros tímidos não têm medo, receiam magoar. O que quer dizer que se interessam: pelo mundo, eventualmente pelos outros. Creio que Gérard Castello-Lopes será um “grande tímido”, daqueles que esconde a insegurança na erudição e na ironia. Mas, estranhamente, fala mais do que fotografa. Escolhe as suas palavras, pesa as frases e selecciona citações. Com o mesmo cuidado com que deve separar as suas fotografias, elegendo as melhores, muito poucas, deixando sem vida a maior parte. O que há de singular, com Gérard, é que foi a timidez que o levou, não a fotografar, mas a deixar de praticar aquele que poderia ter sido o seu ofício. Esta será a primeira exposição daquele longo período de “pousio”, que aliás, preparou uma nova fertilidade. Mas há uma segunda explicação, que não sei se é dele, mas tenho por certa: o real limita a sua criação. Sempre foi. Este grande amador viu-se um dia preso pelo real, condicionado pela fotografia e fechado dentro das fronteiras do programa da “arte empenhada”. Sem necessidade de, da sua arte, fazer profissão, preferiu abandonar. Até que o mundo dos anos oitenta e uma sabedoria longamente decantada lhe fizeram ver que a criação não era pecado e que a fotografia, apesar do constrangimento essencial, permitia voar e autorizava que o espírito perdesse peso e amarras.






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Gérard, cultor de paradoxos, fotógrafo parcimonioso, falador impenitente, ajudou-me involuntariamente a consolidar uma opinião que escondi durante anos: uma imagem não vale mil palavras. Nunca gostei desta invenção de manipuladores de consciências, de publicitários e de provocadores de emoções fáceis. As imagens, e conheço algumas, podem estar na origem de choques emocionais, levar-nos às lágrimas, causar-nos nojo e estimular-nos na revolta. Mas não substituem a palavra. Enriquecem-na, provocam-na e complementam-na. Dispensá-la? Nem pensar. Hoje sabe-se que a imagem, com arrogantes pergaminhos de verdade, pode ser a maior mentira de que os homens são capazes. Com a imagem se faz, desfaz e refaz a história. Mesmo as fotografias realistas, testemunhos, verdadeiras na sua realidade, fortes na sua crueldade, podem esconder mundos e outras verdades. Ou antes, escondem mesmo. De todas as guerras, de todos os regimes políticos, de todos os amores sobram fotografias que não são tudo, nem toda a verdade, nem só verdade, por vezes nem sequer verdade.
As fotografias de Gérard pedem mil palavras. As dele, de preferência, a que, com volúpia, nunca se nega. Mas também as nossas. As de quem o vê ou ouve. As de quem observa as suas imagens. As dos outros artistas. E as dos poetas. Juntem-se estas fotografias lisboetas aos poemas, não de Fernando Pessoa, mas de Alexandre O’Neill, e veremos que é o casamento feliz. Não há fusão, igualdade ou sobreposição. Há sensibilidades próximas. E uma infinita e doce ironia de que só são capazes os que não se levam demasiado a sério. Apesar da diferença e do confronto. E do conflito.
A Lisboa de Gérard é quase a Lisboa de Pessoa. Física e cronologicamente. As ruas, o estendal, as crianças, os velhos e os burgueses podem ser os mesmos. Uma ou duas décadas separam ambas. Para o tempo, era pouco. Mas estética e humanamente, a Lisboa de Gérard não é a Lisboa de Pessoa. A cidade de Pessoa é triste, como ele próprio. Irreal como o poeta. “Sem corpo”, disse-me um dia Gérard. É uma cidade que Pessoa quereria “triste e alegre”, mas que é apenas a “cidade da minha infância pavorosamente perdida” (Álvaro de Campos). Lisboa para Pessoa é “o meu lar” (Bernardo Soares). Lisboa é uma aldeia com medo de parecer cidade. Lisboa é o amor da sua memória, a memória do nunca conheceu mas inventou. Lisboa é a aldeia e o espaço que nunca teve. Lisboa é geografia inventada para um espírito sem carne. Lisboa é um heterónimo.

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A Lisboa de O’Neill é uma cidade. Como a de Castello-Lopes. Matreira e empertigada, mas cidade. Ridícula e aperaltada, com vergonha de parecer aldeia, mas cidade. Decadente, mal arrumada e com roupa a secar ao sol, mas cidade. De calcário, estuque e azulejos. De casais a passear na Baixa. De chefes de repartições com fatos de três peças. De faias e malandros. Do cego sincero e do cego que vê com olho maroto. De miúdos a jogar à bola e de cavadores diante da Torre de Belém. É a cidade que olhamos, que ambos olharam com ternura e raiva. “Que fazemos, Lisboa, os dois, aqui, na terra onde nasceste e eu nasci?” Tenho a certeza de que Gérard Castello-Lopes, ao ler este verso de Alexandre O’Neill, pensa que é consigo.
A liberdade de Castello-Lopes foi também a sua prisão. Pelo menos viveu-a como tal. Nos anos cinquenta em Portugal não se podia ser inocente. Nem a liberdade interior, refugio de tantos criadores, era possível. Ainda por cima, para alguém que queria viver com a imagem. A liberdade, nas décadas do realismo e do empenhamento político ou moral, era inseparável da solidariedade. Para ambas, o outro e os outros estavam no centro do mundo. Mas, nem todos, aliás. Não era a condição do homem que estava no centro do mundo. Mas o homem e sua condição. Quer dizer, o oprimido, o pobre, o trabalhador e o resistente. A “família do Homeme” parecia, e talvez fosse em certa medida, uma armadilha ideológica dos poderosos.
Se havia artes, letras e formas de expressão para as quais o empenhamento e o real eram difíceis ou discutíveis (a musica, a dança...), para outras, eram imediatos e necessários. Para a fotografia, era a sua essência. Naqueles tempos, o mito do real dominava. Nem tempos de certezas. A principal era real. Este bastava para denunciar as injustiças.
Por imperativo moral, por espírito do tempo e talvez porque lhe faltasse o talento da pintura, Gérard Castello-Lopes fez o seu programa de empenhado e realista. Estudou Cartier-Bresson e Eugene Smith, fez deles os seus mestres. Compreende-se agora que a eles nunca se limitou e que há, na sua fotografia, uma tensão libertadora, uma pulsão para transgredir as normas e as regras. Foi a sua primeira vida. Desempenhou-se durante aqueles poucos anos, magistralmente. São desse tempo as fotografias reunidas neste conjunto inspirado por Lisboa.
São um formidável testemunho daqueles anos portugueses. Não são documentário, que Castello-Lopes não foi jornalista. Mas são exemplo e prova da experiência social de um artista. Estas fotografias mostram já que o seu autor não está totalmente à vontade dentro de fronteiras do realismo militante. O universal espreita em cada imagem de circunstância. Em todas elas, a criação parece empurrar a realidade. Fotografar o trabalhador, o pobre, o digno oprimido ou o vilão satisfeito pode ser o mesmo que agredir o ser humano. Mas programa empenhado exige a agressão, pois permite o testemunho. O fim, nobre, vale os meios, duvidosos. O Fotógrafo rendeu-se. Abandonou a sua arte. Viveu mais de vinte anos a lutar contra o seu excepcional talento. São décadas de silêncio fotográfico. Ou de cegueira auto-infligida. Desta sua segunda vida sofremos nós: fomos esbulhados de uma obra de criação de que nunca seremos compensados. E os portugueses bem precisavam dela. Com reduzidas tradições fotográficas, com poucos talentos, com décadas de arte e cultura dirigidas (pelo Estado sobretudo, mas pela oposição também, por vezes...) e com uma eficientíssima censura do espírito, Portugal ficou pobre neste que é o modo de expressão do século XX, a imagem.





