segunda-feira, setembro 15, 2008
terça-feira, agosto 05, 2008
Na próxima quinta-feira dia 14 de Agosto, o Museu Nacional de Arqueologia (MNA) vai estar aberto à noite, pelo que aconselhamos uma visita à exposição intitulada “Impressões do Oriente. De Eça de Queiroz a Leite de Vasconcelos“. Quatro museus nacionais de Lisboa vão passar a abrir as suas portas em horário nocturno, todas as quinta-feiras até às 23h00, durante este Verão, no âmbito do projecto "5.as à Noite nos Museus. Verão 2008", apresentado esta segunda-feira pelo Instituto dos Museus e da Conservação (IMC). Entre 17 de Julho e 4 de Setembro, o Museu Nacional de Arte Antiga (MNAA), o Museu Nacional do Azulejo, o Museu Nacional de Arqueologia e a Casa-Museu Anastácio Gonçalves vão estar abertos, cada um, duas quintas-feiras com uma programação própria que inclui exposições, visitas-guiadas, ateliers, cinema, concertos e animação.
ou Hippolyte Arnoux (activo entre 1860 e 1890), Zangaki (1880-1899) e do editor Ferrier & Soulier algumas reproduções de negativos em vidro. Podemos ver ainda reproduções de monumentos e paisagens do Egipto feitas a partir de estereoscopias em vidro adquiridas por Carlos Relvas nas suas deslocações a Paris. Os organizadores da exposição entenderam dar uma dimensão nacional ao evento, apresentando apontamentos de viagem feitos por Eça de Queirós em 1869 quando o escritor visitou o país a propósito da abertura do Canal de Suez, assim como os que Leite de Vasconcelos fez em 1909 quando assistiu ao Congresso de Arqueologia do Cairo. Para além disso, o público poderá ver algumas peças trazidas do Médio Oriente por Leite de Vasconcelos, que se encontram hoje integradas na colecção do MNA.
quinta-feira, julho 31, 2008
José M. Rodrigues - Antologia Experimental

José M. Rodrigues é representado pela Galeria Pente 10 - Fotografia Contemporânea, Travessa da Fábrica dos Pentes, 10, 1250-106 Lisboa. Tel. - 91 885 15 79 info@pente10.com http://www.pente10.com/
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segunda-feira, julho 21, 2008
"... é um blogue de cidadãos preocupados com o estado de degradação de Lisboa. Não tem partidos, ideologias ou outras intenções que não sejam fazer de Lisboa uma cidade melhor. Pela força do hábito, muitos lisboetas já nem reparam no estado de degradação dos espaços públicos da sua cidade. Este é um blogue contra essa distracção. Mostraremos aqui imagens recolhidas por toda a cidade e pedimos aos leitores que nos façam chegar as suas próprias fotografias, com a menção do local onde foram captadas, para o endereço lisboasos@yahoo.com."
terça-feira, julho 15, 2008
Manuel Álvarez Bravo
Agradecimentos à Pente 10 e especialmente a Catarina Ferrer por ter permitido a divulgação da entrevista a Flor Garduño no Grand Monde e no Blog da APPh. – Associação Portuguesa de Photographia..
Para ver até 9 de Agosto de 2008
3.ª a Sábado das 11:00 às 19:00
Travessa da Fábrica dos Pentes n.º 10
Metro Rato
quarta-feira, julho 02, 2008
Thomaz Teixeira Nunes ao lado a filha Laurentina Nunes Siza, as fotografias (albuminas) de cerca de 1865, foram posteriormente coladas nos cartões do estúdio que Manoel Nunes Siza abriu em Barbados nas Ilhas das Caraíbas. © Colecção Teresa Siza
A filha do carcereiro
Quando em 1997 Manuel Maria Carrilho convidou Teresa Siza para estar à frente do maior projecto fotográfico até então sonhado para Portugal e que culminaria na criação do Centro Português de Fotografia – CPF, na Cadeia da Relação do Porto, estava ela longe de imaginar os enredos à moda de Camilo que a espreitavam.
Em 2001 Teresa Siza adquiriu na Livraria Histórica Ultramarina em Lisboa – espaço que, infelizmente, já desapareceu, e onde reuniam alguns intelectuais à conversa com José Maria Costa e Silva (Almarjão) -, um Almanaque de Anúncios de 1873, onde descobre que Tomás Teixeira Nunes (Braga?-?), seu trisavô, era o carcereiro da Cadeia da Relação do Porto em 1873. Até então Teresa desconhecia este dado.
Tomás Teixeira Nunes, o carcereiro da Relação, tinha dois filhos: o fotógrafo Henrique Nunes (1820-1882), com estúdio desde 1863 na Rua das Flores, n.º 152, no Porto, e onde, por ventura, terá trabalhado Júlio Augusto Siza (Braga,1841-Matosinhos, 1919), antes mesmo de casar com a filha do carcereiro, Laurentina Augusta Nunes (1839-1878). Quando casou em 1865, a noiva tinha 26 anos e vivia com o pai na Relação, como aliás consta da certidão de casamento.
Em 1862 o trisavô de Teresa Siza, Tomás Teixeira Nunes, ainda não seria o carcereiro da Relação do Porto – pelo que, possivelmente, aí não conheceu Camilo Castelo-Branco. O escritor não se refere a Tomás Teixeira Nunes nas Memórias do Cárcere escritas na cela n.º 12 daquela cadeia num período conturbado da sua existência e em que a escrita funcionou como um salvatério para a sua alma amargurada.
