sábado, dezembro 13, 2008

"O Livro Vermelho de Um Fotógrafo Chinês"


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Li Zhensheng passaria a maior parte da sua vida numa província, Heilongjiang, torturada pela guerra, pela anexação e pela revolta. Acabaria por tornar-se o território modelo da revolução chinesa. E, nos 18 anos que trabalha como fotojornalista no jornal Heilongjiang Daily, em Harbin, esse sentimento revolucionário faz parte das suas fotografias.Fotografias que, vivendo, acima de tudo, a Revolução Cultural e a indefectível admiração por Mao Tsé Tung, nos dão a dureza inflexível dos movimentos populares esquerdistas que se assumem como controladores da moral revolucionária a partir das máximas e instruções do líder fundador, acumuladas nesse almanaque de vida que foi o “Livro Vermelho”.A consciência do fotógrafo reside, como bem sabemos, no valor ético e estético que empresta às suas imagens. E Li Zhensheng, que suportou as contenções de vida revolucionária, que teve de aceitar a manipulação das suas imagens, que acabou por ser vítima das Brigadas Vermelhas a que pertencia com orgulho e que foi obrigado a sujeitar-se ao trabalho forçado de uma escola de reeducação, escondeu e guardou num esconderijo do soalho, os negativos e as notas de todas as suas imagens.As fotos são o próprio fotógrafo. Talvez por isso mesmo, se aqui vemos as execuções arrepiantemente metódicas e assistidas por multidões onde nos fere o silêncio dos justiceiros, é nas frequentes fotos de humilhação dos revisionistas, culpados de egoísmo financeiro ou desvio revolucionário que a nossa dor e o nosso espanto se vão ancorar.A Revolução Cultural foi um mito de muita esquerda ocidental e entusiasmou a contracultura. Trouxe-nos os kispos de nylon baratos, as camisas à Mao, os workshops de cultura de rua. Trouxe-nos, acima de tudo, uma China que parecia feliz e muito jovem, construindo um país com o Livro Vermelho e a ciência dos estudantes dos cursos médios, esses guardas vermelhos que Mao agraciou. Com as imagens de Li Zhensheng a humilhação inútil substitui a intransigência, a simulação do mito destrói a fé.
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Li Zhensheng nasceu em 22 de Setembro de 1940 em Dalian, na província de Liaoning, no nordeste de China. Aos três anos fica órfão de mãe. O seu meio-irmão, que se tinha alistado nas fileiras do exército de Mao, morre em combate em 1949, aos dezassete anos, um mês antes do fim da guerra civil. O pai, cozinheiro num barco a vapor, torna-se agricultor e Li trabalha no campo a seu lado até aos dezasseis anos.
Embora tendo iniciado tardiamente a sua escolarização, rapidamente se destaca como um dos melhores alunos. Graças à sua perseverança consegue entrar na escola de cinema Changchun, na província de Jilin. Quando esta é convertida ao papel «socialmente mais útil» de escola de fotojornalismo, os protestos de Li levam a que seja transferido para o nordeste do país, província de Heilongjiang, para fotografar documentos científicos. É também a sua força de vontade que lhe permite conseguir um lugar de fotógrafo no Diário de Heilongjiang, de Harbin, em 1963. O Movimento de Educação Socialista envia-o novamente para zonas rurais, onde permaneceu por dois anos, para conviver com os camponeses e estudar o pensamento de Mao.
Regressado a Harbin, na primavera de 1966, a Grande Revolução Cultural Proletária está prestes a eclodir. A falta de material, os guardas vermelhos, que desde logo representaram uma ameaça e as pressões políticas que proibiam as imagens «negativas» levaram-no a, por prudência, não ser mais que um banal propagandista. Mas a realidade será outra, a sua perspicácia permite-lhe perceber de imediato a vantagem de possuir uma braçadeira de imprensa, e funda o seu próprio grupo rebelde no seio do jornal. No apogeu da Revolução Cultural, é objecto, tal como muitas das pessoas por si fotografadas, da crítica pública dos seus colegas e rivais, regressando ao campo em Setembro de 1969. Desta vez é «reeducado» na Escola 7 de Maio de Liuhe, onde passará dois anos a executar as tarefas mais penosas. A sua mulher, Zu Yingxia, que também trabalha no jornal, partilha da mesma sorte.
Li decide prudentemente esconder os seus negativos politicamente controversos sob o soalho do seu apartamento, onde ficam a salvo durante muito tempo, até muito depois de Li regressar ao serviço no Diário de Heilongjiang, cujo departamento fotográfico passa a dirigir em 1972. Dez anos depois muda-se com a família para Pequim, onde se dedicará à docência no Departamento de Jornalismo do Instituto Internacional de Ciências Políticas da Universidade de Pequim, até à sua reforma em 1996.
Em 2003 Robert Pledge publica o livro “Red-Color News Soldier” (Phaidon) e a Contact Press Images produz a exposição homónima.
Actualmente Li Zhensheng vive entre Pequim e Nova Iorque.