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A terceira vida de Gérard começou nos anos oitenta. Amigos sabedores e de gosto fotográfico exigente foram acordar as “imagens latentes”. Ou jazentes, com mais propriedade. Voltaram a dar-lhe vida, isto é, mostraram-nas. Viu-as quem quis, percebeu-as quem pôde. Os mais livres apreciaram-nas como grande descoberta.
Curiosamente, o efeito não foi o de uma ressurreição mas o de um renascimento. A exposição do seu passado, permitiu-lhe romper com ele. Com uma nova linguagem e um novo programa. Deixou de agredir as pessoas. Já não sente necessidade de, pela imagem, testemunhar a condição humana. Retornou com mais liberdade, a pulsão criativa. A natureza, os objectos, a matéria, as formas e as sombras povoam as suas fotografias contemporâneas. Mas atenção: olhe-se atentamente para estas novas imagens. Os corpos ganham movimento. A luz e a sombra transformaram-se em objectos e sujeitos de desejo. A leveza e a agilidade surgem como qualidades dos pesos mais pesados e dos materiais mais inertes. Não conheço uma fotografia que não tenha um vestígio animado. Seja pela humanidade dos objectos, seja pela presença discreta, afastada, imperceptível, do indivíduo e da sua acção. Seja porque Gérard, à sua conta, decidiu animar e soprar-lhe vida. Foi possível corrigir-se, mas manteve-se sem emenda.


Gérard Castello-Lopes por António Barreto, in revista Indy de 23 de Outubro de 1998, Jornal Independente
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sábado, junho 07, 2008

Os Filhos de Lumière / O Sabor do Cinema

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Os Filhos de Lumière é o nome de uma associação cultural, vocacionada para a sensibilização ao cinema enquanto forma de expressão artística.
Formada no ano 2000 por um grupo de cineastas e amantes de cinema, a nossa associação concebe, organiza e orienta actividades que visam levar os grupos de crianças e adolescentes nelas envolvidos a apreciar, compreender e criticar as obras que resultam da prática da arte cinematográfica.
Sempre foi convicção daqueles que se uniram para fundar esta associação que a melhor maneira de adquirir os saberes que nos propúnhamos construir passava pela aquisição de um saber fazer, ou seja privilegiando uma abordagem prática, um conhecimento decorrente da experimentação.
O arranque da nossa actividade foi possível graças ao importante apoio financeiro que a 2001 Porto Capital Europeia da Cultura nos concedeu. Com o montante que então nos foi atribuído foi possível comprar um parque de equipamento mínimo que nos iria permitir realizar a primeira série de oficinas de formação em torno do olhar sobre e através do cinema, que foram desenvolvidas em conformidade com os já citados pressupostos de aprendizagem prática.
A prossecução do trabalho iniciado em 2001 foi, e tem vindo a sê-lo desde então, viabilizada pelos subsídios que o actual ICA (ex ICAM) nos outorgou, sendo que esses subsídios cobrem exclusivamente as remunerações dos formadores das várias áreas (realização, imagem, som, montagem, produção e pedagogia de e pelo cinema) que intervieram nas quase 100 acções de
formação, de variada natureza, que até agora organizámos e orientámos.
Para clarificar os fundamentos da nossa postura, não será inútil relembrar que defendemos a ideia de que o ensino artístico deve ser ministrado por artistas - sejam eles autores ou técnicos envolvidos no trabalho de criação de autores - porque se nos afigura bastante óbvio que só eles podem preencher o desígnio dos verdadeiros professores, a saber: transformar a transmissão do saber numa relação de troca, baseada na convicção, por parte do formador, de que o formando virá a alargar os horizontes da área do conhecimento onde ambos se movem. Isto, que era convicção arriscada do filósofo Sócrates, é hoje, ainda, a nossa.
Por outro lado, a nossa vontade de agir sobre o mundo advém do radical espanto perante algo que não parece incomodar muita gente: as lacunas graves, quando não absolutas, no domínio da aprendizagem do e pelo olhar.
Num mundo supostamente moldado (e este «moldado» daria pano para mangas) pelas imagens e pela comunicação audiovisual é, de facto, pasmoso que poucos se preocupem com o aprender a ver imagens (no sentido de imagens sonoras e de imagens tempo) quando, nesse mesmo contexto, já ninguém ousa duvidar da necessidade de aprender a ler e escrever.