No entanto, no curso da narrativa, editada em 1862 mas redigida enquanto durou a detenção (1/10/1860 a 16/10/1861), Camilo refere-se, pelo menos três vezes, a um carcereiro ("Fui visitado pelo carcereiro Nascimento..."; " ... tinha injuriado o inofensivo Nascimento" e "O carcereiro era um alferes de veteranos... Era de supor que o senhor Nascimento (já lá está na presença do Rei dos reis)...". Cita, igualmente, e por duas vezes um outro carcereiro ("Quando o carcereiro interino, um tal Guimarães - despedido depois como ladrão -"; "... demitindo-o virtualmente por ladrão. Chamava-se ele José Francisco Guimarães...")*.
Possivelmente Tomás Teixeira Nunes terá entrado ao serviço da Cadeia da Relação depois da libertação de Camilo e Ana Plácido. Se fosse anteriormente o carcereiro da Relação, teria, certamente, participado na autorização que permitiu as deambulações do escritor pelo estabelecimento o que facilitaria encontros - nem que fosse apenas de troca de olhares - com Ana Plácido, aí também enclausurada na ala das mulheres em virtude do caso de adultério de que ambos eram acusados. Teria, igualmente, conhecimento da autorização concedida a Camilo para, por motivos de saúde, sair a tomar ares na cidade, oportunidades que o escritor não perdia para arrostar a inimizade da burguesia portuense. Na cadeia, escreveu Camilo “Amor de Perdição”, um dos grandes romances da literatura romântica portuguesa.
Tomás Teixeira Nunes seria, então e igualmente, carcereiro de Abílio da Cunha Moraes (1825-1871), o relojoeiro/fotógrafo que daí partiu para o degredo em Angola em 1863, condenado por falsificar moeda e acusado de ter subornado meia Coimbra, de jornalistas a juízes. Abílio tornar-se-ia o primeiro da família Moraes a fotografar a África ocidental portuguesa. Os filhos seguir-lhe-iam os passos, primeiro Augusto César, depois José Augusto seguido por Joaquim Júlio e finalmente pelo irmão mais novo Alfredo Adelino Cunha Moraes. Mas estas são outras estórias, também envolventes, também na senda de enredos camilianos. Do que temos a certeza é de que o carcereiro Tomás Teixeira Nunes aí viveu, na Cadeia da Relação do Porto, entre 1865 e 1873.
Laurentina, a filha do carcereiro, deu oito filhos a Júlio Siza, alguns não sobreviveram à nascença. Os mais velhos, Manuel Nunes Siza (Lisboa, 1867–Brasil, 1938) e Henrique Nunes Siza (Porto, 1869–Brasil, 19??), seguiram a profissão do pai que os terá iniciado no oficio já em Demerara (região da então Guiana britânica, nomeada pela alta qualidade do açúcar aí produzido). Manuel Nunes Siza teve estúdio em Barbados, W.I. (West Indies), o “Anglo-Luzo Photographic Gallery”; Manuel assinava “Nunes Siza” ou “M.N.Siza”. Henrique Nunes Siza também teve estúdio, o “Union Photographic Gallery”, igualmente em Barbados, nas ilhas das Caraíbas.
Quando Júlio Siza resolve emigrar, entre 1884 e 1897, fixa-se na Guiana Britânica (hoje Guiana), primeiro em Demerara e depois em Georgetown onde abriu o “Lusitana Photographic Gallery”, na Water Street, como podemos ler no Directório Britânico do Guiana de 1887.
Numa das suas viagens à Madeira em 1889, vai contrair o segundo matrimónio com D. Guilhermina Alves de quem terá 2 filhos. Dídio Alves Siza (Geogetown, 1890 - ?) e Ângela Alves Siza (Georgetown, 1895 – Belém do Pará 1986).
Cerca de 1897 Júlio Siza decide trocar Georgetown por Belém do Pará. O estúdio da Guiana poderá ter sido comprado pelo industrial da fotografia C.K. Jardine. Júlio Siza chegou ao Brasil a 3 de Maio de 1897, em Belém do Pará abriu estúdio na Rua do Conselheiro João Alfredo, n. º 7, a “Photographia Amazónia”. Soube recentemente que de mão em mão, a Photographia Amazónia (depois Fotografia Amazónia) durou pelo menos até aos anos 1960's. Mas ninguém sabe se conservava ou não o espólio inicial.
Apresentou trabalhos nas exposições de Londres de “1884 e 1886” e em Chicago, 1893. Foi premiado com a medalha de Bronze na Colonial and Indian Exhibition (Londres 1886) e em 1892-93 recebeu a medalha de Bronze na World Columbian Exposition, (Chicago) e em 1894 a medalha de Mérito na Berbice Industrial Exhibition.
Diploma World Columbian Exposition, 1893 Chicago
“Os Estados Unidos da América, por acto do seu Congresso, autorizaram a Comissão do Mundo Colombiano na Exposição Internacional que teve lugar na cidade de Chicago, Estado de Illinois, no ano de 1893, premiar com uma medalha pelo mérito específico descrito em baixo em nome de um júri que exerce o papel de examinador, após ter sido encontrado um grupo de jurados internacionais, a Júlio Siza, Georgetown, Guiana Britânica.”
W.F. Terry, (President of Department Committee); Alice M. Fletcher, (Individual Judge); (?), (Director General); (?), (Chairman Executive Committee of Awards); T. W. Palmer, (President, World's Columbian Commission); J. J. Dickinson, (Secretary, World's Columbian Commission).
No diploma da medalha de Mérito que recebeu em Chicago está descrita a versatilidade do fotógrafo, permitam-me expor aqui a tradução de uma parte desse documento que concerne ao trabalho do fotógrafo português:
“Esta colecção de fotografias representa as diversas raças e gentílicos da Guiana Britânica. Os chineses e os coolies, ou indianos orientais, representam as importadas classes trabalhadoras; o negro, a raça herdada dos tempos da escravatura africana; as tribos de índios da floresta, savana e costa, a etnia nativa do país; os tipos de descendentes de espanhóis, franceses, crioulos, escoceses e ingleses. A série mostra adultos e crianças e proporciona um interessante estudo das raças e das modificações climáticas. Existem imagens de habitações nativas, assim como cenas de floresta, além de testemunhos do actual e considerável desenvolvimento do país que está sob a influência dos europeus. A totalidade da colecção é um valioso contributo para a compreensão do povo da Guiana britânica, assim como do seu ambiente.”
