terça-feira, abril 28, 2009


A Photographia – Museu “Vicentes encontra-se instalada no antigo estúdio fotográfico de Vicente Gomes da Silva (1827 – 1906), que iniciou a sua actividade como retratista, por volta de [1853].
Em 1865, Vicente Gomes da Silva adquire o prédio localizado à Rua da Carreira e aí constrói o seu “atelier fotográfico”.

Entre Dezembro de 1886 e Agosto de 1887, Vicente Gomes da Silva e já sob a direcção de seu filho Vicente, Júnior (1857-1933), são realizadas obras de ampliação do antigo “atelier”. Edifício que se mantém até aos nossos dias, e constituindo, deste modo, um ex-líbris da arquitectura dos “ateliers” fotográficos do século XIX.

Ao longo dos tempos passaram pelo estúdio, quatro gerações da Família “Vicentes” que transmitiram, sempre, às gerações seguintes “a arte de fotografar”.
A 13 de Junho de 1979, o Governo da Região Autónoma da Madeira adquire todo o recheio do estúdio da “Photographia Vicente”, adaptando o espaço para aí instalar uma unidade museológica.

A 22 de Março de 1982 abre ao público a Photographia – Museu “Vicentes” com o recheio do estúdio, que inclui cenários, máquinas fotográficas, livros relativos às técnicas fotográficas, mobiliário de “atelier”, cerca de 400 mil negativos datáveis entre 1870 e 1978 e que se encontram registados em 47 livros, constituindo uma riquíssima fonte histórica das actividades comerciais, de visitantes ilustres que passaram pela Ilha da Madeira e também, para o estudo de genealogias de Famílias Madeirenses.
Desde a abertura ao público, que o acervo da Photographia – Museu “Vicentes” tem vindo a ser enriquecido com aquisições e doações de colecções de fotógrafos profissionais e de amadores. Actualmente, o seu arquivo fotográfico ascende a cerca de 800 mil negativos.
Consta, também, do acervo da Photographia – Museu “Vicentes” um núcleo museológico dedicado ao Cinema, fazendo parte o espólio da antiga “Delegação de Turismo da Madeira” e actual Direcção Regional de Turismo.
O imóvel onde está instalada a Photographia – Museu “Vicentes” foi classificado como património de “valor cultural regional” pela Resolução n.º 78/91 de 24 de Janeiro, com conversão efectuada pela Portaria n.º 34/2004 de 1 de Março, de “imóvel de interesse público”.

Director:Maria Helena Araújo

Morada:Rua da Carreira, 43 – 1º
Apartado 3489001 – 904 Funchal – Madeira
Tel: (00 351) 291 22 50 50
.

sábado, abril 25, 2009

Lisboa, 1858


Exposição na Torre do Tombo


Albumina de Amédée Lemaire de Ternante. Lisboa, 1858. Colecção Alcídia e Luís Viegas Belchior (© CPF ANTT/MC)

.
O Arquivo Nacional da Torre do Tombo apresenta até 12 de Junho de 2009 uma exposição Fotográfica sobre Lisboa em 1858, do pintor e fotógrafo francês Amédée Lemaire de Ternante que veio a Portugal integrado na comitiva da rainha D. Estefânia por ocasião do seu casamento com D. Pedro V.
Esta mostra representa um dos mais antigos e mais ricos conjuntos de imagens fotográficas da Capital.
Este conjunto de albuminas constitui uma verdadeira reportagem das ambiências lisboetas, com particular incidência nos aspectos do património edificado, como por exemplo: a Torre de Belém, os Jerónimos, o Aqueduto das Águas Livres, o Paço das Necessidades, mas também vistas gerais da cidade e dos seus habitantes, que com os seus usos e costumes tão bem caracterizam a Lisboa de meados do século XIX.
A mostra suscitará olhares diversos do historiador, do urbanista ou do curioso dessa outra identidade que muitas vezes desbaratamos. Mas também do esteta, pois aqui e ali, certas composições falam bem do modo como o seu autor encarava o registo fotográfico.
Este conjunto de imagens pertence ao Centro Português de Fotografia e integra a excelente colecção Alcídia e Luís Viegas Belchior, adquirida em 2006 com o patrocínio do Banco BPI e de Hipermercados Continente SA. A sua exposição no Arquivo Nacional da Torre do Tombo teve o apoio mecenático da Lusitânia Companhia de Seguros.
Em complemento com as imagens produzidas por Ternante serão também apresentadas algumas provas de época, com recurso a diferentes processos fotográficos (papel salgado, albumina, cianotipo) que nos mostram a Torre de Belém e o Palácio das Necessidades, locais emblemáticos de Lisboa, associados à vida de D. Pedro V, pertencentes à Colecção Castilho, do Arquivo Nacional da Torre do Tombo.
Está também patente o original do tratado de Casamento de D. Pedro V com D. Estefânia.

sexta-feira, abril 10, 2009

Arquivo Universal em Exposição no Museu Berardo


.
Exposição "Arquivo Universal".
.

.
"Crianças mineiras", E.U.A. Fotógrafo Lewis Hine.
.
.
Fotografias de Dorothea Lange para o projecto da F.S.A.
.
.
Efeitos da depressão económica no sudeste dos Estados Unidos, em 1929.
.

.
"The Family of Man".
.

.
.


.
Premissas revolucionárias do realismo fotográfico.
.









.
Guerra da Crimeia. Um fantástico conjunto de albuminas de Roger Fenton.
.
.
"Nestes últimos cem anos, a história da arte, cujo sentido tem escapado ao entendimento dos especialistas tem sido a história daquilo que pode ser fotografado." André Malraux, 1951
.
.