Regina Guimarães /Teresa Garcia


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Nove jovens portugueses na Cinemateca Francesa



No dia 6 de Junho, nove jovens entre os 12 e os 17 anos (seis da Escola Secundária de Serpa e três da Escola Secundária Passos Manuel em Lisboa) irão apresentar na grande sala Henri Langlois da Cinemateca Francesa em Paris , os três filmes finais que resultaram do trabalho de iniciação ao cinema em que participaram ao longo do ano lectivo 2007/2008.
Em representação dos três grupos que participaram no programa pedagógico “Cinema cem anos de juventude” (num total de 54 alunos), estes jovens irão dar conta, perante centenas de participantes franceses e espanhóis, da sua experiência e de como foi o processo de trabalho na realização dos seus filmes e irão assistir à projecção e apresentação dos filmes de todos os outros participantes neste programa (de várias regiões de França e de Espanha)
A Cinemateca Francesa que conhecia o trabalho desenvolvido em Portugal desde 2001 pela associação Os Filhos de Lumière convidou-a a participar neste programa pedagógico a partir do ano lectivo 2006/2007 com uma escola portuguesa. Participaram assim nesse primeiro ano duas turmas da Escola Secundária de Serpa. A Cinemateca Portuguesa associou-se desde logo a esta iniciativa. Em 2007/2008, a Escola Secundária Passos Manuel vem se juntar ao programa e Os Filhos de Lumière contam associar uma nova escola no próximo ano lectivo.
O programa é orientado por cineastas em colaboração com professores das escolas numa reflexão conjunta sobre cinema. Alain Bergala lança no início do ano lectivo um tema e as pistas pedagógicas a desenvolver.
O tema deste ano foi: o ponto de vista no cinema. Os materiais pedagógicos entregues nesse primeiro encontro apoiam-se numa selecção de fragmentos de filmes de realizadores de diferentes épocas e estilos cujo visionamento e análise ajudam a perceber o cinema pelo lado da criação. Ao longo do ano, os jovens articulam a análise de filmes com a experimentação prática através de exercícios propostos pelos coordenadores a todos os participantes deste projecto, que culmina agora com os filmes finais.
Os cineastas que orientam este programa em Portugal e os professores que colaboram com eles ao longo do ano irão acompanhar os nove jovens e colaborar, com todos os outros participantes, no balanço anual deste programa pedagógico.
Este projecto, pioneiro em Portugal, tem o apoio financeiro do ICA-Programa VER, do Instituto Camões, da Câmara Municipal de Serpa, da Cinemateca Francesa, dos Ministérios da Cultura e da Educação de França e de diversas entidades locais em Serpa e em Lisboa.

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quarta-feira, maio 28, 2008

U.
UTOPIA

PhotoEspanha 2008 no Museu Colecção Berardo

Será que a decadência dos edifícios da época moderna nos está a dizer algo mais profundo?
Os trabalhos da exposição colectiva de fotografia UTOPIA incidem sobre um ponto comum – a arquitectura dos anos 50 e 60. Nessas duas décadas, vários arquitectos, espalhados pelos quatro cantos do globo, projectaram edifícios construídos para um mundo “utópico” e visionário. E esses mundos abriam portas a um novo tipo de espaço social: aberto, transitório, elevado, ligeiro, realizado com novos materiais como o cimento, o aço e o vidro. Tudo isto era o mundo moderno e ele seria desenhado pelos arquitectos, que acreditavam poder resolver, graças à tecnologia do aço e do cimento, as distintas necessidades contemporâneas. Hoje em dia, o futuro não parece nada utópico. Actualmente, ninguém acredita que alguma ideologia possa solucionar os problemas complexos com os quais somos confrontados.
UTOPIA é uma co-produção do Museu Colecção Berardo e do PhotoEspaña 2008 (XI Festival Internacional de Fotografia e Artes Visuais). Na exposição encontram-se representados Mathieu Pernot, Frédéric Chaubin, John Riddy, Stuart Whipps, Alex Hartley, Gayle Chong Kwan, Wiebke Loeper, Arni Haraldsson, Tacita Dean, Amir Zaki.

UTOPIA estará patente ao público de 29 de Maio até 27 de Julho, no Museu Colecção Berardo, em Belém.

quinta-feira, maio 22, 2008

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Fotografias de Renato Roque


O projecto fotográfico-poético 12 pm, com fotografias realizadas na Noruega - todas à meia-noite - e com poemas escritos por Jorge Sousa Braga, vai ser apresentado no Teatro S. Luís em Lisboa dia 28 de Maio, 4ª feira a partir das 15 horas, numa sessão cultural integrada na visita dos reis da Noruega a Portugal.



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"Quase sempre, as coisas que são capazes de mais nos surpreender, seduzir e encantar são afinal as coisas mais simples: uma rabanada de vento nas ervas, uma revoada de pássaros, um odor antigo, um charco de água, uma luz misteriosa.

E foi a luz mágica daquela noite inesquecível nas margens do mar da Noruega que me cativou. Assim a viagem recomeçava." Renato Roque
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quarta-feira, maio 14, 2008

Comemoração do Dia Internacional dos Museus (18 de Maio) sob o lema genérico

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“Venha passar a noite com Camilo”

de 13 a 25 de Maio


“O Porto dos inícios do séc. XX: fotografias estereoscópicas de Emílio Biel”

Exposição


A mostra consiste na projecção de estereogramas de Emílio Biel pertencentes ao Museu de Ciência da Faculdade de Ciências da Universidade do Porto acompanhada de material do acervo do CPF designadamente uma câmara estereoscópica da colecção António Pedro Vicente, estereoscopias e visores estereoscópicos. As peças de exposição serão acompanhadas de textos explicativos que darão a conhecer o princípio da estereoscopia, o percurso profissional de Emílio Biel e também a história custodial e arquivística desta colecção. Os visitantes terão ainda a oportunidade de percepcionar as imagens com recurso a visores estereoscópicos, apercebendo-se na noção de profundidade de duas imagens justapostas.

Uma exposição do Museu de Ciência da Faculdade de Ciências da Universidade do Porto em colaboração com o CPF/DGARQ.


Espectáculo “Cadeia”


Este espectáculo foi especialmente concebido para a assinalar o Dia Internacional dos Museus e adaptado ao espaço da ex-Cadeia e Tribunal da Relação do Porto que é, desde 2001, sede oficial do Centro Português de Fotografia. A partir de aspectos das vivências prisionais, com especial destaque para a figura de Camilo, mas ultrapassando a personagem do próprio escritor, encontraremos outros referentes, tais como, Ana Plácido ou o Zé do Telhado serão recriados por um grupo de actores que conduzirão os visitantes pelos espaços e vivências do passado neste emblemático edifício e suas envolvências.

Estão programadas duas sessões do espectáculo, que incluirá leituras dramatizadas. A primeira sessão terá início às 21.30h e a segunda às 23.00h. Às 00:00h será servido um Porto de Honra no Átrio da actual entrada principal do edifício.