“Fotografias que ilustram as casas, indústrias e pessoas da Guiana Britânica”
Pela descrição são as imagens reunidas num álbum com 86 fotografias que se encontra na Cambridge University Library: Royal Commonwealth Society Library. As que seguramente são de Siza representam: a High Street e a Câmara (Town Hall) de Georgetown (248x199mm); uma “vista” de uma aldeia índia nas margens do rio Masuruni, com um grupo de índios e um europeu posando em frente de uma cabana (242x191mm); uma sepultura de índio Orinoco numa clareira, com o cadáver envolto em folhas de palmeira e amarrado a um cavalete de madeira, vendo-se ainda 3 índios ao fundo (171x235mm); um acampamento de pesquisadores de ouro numa clareira, com trabalhadores europeus e da Guiana posando para o fotógrafo em frente das tendas; um homem ao fundo mostra uma bandeira inglesa (243x193mm).
Aldeia índia nas margens do rio Masuruni, com um grupo de índios e um europeu posando em frente de uma cabana (242x191mm). Fotografia de Júlio Siza. Cambridge University Library: Royal Commonwealth Society Library
Como se pode concluir estamos perante um grande fotógrafo. Acrescente-se o facto de Júlio Siza e os dois filhos Manoel e Henrique não serem os únicos portugueses fotógrafos a trabalharem naquela época na região.
Escreve Maria Cristina no blogue, Cultura Pará que: “Segundo alguns poucos e primários registros locais, o primeiro fotógrafo a chegar na Amazônia, atraído pelo exotismo da região, foi Charles Fredricks, em 1844. Depois de uma passagem conturbada, retornou em 1846 e inaugurou o 1º estúdio fotográfico, dando início a uma prática que veio confrontar o medo diante do novo, porque supunha-se que aquele invento "roubava-lhes a alma". Sem sucesso, permaneceu apenas três meses na cidade onde oferecia "em superior grau de perfeição (..) uma semelhança de seu original (...) por modicos preços".
Junto com a comitiva do Imperador D. Pedro II, que veio a Belém para a Abertura dos Portos da Amazônia ao Comércio Exterior, chegou Felipe Augusto Fidanza, que aqui se estabeleceu e se tornou o maior nome da fotografia paraense, abrindo o Photo Fidanza, maior referência na cidade, que se manteve por aproximadamente 100 anos sobressaindo-se em qualidade e solidez, não obstante os outros estabelecimentos de igual porte que já existiam no final do século, como o Photo Oliveira, inaugurado em 1884.” e também a Photographia Amazónia de Júlio Siza, não referenciada por Maria Cristina mas, da maior importância. Isso podemos constar nas imagens em postais e no álbum “Belém da Saudade”, algumas das fotografias do álbum foram reproduzidas em selos.
Teresa Siza mostrou-me ainda belíssimas fotografias que o bisavô fez da filha Ângela e dos netos. Fotografias à maneira do escritor Lewis Carroll, pseudónimo de Charles Lutwidge Dodson, (1832 – 1898) ou à maneira da fotógrafa inglesa Julia Margaret Cameron (1815 – 1879).
Júlio Siza era mais que um simpatizante da causa republicana e, talvez que tal facto não seja alheio ao seu regresso à Pátria em 1910, ano da implementação da Republica. Veio acompanhado da filha Júlia, o genro Joaquim Vieira, os 6 filhos do casal e a 2ª mulher; não há a certeza que tivessem regressado para ficar. Se pensavam regressar ao Brasil isso não aconteceu. Guilhermina faleceu no Porto em 1915 e Júlio Siza quatro anos depois em Matosinhos, em 1919. No mesmo ano da morte do pai, Manuel Nunes Siza abria ainda um pequeno estúdio a “Fotografia Ideal”, na Rua 28 de Setembro no Reducto, bairro de Belém do Pará, Brasil. Desconhecemos a data da morte de Henrique; Manoel Siza, morreu em Belém do Pará em 1938. Teresa Siza preparou recentemente uma exposição sobre a vida do fotógrafo Júlio Siza, que inaugurou em Belém do Pará, no Brasil, no dia 3 de Junho, e que está inserida numa homenagem ao Arquitecto Álvaro Siza Vieira. Trabalha também num livro sobre o fotógrafo Júlio Augusto Siza, que terá texto de Maria do Carmo Serén e que todos aguardamos impacientemente.
Este texto só foi possível graças a Maria Teresa Melo Siza Vieira Salgado Fonseca (Matosinhos, Portugal, 19 de Fevereiro de 1948). Licenciada em Filosofia, (Faculdade de Letras da Universidade do Porto, 1970); Professora efectiva do ensino secundário de Filosofia, Comunicação Social e Fotografia (1970-1977); Professora do Curso Superior de Fotografia da Árvore, Cooperativa de Ensino Superior e Artístico (1984-1989); directora do Curso (1986-1989); Directora-adjunta e comissária de exposições dos Encontros de Fotografia de Coimbra (1991-1996); Directora do Centro Português de Fotografia / Ministério da Cultura desde Junho de 1997 até 2007. Fotógrafa e autora de textos sobre crítica e história da fotografia. Obrigado Teresa.
Ângela Camila Castelo-Branco, APPh.