"A fotografia - e talvez apenas ela - é capaz de lidar com os aspectos complicados e interrelacionados do nosso ambiente moderno e de apresentar de forma adequada." Lewis Mumford, 1934.
.
.
Voltaremos a esta exposição.

sábado, dezembro 13, 2008

"O Livro Vermelho de Um Fotógrafo Chinês"


.


.
Li Zhensheng passaria a maior parte da sua vida numa província, Heilongjiang, torturada pela guerra, pela anexação e pela revolta. Acabaria por tornar-se o território modelo da revolução chinesa. E, nos 18 anos que trabalha como fotojornalista no jornal Heilongjiang Daily, em Harbin, esse sentimento revolucionário faz parte das suas fotografias.Fotografias que, vivendo, acima de tudo, a Revolução Cultural e a indefectível admiração por Mao Tsé Tung, nos dão a dureza inflexível dos movimentos populares esquerdistas que se assumem como controladores da moral revolucionária a partir das máximas e instruções do líder fundador, acumuladas nesse almanaque de vida que foi o “Livro Vermelho”.A consciência do fotógrafo reside, como bem sabemos, no valor ético e estético que empresta às suas imagens. E Li Zhensheng, que suportou as contenções de vida revolucionária, que teve de aceitar a manipulação das suas imagens, que acabou por ser vítima das Brigadas Vermelhas a que pertencia com orgulho e que foi obrigado a sujeitar-se ao trabalho forçado de uma escola de reeducação, escondeu e guardou num esconderijo do soalho, os negativos e as notas de todas as suas imagens.As fotos são o próprio fotógrafo. Talvez por isso mesmo, se aqui vemos as execuções arrepiantemente metódicas e assistidas por multidões onde nos fere o silêncio dos justiceiros, é nas frequentes fotos de humilhação dos revisionistas, culpados de egoísmo financeiro ou desvio revolucionário que a nossa dor e o nosso espanto se vão ancorar.A Revolução Cultural foi um mito de muita esquerda ocidental e entusiasmou a contracultura. Trouxe-nos os kispos de nylon baratos, as camisas à Mao, os workshops de cultura de rua. Trouxe-nos, acima de tudo, uma China que parecia feliz e muito jovem, construindo um país com o Livro Vermelho e a ciência dos estudantes dos cursos médios, esses guardas vermelhos que Mao agraciou. Com as imagens de Li Zhensheng a humilhação inútil substitui a intransigência, a simulação do mito destrói a fé.
.
.







.
.
.
.
.

.
.






.
.


.




.
.


.




.
.
.
.
.






.
.
.








.


.




.
.


.
.
.


.


.
.
.
.
.
.
.





.
.




.
.
.


.



.




.









.
Li Zhensheng nasceu em 22 de Setembro de 1940 em Dalian, na província de Liaoning, no nordeste de China. Aos três anos fica órfão de mãe. O seu meio-irmão, que se tinha alistado nas fileiras do exército de Mao, morre em combate em 1949, aos dezassete anos, um mês antes do fim da guerra civil. O pai, cozinheiro num barco a vapor, torna-se agricultor e Li trabalha no campo a seu lado até aos dezasseis anos.
Embora tendo iniciado tardiamente a sua escolarização, rapidamente se destaca como um dos melhores alunos. Graças à sua perseverança consegue entrar na escola de cinema Changchun, na província de Jilin. Quando esta é convertida ao papel «socialmente mais útil» de escola de fotojornalismo, os protestos de Li levam a que seja transferido para o nordeste do país, província de Heilongjiang, para fotografar documentos científicos. É também a sua força de vontade que lhe permite conseguir um lugar de fotógrafo no Diário de Heilongjiang, de Harbin, em 1963. O Movimento de Educação Socialista envia-o novamente para zonas rurais, onde permaneceu por dois anos, para conviver com os camponeses e estudar o pensamento de Mao.
Regressado a Harbin, na primavera de 1966, a Grande Revolução Cultural Proletária está prestes a eclodir. A falta de material, os guardas vermelhos, que desde logo representaram uma ameaça e as pressões políticas que proibiam as imagens «negativas» levaram-no a, por prudência, não ser mais que um banal propagandista. Mas a realidade será outra, a sua perspicácia permite-lhe perceber de imediato a vantagem de possuir uma braçadeira de imprensa, e funda o seu próprio grupo rebelde no seio do jornal. No apogeu da Revolução Cultural, é objecto, tal como muitas das pessoas por si fotografadas, da crítica pública dos seus colegas e rivais, regressando ao campo em Setembro de 1969. Desta vez é «reeducado» na Escola 7 de Maio de Liuhe, onde passará dois anos a executar as tarefas mais penosas. A sua mulher, Zu Yingxia, que também trabalha no jornal, partilha da mesma sorte.
Li decide prudentemente esconder os seus negativos politicamente controversos sob o soalho do seu apartamento, onde ficam a salvo durante muito tempo, até muito depois de Li regressar ao serviço no Diário de Heilongjiang, cujo departamento fotográfico passa a dirigir em 1972. Dez anos depois muda-se com a família para Pequim, onde se dedicará à docência no Departamento de Jornalismo do Instituto Internacional de Ciências Políticas da Universidade de Pequim, até à sua reforma em 1996.
Em 2003 Robert Pledge publica o livro “Red-Color News Soldier” (Phaidon) e a Contact Press Images produz a exposição homónima.
Actualmente Li Zhensheng vive entre Pequim e Nova Iorque.


.