Neste dia, as instalações estarão abertas ao público das 15.00h às 02:00h. Como em qualquer época do ano, a entrada é gratuita, bem como a assistência a cada um das sessões do espectáculo. Cada sessão está sujeita a uma lotação máxima de 50 pessoas. Os interessados deverão inscrever-se no próprio dia em formulário a disponibilizar à entrada do edifício meia hora antes do início de cada sessão.
17 de Maio (Sábado) – sessões às 21.30h e às 23.00h
Para maiores de 12 anos

Fotografia Paulo Catrica

Palestra/visita ao Edifício da Ex-Cadeia da Relação do Porto


“Palácio da Relação e Cadeia do Porto: Percursos, espaços e memórias”
Pretende-se nesta Visita/Conferência recordar a história do edifício, desde os objectivos que presidiram à sua construção, à sua funcionalidade ao longo de dois séculos, enquanto cadeia e tribunal. Nesse sentido durante a visita vão percorrer-se os espaços mais significativos, evocar memórias, lembrar personagens.

Oradora: Professora Doutora Maria José Moutinho, docente associada com agregação do Departamento de História da Faculdade de Letras da Universidade do Porto.
Tempo previsto: 2h/2,30h
Dia 18 de Maio (Domingo) – 15.30h
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quinta-feira, maio 08, 2008

Um “Olhar” sobre a APPh.

na revista Fotodigital







"A 7 de Julho de 1994, o “Olhar”, suplemento editado pelo jornal “A Capital” entre 1993 e 1999, publicou um artigo sobre “Finalistas de fotografia na AR.CO expõem dependências”. Aí, Sónia Laima descreve as preocupações dos então jovens fotógrafos. Estes “interrogavam-se se seria viável criar uma associação de fotógrafos, visto que já outras tentativas foram feitas nesse sentido e todas demonstraram que o espírito dos Portugueses, quando toca à fotografia, é, acima de tudo, individualista, impossibilitando qualquer tipo de corporativismo que não seja o dos amigalhaços”.
Mas os sonhos e a esperança duram. Se umas tentativas de criar associações de fotógrafos têm falhado, outras, aqui e ali, têm revelado uma longevidade surpreendente. O mesmo não se pode dizer sobre associações que, a nível nacional, se preocupem com a coisa fotográfica. A única que existiu, efémera, nasceu já lá vai um século depois de terem sido aprovados, a 27 de Junho de 1907 e por iniciativa de Arnaldo da Fonseca e Júlio Worm, os estatutos da Sociedade Portuguesa de Photographia. A 14 de Abril de 2007, no ano em que se assinalava o centenário dessa associação, nascia a APPh., Associação Portuguesa de Photographia. De então para cá, temos trabalhado para que os alicerces deste projecto lhe permitam longevidade.
Aquando da realização do primeiro leilão de fotografia antiga organizado, em Junho de 2006 pelos primos Trindade da Potássio 4, por iniciativa de Ângela Camila e António Faria, um grupo de amigos da fotografia, de amadores, de interessados, de estudiosos e de coleccionadores de fotografia aproveitou a oportunidade para se reunir num jantar. Gesto que repetiram pouco depois. Estes encontros ajudaram a revelar um desejo comum: o de criar uma associação vocacionada para o estudo, a discussão, a divulgação, a promoção da fotografia e dos fotógrafos.
Queríamos conhecer-nos melhor, saber o que os outros faziam, que imagens, livros, máquinas ou fotógrafos preferiam. Recordámos tempos passados, quando, há vinte ou trinta anos, era apenas um punhado deles que gostava de fotografia e se interessava pelas imagens antigas. Lembrámo-nos de que nos víamos, por acaso, nos alfarrabistas e nos antiquários. Tínhamo-nos encontrado “no Almarjão”, o Zé Maria da Livraria Histórica e Ultramarina, de Lisboa; ou “no Nuno”, o Nuno Canavês da Livraria Académica, no Porto; ou “nos Ferreiras”, Pai e Filhos, do Porto; ou “nos Trindades”, da Rua do Alecrim, em Lisboa; ou em tantos outros locais de culto e peregrinação. Verificámos que, agora, já éramos muitos, umas dezenas, que cultivavam o género e a arte. Uns fazem fotografia, outros estudam-na. Uns coleccionam imagens, outros sabem ler fotografia. Todos conhecíamos os nomes consagrados. O António Pedro Vicente, que, quase sozinho, durante décadas, presidiu a uma das melhores colecções de aparelhos fotográficos da Europa, a qual agora reside no Centro Português de Fotografia, na Cadeia da Relação, no Porto. O António Sena, em tempos proprietário e animador da galeria “Éther, só não vale tirar olhos”, em Lisboa, ulteriormente autor da principal História da fotografia portuguesa, a “História da imagem fotográfica em Portugal, 1839-1997”. O Jorge Calado, um catedrático de química, amante de música e fotografia, que nos habituámos a ler nos jornais ou em catálogos e que se tornou indispensável. O José Pessoa e a Vitória Mesquita, antigos do Arquivo Fotográfico de Lisboa e actuais do Inventário Artístico de Portugal, entre os primeiros a fazer da preservação e do restauro de imagens fotográficas a sua profissão e a sua paixão. Os irmãos Alexandre e António Ramires, pioneiros em Coimbra e que ao país dão lições de estudo e divulgação da fotografia histórica. O João José Clode, com uma das melhores e mais bem conservadas colecções. O Eduardo Nobre, coleccionador e escritor, com particular sabedoria em tudo o que é Casa Real, famílias nobres e costumes militares. O Luís Pavão, um Mestre da conservação/restauro e conhecedor como poucos da fotografia antiga. O João Loureiro, especialista em imagens e postais fotográficos ultramarinos, com pelo menos uma dezena de livros publicados. A Luísa Costa Dias, da Fototeca Municipal de Lisboa, onde tem obra feita. A Teresa Siza, fundadora e tenaz directora do Centro Português de Fotografia. A Isabel Corte Real e o Sérgio Mah, que estiveram à frente do Lisboa Photo. O José Luís Madeira, um dos veteranos destas artes e destes circuitos. O Sérgio Gomes, um dos mais novos, mas já com obra no “Público” e na “blogosfera”. Luís e Bernardo Trindade, da Potássio 4, responsáveis pelos primeiros leilões de fotografia feitos em Portugal. O José Manuel Ferreira, perito da estereoscopia fotográfica, com experiência internacional da blogosfera. António Valdemar, Paulo Catrica, Luís Saragaa Leal (PLMJ), Rita Barros, Albano da Silva Pereira (dos Encontros de Coimbra), Carmen Almeida, Rui Prata (dos Encontros de Braga); Emília Tavares (do Museu do Chiado); Silvestre Lacerda (da Torre do Tombo); Manuel Magalhães (e o Grupo Ideia e Forma); João Vilhena, Gérard Castello-Lopes, José Rodrigues, Vasco Graça Moura, José Pacheco Pereira, António Pedro Ferreira, Rui Ochoa, Eduardo Gajeiro, Paulo Nozolino, Daniel Blaufuks, Isabel Soares Alves, Maria José Palla, Nuno Borges, Delfim Sardo, Eduardo Nery, José Afonso Furtado, Marta Sicurella, Mafalda Ferro, Pedro Franco, Pedro Aguilar, Teresa Margarida Rebelo: uns juntaram-se a nós, outros gostaríamos que se juntassem também.
O inevitável sussurro começou depressa. “Não podemos ficar por aqui”! Muito depressa surgiram a palavra e o desejo: “E não deveríamos fazer uma associação, ter um local, fazer um Blogue, organizar um sítio na Internet, publicar uma revista...”? Todos queriam arranjar uma maneira de poder prosseguir o diálogo e a troca de informações e de contactos, eventualmente trocar imagens e aparelhos, mostrar as respectivas colecções, escrever sobre o que conheciam, aprender o que não sabiam. Quando uma boa ideia começa a caminhar, não é possível travá-la. Esta já deu uns passos. Acarinhada por vários entre nós, a ideia começa a ser realidade. Já existem estatutos, já são conhecidos os primeiros voluntários que querem dar o seu contributo. Já existe um Blogue que se destina, em primeira mão, a divulgar a Associação (APPh) e a sua missão. Já foi eleita uma direcção que prepara o seu trabalho, designadamente a angariação de sócios, a reflexão sobre as hipóteses de edição de uma revista / boletim, instalação de um sítio na Internet e execução de um logótipo e imagem gráfica concebidas pelo designer Henrique Cayatte. Sem esquecer outras iniciativas, nas quais meditamos, como por exemplo a organização de exposições e edições.
Além do que acima fica referido, o que pretendemos desta Associação? Defender os interesses da fotografia e dos fotógrafos. Contribuir para melhorar o papel da fotografia na cultura e na comunicação. Estimular a discussão e suscitar os comentários sobre qualquer assunto relativo à fotografia. Provocar o sentido crítico. Ajudar à divulgação de iniciativas que possam contribuir para o reforço da fotografia em Portugal. Contribuir para a construção de uma base de dados permanente sobre fotógrafos, espólios, coleccionadores, imagens importantes, colecções, leilões, acontecimentos e exposições. Divulgar galerias permanentes e temporárias. Mostrar fotos raras e especialmente interessantes. Promover a reflexão e o estudo sobre a fotografia e sua história. Fomentar a redacção de críticas e comentários a exposições, assim como de recensões de livros.
Gostaríamos também que a APPh viesse satisfazer uma necessidade que muitos ressentem, a de dar voz aos que querem influenciar decisões públicas e privadas sobre a fotografia em Portugal. Questões como a legislação sobre os bens patrimoniais ou os direitos de autor e de imagem; ou como sobre a actuação pública nesta área, o financiamento destas artes, a preservação do património e o ensino da fotografia nas escolas, merecem ser mais discutidas na praça. Começa a ser tempo de ver os interessados participar de modo mais eficaz nestes debates públicos. Os estatutos da associação estão aprovados. A escritura pública feita. Os primeiros corpos gerentes eleitos. Preparamos o programa de actividades. A nossa apresentação pública será feita em breve.