* V. Memórias do Cárcere de Camilo Castelo Branco, edição da Parceria A. M. Pereira, comemorativa da inauguração da sede do Centro Português de Fotografia na Cadeia da Relação do Porto (Outubro de 2001), prefácio e fixação do texto de Aníbal Pinto de Castro. Referências aos carcereiros: Nascimento (pp. 98, 195 e 435) e Guimarães (pp. 251 e 309).
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terça-feira, julho 01, 2008
Namban Japan é o nome do filme que André Godinho realizou com a Teresa Amaral
Os filmes passam no sábado dia 5 de Julho, às 22h, no anfiteatro ao ar livre dos jardins da Gulbenkian.
quarta-feira, junho 18, 2008
Edward Steichen no Ateneu Comercial do Porto
Estávamos em 1964, Edward Steichen (1879-1973) entrava-nos pela casa adentro com a exposição que comemorou em 1961 os seus 82 anos, 65 de actividade fotográfica, no Museu de Arte Moderna de Nova Iorque. Três anos passados, no Ateneu Comercial do Porto, são expostas as mesmas 163 fotografias, escolhidas entre 30 mil negativos e cópias, que constituíram o certame do MOMA. (Esta exposição esteve também na Dinamarca, Noruega, Suécia e Inglaterra).
Steichen nasceu em 1879, no Luxemburgo, filho de camponeses que emigraram para os Estados Unidos da América em 1881. Entre 21 de Outubro e 19 de Novembro de 1899 expõe, pela primeira vez, as suas fotografias no Segundo Salão de Filadélfia. Foi um dos fundadores da “The Photo-Secession” e, os seus trabalhos começam a aparecer na conhecida revista trimestral “Camera Work”.
Mais tarde, em 1902, viria a tornar-se amigo de Alfred Stiegliz e com este abriu a Gallery 291, na 5. º Avenida, onde acabaria por expor pintura e fotografia. Em 1947 é nomeado director de Fotografia do Museu de Arte Moderna de Nova Iorque, onde em 1955 é responsável pela exposição “The Family of Man”, vista posteriormente em todo o território americano e por mais de 9 milhões de pessoas em diversos países em quase uma centena de exibições.
Steichen trabalhou para os serviços fotográficos do exército americano tanto na primeira grande guerra mundial, como mais tarde já com 60 anos na segunda grande guerra mundial, onde se alistou como voluntário.
Destacou-se nas diversas correntes da fotografia que se lhe atravessaram na caminhada da vida. Em 1923 chefiou como fotógrafo na Vanity Fair e Vogue. Retratou Greta Garbo, Charles Chaplin, Rodin, Hollande Day, e muitos outros. Emotivo, procurou conseguir um lugar para a fotografia na arte.
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Solidão F. Holland Day, 1901
O fotógrafo Fred Holland Day (1864-1933) fotografado por Edward Steichen
Numa edição da Thames & Hudson “Edward Steichen Lives in Photography”, Todd Brandow & William A.Ewing, 2007, mostram-nos o que estará na exposição organizada pela Foundation for the Exhibition of Photography - FEP, Minneapolis, e o Musée de l’Elysée, Lausanne. Esta mostra já esteve no Jeu de Paume, Paris entre 9 de Outubro e 30 de Dezembro de 2007; Musée de l’Elysée, Lausane, entre 17 Janeiro e 23 de Março de 2008; Palazzo Magnani, Reggio Emília entre 12 de Abril e 8 de Junho de 2008 e finalmente, a última das 5 exibições vai estar no Museu Nacional Centro de Arte Moderna Reina Sofía em Madrid entre 24 de Junho e 22 de Setembro de 2008. Bem ao jeito de quem passar por Madrid “lugar” onde está a decorrer a Photoespaña 2008.
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Ângela Camila Castelo-Branco, APPh.
domingo, junho 08, 2008
Gérard Castello-Lopes visto por António Barreto.
Ao contrário de Fernando Pessoa, Gérard Castello-Lopes não tem heterónimos, tem vidas. Várias e sucessivas. Falo do fotógrafo, que é o que nos traz aqui, não do homem, cuja unidade parece maior e não cabe em meia dúzia de páginas. Para mal dos nossos pecados, e dos dele, espero, não nos deu tantos anos de fotografia quantos os que leva de vida adulta, como deveria ser. Começou a fotografar, em 1956, com mais de trinta anos, idade difícil para uma arte que exige candura na aprendizagem. Fotografou durante uma década, talvez menos. Depois, parou. Perdera a ousadia. Não se sentiu mais capaz de, afirmar, agredir as pessoas na rua, fotografar quem não o deseja. Tanto mais quanto considera que, naturalmente, ninguém quer ser fotografado. Em todo o caso, ninguém o quer ser de surpresa, por um estranho. Durante vinte anos, pôs de lado as Leicas. Percebe-se hoje, pelo que diz e como fotografa, que o sofrimento não o abandonou. Com, todavia, um lenitivo: estudou, pensou e amadureceu. Em meados dos anos oitenta, regressou. Para nosso bem. E dele, espero.
Os bons fotógrafos são quase todos tímidos. Conheço bastantes. Alguns são-no mesmo exageradamente. Julgo percebê-los. Fotografar substitui o acto de falar com os outros. Conhecê-los. Viver com eles. A fotografia, a imagem preservada, será o modo a que tímidos recorrem para manter uma qualquer relação com o real, congelado esteja este. Todavia, os tímidos não são grosseiros, bem pelo contrário. É, muitas vezes, a delicadeza que os fez assim. Os verdadeiros tímidos não têm medo, receiam magoar. O que quer dizer que se interessam: pelo mundo, eventualmente pelos outros. Creio que Gérard Castello-Lopes será um “grande tímido”, daqueles que esconde a insegurança na erudição e na ironia. Mas, estranhamente, fala mais do que fotografa. Escolhe as suas palavras, pesa as frases e selecciona citações. Com o mesmo cuidado com que deve separar as suas fotografias, elegendo as melhores, muito poucas, deixando sem vida a maior parte. O que há de singular, com Gérard, é que foi a timidez que o levou, não a fotografar, mas a deixar de praticar aquele que poderia ter sido o seu ofício. Esta será a primeira exposição daquele longo período de “pousio”, que aliás, preparou uma nova fertilidade. Mas há uma segunda explicação, que não sei se é dele, mas tenho por certa: o real limita a sua criação. Sempre foi. Este grande amador viu-se um dia preso pelo real, condicionado pela fotografia e fechado dentro das fronteiras do programa da “arte empenhada”. Sem necessidade de, da sua arte, fazer profissão, preferiu abandonar. Até que o mundo dos anos oitenta e uma sabedoria longamente decantada lhe fizeram ver que a criação não era pecado e que a fotografia, apesar do constrangimento essencial, permitia voar e autorizava que o espírito perdesse peso e amarras.
Gérard, cultor de paradoxos, fotógrafo parcimonioso, falador impenitente, ajudou-me involuntariamente a consolidar uma opinião que escondi durante anos: uma imagem não vale mil palavras. Nunca gostei desta invenção de manipuladores de consciências, de publicitários e de provocadores de emoções fáceis. As imagens, e conheço algumas, podem estar na origem de choques emocionais, levar-nos às lágrimas, causar-nos nojo e estimular-nos na revolta. Mas não substituem a palavra. Enriquecem-na, provocam-na e complementam-na. Dispensá-la? Nem pensar. Hoje sabe-se que a imagem, com arrogantes pergaminhos de verdade, pode ser a maior mentira de que os homens são capazes. Com a imagem se faz, desfaz e refaz a história. Mesmo as fotografias realistas, testemunhos, verdadeiras na sua realidade, fortes na sua crueldade, podem esconder mundos e outras verdades. Ou antes, escondem mesmo. De todas as guerras, de todos os regimes políticos, de todos os amores sobram fotografias que não são tudo, nem toda a verdade, nem só verdade, por vezes nem sequer verdade.
As fotografias de Gérard pedem mil palavras. As dele, de preferência, a que, com volúpia, nunca se nega. Mas também as nossas. As de quem o vê ou ouve. As de quem observa as suas imagens. As dos outros artistas. E as dos poetas. Juntem-se estas fotografias lisboetas aos poemas, não de Fernando Pessoa, mas de Alexandre O’Neill, e veremos que é o casamento feliz. Não há fusão, igualdade ou sobreposição. Há sensibilidades próximas. E uma infinita e doce ironia de que só são capazes os que não se levam demasiado a sério. Apesar da diferença e do confronto. E do conflito.
A Lisboa de Gérard é quase a Lisboa de Pessoa. Física e cronologicamente. As ruas, o estendal, as crianças, os velhos e os burgueses podem ser os mesmos. Uma ou duas décadas separam ambas. Para o tempo, era pouco. Mas estética e humanamente, a Lisboa de Gérard não é a Lisboa de Pessoa. A cidade de Pessoa é triste, como ele próprio. Irreal como o poeta. “Sem corpo”, disse-me um dia Gérard. É uma cidade que Pessoa quereria “triste e alegre”, mas que é apenas a “cidade da minha infância pavorosamente perdida” (Álvaro de Campos). Lisboa para Pessoa é “o meu lar” (Bernardo Soares). Lisboa é uma aldeia com medo de parecer cidade. Lisboa é o amor da sua memória, a memória do nunca conheceu mas inventou. Lisboa é a aldeia e o espaço que nunca teve. Lisboa é geografia inventada para um espírito sem carne. Lisboa é um heterónimo.
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A Lisboa de O’Neill é uma cidade. Como a de Castello-Lopes. Matreira e empertigada, mas cidade. Ridícula e aperaltada, com vergonha de parecer aldeia, mas cidade. Decadente, mal arrumada e com roupa a secar ao sol, mas cidade. De calcário, estuque e azulejos. De casais a passear na Baixa. De chefes de repartições com fatos de três peças. De faias e malandros. Do cego sincero e do cego que vê com olho maroto. De miúdos a jogar à bola e de cavadores diante da Torre de Belém. É a cidade que olhamos, que ambos olharam com ternura e raiva. “Que fazemos, Lisboa, os dois, aqui, na terra onde nasceste e eu nasci?” Tenho a certeza de que Gérard Castello-Lopes, ao ler este verso de Alexandre O’Neill, pensa que é consigo.
A liberdade de Castello-Lopes foi também a sua prisão. Pelo menos viveu-a como tal. Nos anos cinquenta em Portugal não se podia ser inocente. Nem a liberdade interior, refugio de tantos criadores, era possível. Ainda por cima, para alguém que queria viver com a imagem. A liberdade, nas décadas do realismo e do empenhamento político ou moral, era inseparável da solidariedade. Para ambas, o outro e os outros estavam no centro do mundo. Mas, nem todos, aliás. Não era a condição do homem que estava no centro do mundo. Mas o homem e sua condição. Quer dizer, o oprimido, o pobre, o trabalhador e o resistente. A “família do Homeme” parecia, e talvez fosse em certa medida, uma armadilha ideológica dos poderosos.
Se havia artes, letras e formas de expressão para as quais o empenhamento e o real eram difíceis ou discutíveis (a musica, a dança...), para outras, eram imediatos e necessários. Para a fotografia, era a sua essência. Naqueles tempos, o mito do real dominava. Nem tempos de certezas. A principal era real. Este bastava para denunciar as injustiças.