Angela Camila e António Barreto, APPh.
► Na Fotodigital de Maio de 2008
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quinta-feira, maio 01, 2008







conversas objectivas 2008



Convivemos com um número tão grande de inovações na sociedade moderna que muitas vezes nem nos apercebemos da importância das coisas mais simples. Nem chegamos a perceber, inclusive, como muitas dessas coisas simples são imprescindíveis à nossa vida. Uma delas, com certeza, é a fotografia. Totalmente identificada na mente do cidadão comum com o lazer, a fotografia é muitas vezes identificada somente como um hobby, um passatempo. Esquece-se, assim, de certa maneira, o papel fundamental da fotografia como documento histórico, do seu enorme valor probatório, informativo e até mesmo de investigação.
O Ciclo de Conferências "Conversas Objectivas", iniciado em 2007, teve como grande objectivo aguçar no público em geral, o gosto pela fotografia, objectivo este largamente conseguido na medida em que ao longo de 3 meses reuniu um grupo considerável de pessoas em torno deste interesse comum. Assim, as Conversas Objectivas, promovidas pela Câmara Municipal de Matosinhos, regressam este ano ao auditório da Biblioteca Municipal Florbela Espanca, nos dias 3, 24 e 31 de Maio, 7, 14 e 28 de Junho e 12 de Julho, pelas 17.30h, com mais profissionais e especialistas como José Luís Neto, Cesário Alves, Sérgio Gomes, António Faria, Rodrigo Amado, António Júlio Duarte, José Manuel Rodrigues, Teresa Siza, Ângela Camila Castelo-Branco, Ricardo Fonseca, Maria do Carmo Serén, Rui Xavier e José Manuel Bacelar.
A primeira conferência, um «Encontro com o autor – José Luís Neto», contará com a presença de José Luís Neto e do Vereador da Cultura, Fernando Rocha, que fará a apresentação e o lançamento das Actas das Conversas Objectivas de 2007.

Esta iniciativa decorrerá conforme o seguinte programa:



Dia 3 de Maio, 17.30

Lançamento das Actas das Conversas Objectivas 2007

“Encontro com o autor - José Luís Neto”

José Luís Neto fotógrafo, Prémio BES Photo 2005


Apresentação: Vereador Fernando Rocha








"conversas objectivas" ciclo de conferências, 2007






From the séries 22475, 2003. Gelatin silver print, 40x30 cm




Dia 24 de Maio, 17.30

"Fotojornalismo e os mercados editoriais”






Apresentação: Cesário Alves



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André e Moisés durante uma aula de fisioterapia. Coimbra, Abril 2000. Fotografia de Rui Xavier





Os incêndios florestais do Verão devastaram milhares de hectares de floresta portuguesa. Bombeiros e populares tentaram salvar o que puderam. Fotografia José Manuel Bacelar




Dia 31 de Maio, 17.30

Um blogue de fotografia: a experiência de fazer o Arte Photographica

Sérgio B. Gomes autor do blog Arte Photographica, jornalista do Publico, critico de fotografia

Apresentação: Maria Carmo Seren








Dia 7 de Junho, 17.30

Apresentação do Álbum “Porto Leixões – Construção da Doca nº 1”