Por imperativo moral, por espírito do tempo e talvez porque lhe faltasse o talento da pintura, Gérard Castello-Lopes fez o seu programa de empenhado e realista. Estudou Cartier-Bresson e Eugene Smith, fez deles os seus mestres. Compreende-se agora que a eles nunca se limitou e que há, na sua fotografia, uma tensão libertadora, uma pulsão para transgredir as normas e as regras. Foi a sua primeira vida. Desempenhou-se durante aqueles poucos anos, magistralmente. São desse tempo as fotografias reunidas neste conjunto inspirado por Lisboa.
São um formidável testemunho daqueles anos portugueses. Não são documentário, que Castello-Lopes não foi jornalista. Mas são exemplo e prova da experiência social de um artista. Estas fotografias mostram já que o seu autor não está totalmente à vontade dentro de fronteiras do realismo militante. O universal espreita em cada imagem de circunstância. Em todas elas, a criação parece empurrar a realidade. Fotografar o trabalhador, o pobre, o digno oprimido ou o vilão satisfeito pode ser o mesmo que agredir o ser humano. Mas programa empenhado exige a agressão, pois permite o testemunho. O fim, nobre, vale os meios, duvidosos. O Fotógrafo rendeu-se. Abandonou a sua arte. Viveu mais de vinte anos a lutar contra o seu excepcional talento. São décadas de silêncio fotográfico. Ou de cegueira auto-infligida. Desta sua segunda vida sofremos nós: fomos esbulhados de uma obra de criação de que nunca seremos compensados. E os portugueses bem precisavam dela. Com reduzidas tradições fotográficas, com poucos talentos, com décadas de arte e cultura dirigidas (pelo Estado sobretudo, mas pela oposição também, por vezes...) e com uma eficientíssima censura do espírito, Portugal ficou pobre neste que é o modo de expressão do século XX, a imagem.
Curiosamente, o efeito não foi o de uma ressurreição mas o de um renascimento. A exposição do seu passado, permitiu-lhe romper com ele. Com uma nova linguagem e um novo programa. Deixou de agredir as pessoas. Já não sente necessidade de, pela imagem, testemunhar a condição humana. Retornou com mais liberdade, a pulsão criativa. A natureza, os objectos, a matéria, as formas e as sombras povoam as suas fotografias contemporâneas. Mas atenção: olhe-se atentamente para estas novas imagens. Os corpos ganham movimento. A luz e a sombra transformaram-se em objectos e sujeitos de desejo. A leveza e a agilidade surgem como qualidades dos pesos mais pesados e dos materiais mais inertes. Não conheço uma fotografia que não tenha um vestígio animado. Seja pela humanidade dos objectos, seja pela presença discreta, afastada, imperceptível, do indivíduo e da sua acção. Seja porque Gérard, à sua conta, decidiu animar e soprar-lhe vida. Foi possível corrigir-se, mas manteve-se sem emenda.
Gérard Castello-Lopes por António Barreto, in revista Indy de 23 de Outubro de 1998, Jornal Independente
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sábado, junho 07, 2008
Formada no ano 2000 por um grupo de cineastas e amantes de cinema, a nossa associação concebe, organiza e orienta actividades que visam levar os grupos de crianças e adolescentes nelas envolvidos a apreciar, compreender e criticar as obras que resultam da prática da arte cinematográfica.
Sempre foi convicção daqueles que se uniram para fundar esta associação que a melhor maneira de adquirir os saberes que nos propúnhamos construir passava pela aquisição de um saber fazer, ou seja privilegiando uma abordagem prática, um conhecimento decorrente da experimentação.
O arranque da nossa actividade foi possível graças ao importante apoio financeiro que a 2001 Porto Capital Europeia da Cultura nos concedeu. Com o montante que então nos foi atribuído foi possível comprar um parque de equipamento mínimo que nos iria permitir realizar a primeira série de oficinas de formação em torno do olhar sobre e através do cinema, que foram desenvolvidas em conformidade com os já citados pressupostos de aprendizagem prática.
A prossecução do trabalho iniciado em 2001 foi, e tem vindo a sê-lo desde então, viabilizada pelos subsídios que o actual ICA (ex ICAM) nos outorgou, sendo que esses subsídios cobrem exclusivamente as remunerações dos formadores das várias áreas (realização, imagem, som, montagem, produção e pedagogia de e pelo cinema) que intervieram nas quase 100 acções de
formação, de variada natureza, que até agora organizámos e orientámos.
Para clarificar os fundamentos da nossa postura, não será inútil relembrar que defendemos a ideia de que o ensino artístico deve ser ministrado por artistas - sejam eles autores ou técnicos envolvidos no trabalho de criação de autores - porque se nos afigura bastante óbvio que só eles podem preencher o desígnio dos verdadeiros professores, a saber: transformar a transmissão do saber numa relação de troca, baseada na convicção, por parte do formador, de que o formando virá a alargar os horizontes da área do conhecimento onde ambos se movem. Isto, que era convicção arriscada do filósofo Sócrates, é hoje, ainda, a nossa.
Por outro lado, a nossa vontade de agir sobre o mundo advém do radical espanto perante algo que não parece incomodar muita gente: as lacunas graves, quando não absolutas, no domínio da aprendizagem do e pelo olhar.
Num mundo supostamente moldado (e este «moldado» daria pano para mangas) pelas imagens e pela comunicação audiovisual é, de facto, pasmoso que poucos se preocupem com o aprender a ver imagens (no sentido de imagens sonoras e de imagens tempo) quando, nesse mesmo contexto, já ninguém ousa duvidar da necessidade de aprender a ler e escrever.
Regina Guimarães /Teresa Garcia
Nove jovens portugueses na Cinemateca Francesa
Em representação dos três grupos que participaram no programa pedagógico “Cinema cem anos de juventude” (num total de 54 alunos), estes jovens irão dar conta, perante centenas de participantes franceses e espanhóis, da sua experiência e de como foi o processo de trabalho na realização dos seus filmes e irão assistir à projecção e apresentação dos filmes de todos os outros participantes neste programa (de várias regiões de França e de Espanha)
A Cinemateca Francesa que conhecia o trabalho desenvolvido em Portugal desde 2001 pela associação Os Filhos de Lumière convidou-a a participar neste programa pedagógico a partir do ano lectivo 2006/2007 com uma escola portuguesa. Participaram assim nesse primeiro ano duas turmas da Escola Secundária de Serpa. A Cinemateca Portuguesa associou-se desde logo a esta iniciativa. Em 2007/2008, a Escola Secundária Passos Manuel vem se juntar ao programa e Os Filhos de Lumière contam associar uma nova escola no próximo ano lectivo.
O programa é orientado por cineastas em colaboração com professores das escolas numa reflexão conjunta sobre cinema. Alain Bergala lança no início do ano lectivo um tema e as pistas pedagógicas a desenvolver.
O tema deste ano foi: o ponto de vista no cinema. Os materiais pedagógicos entregues nesse primeiro encontro apoiam-se numa selecção de fragmentos de filmes de realizadores de diferentes épocas e estilos cujo visionamento e análise ajudam a perceber o cinema pelo lado da criação. Ao longo do ano, os jovens articulam a análise de filmes com a experimentação prática através de exercícios propostos pelos coordenadores a todos os participantes deste projecto, que culmina agora com os filmes finais.
Os cineastas que orientam este programa em Portugal e os professores que colaboram com eles ao longo do ano irão acompanhar os nove jovens e colaborar, com todos os outros participantes, no balanço anual deste programa pedagógico.
Este projecto, pioneiro em Portugal, tem o apoio financeiro do ICA-Programa VER, do Instituto Camões, da Câmara Municipal de Serpa, da Cinemateca Francesa, dos Ministérios da Cultura e da Educação de França e de diversas entidades locais em Serpa e em Lisboa.
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quarta-feira, maio 28, 2008
PhotoEspanha 2008 no Museu Colecção Berardo
UTOPIA estará patente ao público de 29 de Maio até 27 de Julho, no Museu Colecção Berardo, em Belém.
quinta-feira, maio 22, 2008
E foi a luz mágica daquela noite inesquecível nas margens do mar da Noruega que me cativou. Assim a viagem recomeçava." Renato Roque
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quarta-feira, maio 14, 2008
“Venha passar a noite com Camilo”
de 13 a 25 de Maio
Exposição
A mostra consiste na projecção de estereogramas de Emílio Biel pertencentes ao Museu de Ciência da Faculdade de Ciências da Universidade do Porto acompanhada de material do acervo do CPF designadamente uma câmara estereoscópica da colecção António Pedro Vicente, estereoscopias e visores estereoscópicos. As peças de exposição serão acompanhadas de textos explicativos que darão a conhecer o princípio da estereoscopia, o percurso profissional de Emílio Biel e também a história custodial e arquivística desta colecção. Os visitantes terão ainda a oportunidade de percepcionar as imagens com recurso a visores estereoscópicos, apercebendo-se na noção de profundidade de duas imagens justapostas.
Uma exposição do Museu de Ciência da Faculdade de Ciências da Universidade do Porto em colaboração com o CPF/DGARQ.
Estão programadas duas sessões do espectáculo, que incluirá leituras dramatizadas. A primeira sessão terá início às 21.30h e a segunda às 23.00h. Às 00:00h será servido um Porto de Honra no Átrio da actual entrada principal do edifício.
Neste dia, as instalações estarão abertas ao público das 15.00h às 02:00h. Como em qualquer época do ano, a entrada é gratuita, bem como a assistência a cada um das sessões do espectáculo. Cada sessão está sujeita a uma lotação máxima de 50 pessoas. Os interessados deverão inscrever-se no próprio dia em formulário a disponibilizar à entrada do edifício meia hora antes do início de cada sessão.
17 de Maio (Sábado) – sessões às 21.30h e às 23.00h
Para maiores de 12 anos
Fotografia Paulo Catrica
Palestra/visita ao Edifício da Ex-Cadeia da Relação do Porto
“Palácio da Relação e Cadeia do Porto: Percursos, espaços e memórias”
Pretende-se nesta Visita/Conferência recordar a história do edifício, desde os objectivos que presidiram à sua construção, à sua funcionalidade ao longo de dois séculos, enquanto cadeia e tribunal. Nesse sentido durante a visita vão percorrer-se os espaços mais significativos, evocar memórias, lembrar personagens.
Tempo previsto: 2h/2,30h
quinta-feira, maio 08, 2008
na revista Fotodigital
Mas os sonhos e a esperança duram. Se umas tentativas de criar associações de fotógrafos têm falhado, outras, aqui e ali, têm revelado uma longevidade surpreendente. O mesmo não se pode dizer sobre associações que, a nível nacional, se preocupem com a coisa fotográfica. A única que existiu, efémera, nasceu já lá vai um século depois de terem sido aprovados, a 27 de Junho de 1907 e por iniciativa de Arnaldo da Fonseca e Júlio Worm, os estatutos da Sociedade Portuguesa de Photographia. A 14 de Abril de 2007, no ano em que se assinalava o centenário dessa associação, nascia a APPh., Associação Portuguesa de Photographia. De então para cá, temos trabalhado para que os alicerces deste projecto lhe permitam longevidade.