Registo Fotográfico







. Vista da Doca do Porto de Comercial de Leixões (Construcção da Doca n.º 1)



Dia 14 de Junho, 17.30

Os “Olhares fotográficos” dos estrangeiros
De Charles Legrand e William Barklay a Man Ray
conversa com Ângela Camila Castelo-Branco


.CHARLES LEGRAND (fl. entre 1839 e 1847)










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Wolfgang Sievers, Henri Cartier-Bresson e Georges Dussaud.
Sebastião Salgado e os “Mensageiros da Liberdade”.
Os olhares de Cândida Hoffer, Bert Teunissen e Marta Sicurella...

por António Faria







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Os olharesde fotográficos de Bert Teunissen em Portugal. 2001/2


Ângela Camila Castelo-Branco, coleccionadora e sócia-fundadora da Associação Portuguesa de Photographia
António Faria coleccionador e sócio-fundador da Associação Portuguesa de Photographia

Apresentação: Tereza Siza




Dia 28 de Junho, 17.30

Rodrigo Amado e António Júlio Duarte: Partilha e Identidade

Rodrigo Amado musico, jornalista e fotógrafo
António Júlio Duarte fotógrafo



Apresentação: Tereza Siza



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Exposição de Rodrigues Amado na Kgaleria, 2007

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António Júlio Duarte, do natural/from nature, 2007 © António Júlio Duarte


Dia 12 de Julho, 17.30

“Viagem pela fotografia”

José Manuel Rodrigues fotógrafo Prémio Pessoa 1999

Apresentação Vereador Fernando Rocha







. CONVERSAS OBJECTIVAS – Ciclo de conferências 2008 –

Biblioteca Municipal Florbela Espanca


Câmara Municipal de Matosinhos




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sexta-feira, abril 25, 2008

O Chelsea Hotel através das Lentes de Fotógrafos
Exposição comemorativa dos 125 anos do Chelsea Hotel em Nova Iorque.




The Hotel Chelsea's lobby, photographed by Linda Troeller, Chelsea Hotel resident since 1994
Photo from the upcoming book, Atmosphere: An Artist's Memoir of the Chelsea Hotel by Linda Troeller

Related:
"Down at the Chelsea," by Tricia Romano




Depois das noticias “escandalosas” no Verão passado sobre o despedimento de Stanely Bard, gerente do Chelsea Hotel nos últimos 45 anos - responsável por ter criado este espaço ‘Mitico” - e depois de quase todos os residentes terem tido ataques cardíacos com a nova gerência, (quantas vezes cantei no elevador “Lobotomy, lobotomy DDT did a job on me” dos Ramones), chegamos à celebração através da fotografia do papel do Chelsea no imaginário de Nova Iorque e não só.
Sessenta fotógrafos da América e de vários países europeus responderam ao pedido da comissária, Linda Troeller para apresentarem momentos únicos na vida do Chelsea. As imagens a cor, e preto e branco, e em vários suportes, desde fotografias de arquivo, a fotografias de produções de moda, retratos e de ambiente estaram em exposição na antiga sala de baile que já foi apartamento e que agora serve de sala apoio à recepção do Hotel.
O Chelsea, construído em 1883, é um dos prédios famosos de Nova Iorque. Aqui os visitantes gostam de apontar a longa história de boémia e inspiração artística: Bob Dylan dedicou “Just Like a Woman” à superstar Eddie Sedgwick, Leonard Cohen dedicou “Chelsea Hotel No.2” a Janis Joplin, Arthur C. Clarke escreveu “2001: A Space Odyssey” e Andy Warhol filmou “Chelsea Girls”. Bette Davies, Jackson Pollock, Mark Twain, David Mamet, Arthur Miller, Janis Joplin, Jimi Hendrix Patti Smith, são mais uma pequena lista de ‘monstros sagrados” que viveram no hotel.


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Rita Barros, Chelsea Hotel, New York 25 de Abril de 2008


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Exposição dia 9, 10 e 11 de Maio de 2008

Ballroom of the Chelsea Hotel
222 West 23 Street
New York, NY 10011



terça-feira, abril 22, 2008



Aula Magna
& Outros Espaços


Exposição de Fotografia de João Fazenda

“Algarve – da luz e da obscuridade”

A exposição de fotografia “Algarve – da luz e da obscuridade”, de João Fazenda, mostra um Algarve com características próprias de uma terra do sul, banhada por uma luz solar intensa e quente, nas horas zenitais, doce e aconchegante nas horas crepusculares.

Mas, se a luz é inspiradora para muitos, também o é a sombra para outros, ou a obscuridade, ou a “penumbra”, como se lhe refere Junichiro Tanizaki no seu Elogio da Sombra: “essa claridade ténue feita de luz exterior e de experiência incerta”.

Um convite para ver imagens nascidas do prazer de viver, do prazer de calcorrear o Algarve, do prazer de fotografar, do prazer de comunicar.

A inauguração da Exposição terá lugar no próximo dia 23 de Abril, às 18 horas, na Reitoria da Universidade de Lisboa.

sexta-feira, abril 18, 2008






Fernando Lemos
“rasgar seda”


Tinha anotado em vários cadernos o dia 3 de Abril, Fernando Lemos (1926-), estaria na Sociedade Nacional de Belas Artes, não queria perder esta oportunidade para conhece-lo, como já tinha acontecido aquando da exposição no Museu Berardo de Arte Moderna em Sintra em 2005 “Fernando Lemos e o Surrealismo”, já então tinha perdido a ocasião para estar com este grande português que vive no Brasil desde 1952. (O acontecimento podemos recordar aqui num filme de Pedro Aguilar e Bruno de Almeida).