Queríamos conhecer-nos melhor, saber o que os outros faziam, que imagens, livros, máquinas ou fotógrafos preferiam. Recordámos tempos passados, quando, há vinte ou trinta anos, era apenas um punhado deles que gostava de fotografia e se interessava pelas imagens antigas. Lembrámo-nos de que nos víamos, por acaso, nos alfarrabistas e nos antiquários. Tínhamo-nos encontrado “no Almarjão”, o Zé Maria da Livraria Histórica e Ultramarina, de Lisboa; ou “no Nuno”, o Nuno Canavês da Livraria Académica, no Porto; ou “nos Ferreiras”, Pai e Filhos, do Porto; ou “nos Trindades”, da Rua do Alecrim, em Lisboa; ou em tantos outros locais de culto e peregrinação. Verificámos que, agora, já éramos muitos, umas dezenas, que cultivavam o género e a arte. Uns fazem fotografia, outros estudam-na. Uns coleccionam imagens, outros sabem ler fotografia. Todos conhecíamos os nomes consagrados. O António Pedro Vicente, que, quase sozinho, durante décadas, presidiu a uma das melhores colecções de aparelhos fotográficos da Europa, a qual agora reside no Centro Português de Fotografia, na Cadeia da Relação, no Porto. O António Sena, em tempos proprietário e animador da galeria “Éther, só não vale tirar olhos”, em Lisboa, ulteriormente autor da principal História da fotografia portuguesa, a “História da imagem fotográfica em Portugal, 1839-1997”. O Jorge Calado, um catedrático de química, amante de música e fotografia, que nos habituámos a ler nos jornais ou em catálogos e que se tornou indispensável. O José Pessoa e a Vitória Mesquita, antigos do Arquivo Fotográfico de Lisboa e actuais do Inventário Artístico de Portugal, entre os primeiros a fazer da preservação e do restauro de imagens fotográficas a sua profissão e a sua paixão. Os irmãos Alexandre e António Ramires, pioneiros em Coimbra e que ao país dão lições de estudo e divulgação da fotografia histórica. O João José Clode, com uma das melhores e mais bem conservadas colecções. O Eduardo Nobre, coleccionador e escritor, com particular sabedoria em tudo o que é Casa Real, famílias nobres e costumes militares. O Luís Pavão, um Mestre da conservação/restauro e conhecedor como poucos da fotografia antiga. O João Loureiro, especialista em imagens e postais fotográficos ultramarinos, com pelo menos uma dezena de livros publicados. A Luísa Costa Dias, da Fototeca Municipal de Lisboa, onde tem obra feita. A Teresa Siza, fundadora e tenaz directora do Centro Português de Fotografia. A Isabel Corte Real e o Sérgio Mah, que estiveram à frente do Lisboa Photo. O José Luís Madeira, um dos veteranos destas artes e destes circuitos. O Sérgio Gomes, um dos mais novos, mas já com obra no “Público” e na “blogosfera”. Luís e Bernardo Trindade, da Potássio 4, responsáveis pelos primeiros leilões de fotografia feitos em Portugal. O José Manuel Ferreira, perito da estereoscopia fotográfica, com experiência internacional da blogosfera. António Valdemar, Paulo Catrica, Luís Saragaa Leal (PLMJ), Rita Barros, Albano da Silva Pereira (dos Encontros de Coimbra), Carmen Almeida, Rui Prata (dos Encontros de Braga); Emília Tavares (do Museu do Chiado); Silvestre Lacerda (da Torre do Tombo); Manuel Magalhães (e o Grupo Ideia e Forma); João Vilhena, Gérard Castello-Lopes, José Rodrigues, Vasco Graça Moura, José Pacheco Pereira, António Pedro Ferreira, Rui Ochoa, Eduardo Gajeiro, Paulo Nozolino, Daniel Blaufuks, Isabel Soares Alves, Maria José Palla, Nuno Borges, Delfim Sardo, Eduardo Nery, José Afonso Furtado, Marta Sicurella, Mafalda Ferro, Pedro Franco, Pedro Aguilar, Teresa Margarida Rebelo: uns juntaram-se a nós, outros gostaríamos que se juntassem também.
O inevitável sussurro começou depressa. “Não podemos ficar por aqui”! Muito depressa surgiram a palavra e o desejo: “E não deveríamos fazer uma associação, ter um local, fazer um Blogue, organizar um sítio na Internet, publicar uma revista...”? Todos queriam arranjar uma maneira de poder prosseguir o diálogo e a troca de informações e de contactos, eventualmente trocar imagens e aparelhos, mostrar as respectivas colecções, escrever sobre o que conheciam, aprender o que não sabiam. Quando uma boa ideia começa a caminhar, não é possível travá-la. Esta já deu uns passos. Acarinhada por vários entre nós, a ideia começa a ser realidade. Já existem estatutos, já são conhecidos os primeiros voluntários que querem dar o seu contributo. Já existe um Blogue que se destina, em primeira mão, a divulgar a Associação (APPh) e a sua missão. Já foi eleita uma direcção que prepara o seu trabalho, designadamente a angariação de sócios, a reflexão sobre as hipóteses de edição de uma revista / boletim, instalação de um sítio na Internet e execução de um logótipo e imagem gráfica concebidas pelo designer Henrique Cayatte. Sem esquecer outras iniciativas, nas quais meditamos, como por exemplo a organização de exposições e edições.
Gostaríamos também que a APPh viesse satisfazer uma necessidade que muitos ressentem, a de dar voz aos que querem influenciar decisões públicas e privadas sobre a fotografia em Portugal. Questões como a legislação sobre os bens patrimoniais ou os direitos de autor e de imagem; ou como sobre a actuação pública nesta área, o financiamento destas artes, a preservação do património e o ensino da fotografia nas escolas, merecem ser mais discutidas na praça. Começa a ser tempo de ver os interessados participar de modo mais eficaz nestes debates públicos. Os estatutos da associação estão aprovados. A escritura pública feita. Os primeiros corpos gerentes eleitos. Preparamos o programa de actividades. A nossa apresentação pública será feita em breve.
Angela Camila e António Barreto, APPh.













