Auto retrato de Fernando Lemos, anos 50


Aconteceu que nunca mais me lembrei da exposição onde Fernando Lemos estaria presente.
Sábado pelo meio dia apeteceu-me tomar o pequeno-almoço e ler as notícias na Cinemateca, o ambiente àquela hora está despido de vaidades e envolvido de numa efémera solidão que me conquista. Soprava uma brisa de silêncio frio que arrepiava. Recolhi-me no interior, ao fundo da cafetaria poltronas opulentas esperavam pacientemente que me aconchegasse nelas. Aproveito para ver “Cinema de Papel”, os 50 desenhos de Federico Fellini ali expostos até finais de Maio.
Satisfeita saio para a Barata Salgueiro, especado na minha frente o edifício da Sociedade Nacional de Belas Artes, só então me recordo de Fernando Lemos. Lá dentro esperava-me a exposição dos concorrentes ao 3.º Prémio de Pintura Banif - Revelação e a Consagração a Fernando Lemos. Uma pequena brochura sobre o artista consagrado é-nos oferecida, vale ouro, à parte o excelente catálogo da Exposição “Fernando Lemos e o Surrealismo”, pouco temos sobre o artista.
Não resisto a transcrever a autobiografia. “ Autobiografia de Fernando Lemos - Nasci na Rua do Sol ao Rato, em Lisboa em 1926. Fui para o Brasil em 1952. Fui estudante, serralheiro, marceneiro, estofador, impressor de litografia, desenhador, publicitário, professor, pintor, fotógrafo, tocador de gaita, emigrante, exilado, director de museu, assessor de ministros, pesquisador, jornalista, poeta, júri de concursos, conselheiro de pinacotecas, comissário de eventos internacionais, designer de feiras industriais, cenógrafo, pai de filhos, bolseiro, e tenho duas pátrias, uma que me fez e outra que ajudo a fazer. Como se vê, sou mais um português à procura de coisa melhor.” (Fernando Lemos, Prémio Banif Consagração 2008). Apreciei alguns retratos fantásticos de Fernando Lemos, algumas pinturas e prospectos de exposições, parece pouco mas soube-me a muito.
Cá fora, e porque ainda não queria almoçar dei um salto à Fundação Medeiros de Almeida - ali ao atravessar da rua. Só para ver o que lá estava, “Arte Brasileira Sobre Papel - Um Panorama do Século XX”, passei-lhe os olhos. Comprei o catálogo da exposição de fotografia que Eduardo Nery tinha feito sobre as peças da colecção da Fundação e que me tinha passado ao lado.
Fui para casa descansar. À noite esperava-me a consagração dos 40 anos de carreira de Vital d’Assunção na Voz do Operário. Aí, juntamente com alguns amigos, troçamos da vida. A colher a boiar no caldo verde, a zurrapa a armar ao tinto, o chouriço de super mercado derretido nas brasas, o fado, a guitarra, a viola e o bombeiro a roncar que velava pela nossa segurança. Tudo estava perfeito, “altamente”. É em noites assim que descobrimos que a companhia dos amigos é tudo.

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Ângela Camila Castelo-Branco, APPh.


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terça-feira, abril 01, 2008

FOTOGRAFIA no MUSEU NACIONAL de SOARES dos REIS

Fotografia J. P. Sotto Mayor

Fotografia José Marafona

“Um dia no Museu”
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Fotógrafos do Grupo IF (Ideia e Forma) 2008

“Um dia no Museu”, é a exposição de fotografia que o Grupo IF (Ideia e Forma), realiza no Museu Nacional de Soares dos Reis, no Porto, inaugurando no Dia Internacional dos Museus (18 de Maio), e que estará patente até ao próximo mês de Agosto.
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Fotografias de Manuel Magalhães


As cerca de 60 fotografias expostas são da autoria dos cinco elementos do Grupo IF, António Drummond, Henrique Araújo, João Paulo Sotto Mayor, José Marafona e Manuel Magalhães
A iniciativa partiu da Direcção do Museu que para o efeito convidou o Grupo IF.
Assim, passados 25 anos após “ESQUINAS do TEMPO” aqui torna a expor.

"Um dia no Museu" constituirá a sua abordagem às diversas vivências que constituem o dia a dia deste pequeno universo, e que dá o nome à própria exposição.

Fundado em 1976, Grupo IF (Ideia e Forma), foi durante aproximadamente 10 anos a maior referência de fotografia colectiva em Portugal. Realizou 11 exposições originais. Selecções das mesmas foram apresentadas em Serralves no Museu de Arte Contemporãnea (Porto 60 /70: Os Artistas e a Cidade) e na galeria da Biblioteca Almeida Garrett no Porto (+ de 20 - grupos e episódios no porto do século XX).

Exposições do Grupo IF: tema livre (1976); vilarinho das furnas (1977); comboios d’ontem imagens d’hoje (1977); ponte maria pia (1977); imagens do quotidiano (1977); fotografia experimental ou de vangarda (1978); formas (1978); exercicío (1978); nona (1981); esquinas do tempo (1982); o porto visto de perto (1984).

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HORÁRIO
Encerra à 2ª Feira
3ª Feira – 14h00 às 18h00
4ª. Feira a Domingo – 10h00 às 18h00




MUSEU NACIONAL de SOARES dos REIS
Rua D. Manuel II. 4050-342 PORTO
Tel.: +351 223393770
Fax: +351 222082851
E-mail: mnsr.div@ipmuseus.pt




sábado, março 15, 2008

BES Photo, há noites assim, assombrosas, fantásticas...

A inauguração da 4ª edição do Prémio BES Photo estava marcada para as 22:00 horas do dia 13 de Março, em exposição no Museu Colecção Berardo podíamos ver os trabalhos inéditos dos três concorrentes, Daniel Malhão, Eurico Lino do Vale e Miguel Soares. Pelo adiantado da hora e pelo facto de ter sido a meio da semana, fiquei surpreendida pela quantidade de gente que ali se deslocou. Percebi depois que nem todos ali estariam por amor à fotografia. Foi servido por um catering: mousse de salmão com chantilly e trufas de cabrito panadas com amêndoas gratinadas e molho picante, acompanhei com champanhe para animar a noite.
Tenho seguido estas edições do BES Photo e, parece-me que, este ano se fez o hat trick . Eu explico porquê. Todos os trabalhos concorrentes são de tal forma fotográficos – nem sempre assim aconteceu em anteriores edições, que é demasiado penosa a escolha de qualquer um deles em detrimento dos outros dois.

Daniel Malhão (Lisboa, 1971) apresenta para o prémio BES Photo 2007 a obra «As Far as I Can See», “quatro dípticos de paisagens marítimas cortadas pela linha do horizonte, afastando o céu e o mar. Esta peça nasce da pergunta: «até onde posso ver?». Com este trabalho, Daniel Malhão tenta definir os limites.” O fotógrafo “inunda-nos” e hipnotiza-nos com a imensidão cromática das suas paisagens, ele invoca, provocantemente, um dos maiores tabus da fotografia a dimensão e os limites da mesma. A escala é determinante para o sucesso de uma imagem, José Luís Neto vencedor da 2ª edição do BES Photo, pratica o exercício da escala e das dimensões em muitos dos seus trabalhos, “Irgendwo” (1998), ou em “22474” (2000), os minúsculos rostos encapuçados dos prisioneiros fotografados por Joshua Benoliel em 1912 na penitenciária de Lisboa em Campolide e ampliados por José Luís Neto até ao formato de 30x40 cm.
Daniel Malhão vai mais longe em «As Far as I Can See», salvaguardando o carácter físico do suporte, se nos posicionarmos convenientemente as dimensões das paisagens onde mergulhamos são infinitas e ignoram o limite do olhar do fotógrafo que as aprisionou.

Eurico Lino do Vale (Porto, 1966)É o retrato do incógnito, do velado, do oposto da identidade. Definitivamente, um retrato daquilo que não está presente, daquilo que só existe em potência, no olhar de quem dispara. É assim que nascem as sombras, esse universo dissipado que reclama Tanizaki, essa empresa impossível que cerca os perfis a que Eurico Lino do Vale quer dar luz”.
Os percursores da fotografia mais não faziam que fixar-nos os recortes em perfis mais ou menos pontiagudos, mais ou menos achatados. A utilização destes instrumentos (máquinas) é conhecida e profusamente comentada na história da fotografia. Em França no tempo de Louis XIV, um novo processo de retratar é inventado e maliciosamente designado “Silhouette” nome de um “Ministro das Finanças” do reino. Sentados de perfil ao lado de um cavalete onde se dispunha uma folha branca, os retratados viam o seu perfil desenhado pela luz na superfície do papel, o interior dos contornos era posteriormente pintado a negro e recortado. Não deixa de ter piada que Eurico Lino do Vale exponha silhuetas na actual conjuntura económica do Portugal Socrático. Não resisto a lembrar-vos a história de Monsieur A. de Silhouette: ministro das finanças de Louis XIV, foi incumbido, em 1759, de equilibrar os cofres do estado que à época estavam quase vazios. Criativo, como hoje é o nosso Teixeira dos Santos, Silhouette esvaziou os bolsos dos franceses para encher os cofres do reino, mas estes não ficaram nada contentes e a sua popularidade sofreu reveses e consequências. Apareceu um novo estilo de roupa, fatos sem bolsos que foram considerados inúteis, pelo facto das pessoas não terem dinheiro para os encher. Estas roupas eram à la Silhouette, e até hoje, qualquer coisa insubstancial como uma sombra chamamos-lhe uma silhueta, em pouco tempo o brilhante ministro do reino torna-se não mais do que uma sombra de si mesmo. Não sei o que esta história tem de verdadeiro, uma coisa eu sei os portugueses também têem o seu Sr. Silhueta.
«O retrato é a própria realidade, um acto performativo. É o acto de encarnar a figura do fotógrafo para registar o momento. De um lado e do outro, é um encontro de duas pessoas num determinado tempo. O acto de fotografar é um acto de convergência de uma pessoa com outra. Depois, chega a divergência, quando o objecto se torna autónomo e decide partir. Porém, para mim, retratar não é nem teatro nem realidade pura. É o resultado daquilo que aconteceu».

Miguel Soares (Braga, 1970) Finalmente no trabalho de Miguel Soares onde a teoria estética de Samuel Taylor Coleridge (1732-1834), que invoca a vontade de uma pessoa aceitar como verdade as instalações de uma obra de ficção, mesmo se elas são fantásticas ou impossíveis. «A nossa vontade de aceitar a ilusão, mesmo em casos inverosímeis e tecnicamente imperfeitos, a chamada teoria da Suspension of Disbelief interessa-me imenso. Há coisas que víamos há vinte anos atrás e pareciam altamente verosímeis e realistas e que hoje em dia parecem muito mal feitas.»
Dei comigo a questionar-me se a obra “Planets” se tratava de caixas de luz, tal era a minúcia da iluminação mas, também, a sequência e a tonalidade das fotografias. Se eliminarmos as duas últimas fotografias na sequência de quem as percorre quando entra e verifica tratar-se na verdade de candeeiros de jardim, facilmente entramos no mundo mágico do fantástico, no mundo da teoria de Samuel Taylor Coleridge.


Também em "Li ine" o artista explora os mecanismos que regulam e determinam a percepção:




O Prémio BES Photo (este ano no valor de 25.000 euros) é atribuído desde 2004 pelo Banco Espírito Santo em parceria com o Centro Cultural de Belém, e em 2008, no âmbito de um novo protocolo, em parceria com o Museu Colecção Berardo.
Para esta 4.ª edição do galardão, os artistas foram escolhidos por um júri de selecção com base em exposições realizadas entre 01 de Julho de 2006 e 31 de Julho de 2007. O Júri de Selecção foi composto por Albano da Silva Pereira, Director do CAV (Centro de Artes Visuais, Coimbra), José Luís Neto, artista plástico e vencedor do BES Photo 2005, Leonor Nazaré, curadora do CAM (Centro Arte Moderna José Azeredo Perdigão, Fundação Calouste Gulbenkian), Nuno Crespo, crítico de arte e Ricardo Nicolau, Adjunto do Director do Museu de Serralves.
Os artistas foram seleccionados pelas seguintes exposições (realizadas entre 1 de Julho de 2006 e 31 de Julho de 2007:
- Daniel Malhão pela exposição "Título", na Galeria Vera Cortês - Agência de Arte (20 Out a 18 Nov 2006).
- Eurico Lino do Vale pela exposição "Retratos dos Túmulos dos Reis de Portugal", na Galeria Carlos Carvalho (09 Maio a 31 Julho 2007).
- Miguel Soares pela exposição "Exposição Individual de Miguel Soares", na Galeria Graça Brandão (21 Junho a 31 Julho 2007).
O júri, que anunciará o vencedor a 07 de Abril, é constituído pela curadora Lorena Corral, François Hebel, director de "Rencontres Culturales de la Photo", Jürgen Bock, Director da Escola de Arte Maumaus, José Bragança de Miranda, Professor da Universidade Nova de Lisboa e Thomas Seelig, Curador do Fotomuseum Winterthur, na Suiça.
Os trabalhos dos candidatos ao BES Photo serão apresentados, em Junho, no PhotoEspaña, em Madrid, que este ano é comissariado pelo português Sérgio Mah.


Ângela Camila Castelo-Branco, APPh.

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terça-feira, março 11, 2008


Paulo Catrica apresenta uma série de peças pensadas para o espaço da galeria Quadrado Azul, em Lisboa, em mostra patente de 7 de Março a 3 de Maio, sob o título “No ruses, so to speak”.
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© Paulo Catrica
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