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quarta-feira, dezembro 10, 2008

40 Cartazes em exposição.



O belga Michel François mostra em Lisboa enormes cartazes em painéis de publicidade (mupis) com uma imagem expressamente feita para esta exposição que poderá ser vista no Centro de Arte Moderna da Fundação Calouste Gulbenkian. Aqui poderá ver 40 cartazes cujas fotografias foram obtidas entre 1994 e 2008. Michel François, de 52 anos, contou com a colaboração de um outro artista belga, Richard Venlet, na concepção dos dispositivos de apresentação dos cartazes. A exposição pode ser visitada na Sala de Exposições Temporárias do Centro de Arte Moderna José de Azeredo Perdigão até 22 de Fevereiro de 2009.























terça-feira, novembro 11, 2008

Rita Barros

Hoje às 19:00 horas na Galeria Pente 10
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terça-feira, outubro 07, 2008

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João Cutileiro na Galeria P 4
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segunda-feira, setembro 15, 2008

terça-feira, agosto 05, 2008

Impressões do Oriente
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De Eça de Queiroz a Leite de Vasconcelos
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Na próxima quinta-feira dia 14 de Agosto, o Museu Nacional de Arqueologia (MNA) vai estar aberto à noite, pelo que aconselhamos uma visita à exposição intitulada “Impressões do Oriente. De Eça de Queiroz a Leite de Vasconcelos“. Quatro museus nacionais de Lisboa vão passar a abrir as suas portas em horário nocturno, todas as quinta-feiras até às 23h00, durante este Verão, no âmbito do projecto "5.as à Noite nos Museus. Verão 2008", apresentado esta segunda-feira pelo Instituto dos Museus e da Conservação (IMC). Entre 17 de Julho e 4 de Setembro, o Museu Nacional de Arte Antiga (MNAA), o Museu Nacional do Azulejo, o Museu Nacional de Arqueologia e a Casa-Museu Anastácio Gonçalves vão estar abertos, cada um, duas quintas-feiras com uma programação própria que inclui exposições, visitas-guiadas, ateliers, cinema, concertos e animação.
A exposição "Impressões do Oriente" insere-se nas comemorações do 150º aniversário do nascimento de José Leite de Vasconcelos, fundador e primeiro director do MNA. A exposição inaugurou no dia 7 de Julho e estará aberta ao público até 31 de Dezembro de 2008. A mostra é composta essencialmente por um espólio de fotografias adquiridas pelo Estado português, integradas na Divisão de Documentação Fotográfica do Instituto dos Museus e da Conservação, com albuminas de grandes fotógrafos como o francês Félix Bonfils (1831-1885)
ou Hippolyte Arnoux (activo entre 1860 e 1890), Zangaki (1880-1899) e do editor Ferrier & Soulier algumas reproduções de negativos em vidro. Podemos ver ainda reproduções de monumentos e paisagens do Egipto feitas a partir de estereoscopias em vidro adquiridas por Carlos Relvas nas suas deslocações a Paris. Os organizadores da exposição entenderam dar uma dimensão nacional ao evento, apresentando apontamentos de viagem feitos por Eça de Queirós em 1869 quando o escritor visitou o país a propósito da abertura do Canal de Suez, assim como os que Leite de Vasconcelos fez em 1909 quando assistiu ao Congresso de Arqueologia do Cairo. Para além disso, o público poderá ver algumas peças trazidas do Médio Oriente por Leite de Vasconcelos, que se encontram hoje integradas na colecção do MNA.

quinta-feira, julho 31, 2008

José M. Rodrigues - Antologia Experimental



José M. Rodrigues é representado pela Galeria Pente 10 - Fotografia Contemporânea, Travessa da Fábrica dos Pentes, 10, 1250-106 Lisboa. Tel. - 91 885 15 79 info@pente10.com http://www.pente10.com/
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segunda-feira, julho 21, 2008


Lisboa S.O.S.
"... é um blogue de cidadãos preocupados com o estado de degradação de Lisboa. Não tem partidos, ideologias ou outras intenções que não sejam fazer de Lisboa uma cidade melhor. Pela força do hábito, muitos lisboetas já nem reparam no estado de degradação dos espaços públicos da sua cidade. Este é um blogue contra essa distracção. Mostraremos aqui imagens recolhidas por toda a cidade e pedimos aos leitores que nos façam chegar as suas próprias fotografias, com a menção do local onde foram captadas, para o endereço lisboasos@yahoo.com."




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terça-feira, julho 15, 2008



mulheres carnais
mulheres mitológicas

Flor Garduño, mulher fantástica


Mulher fantástica, Flor Garduño está na Pente 10 – Fotografia Contemporânea com trabalhos que visitam lendas e mitologias femininas. Flor já esteve em Portugal a convite do CPF em Dezembro de 2007 com “Testemunhos do Tempo”. Flor está de regresso ao nosso país, a convite de Catarina Ferrer e Pedro Lopes Vieira, para expor num novo espaço de fotografia na capital, a Pente 10, porque se situa no n.º 10 da Travessa da Fábrica dos Pentes, entre a Rua da Artilharia Um e o Jardim das Amoreiras. A fotógrafa mexicana mostra-nos, em “Mujeres Fantásticas”, as mulheres para além do erotismo e denuncia o seu conhecimento e interesse por outras artes como a literatura, a pintura e a música.




A Pente 10 tem vindo a editar um pequeno catálogo que acompanha as exposições, foi assim com “Elementos” de José M. Rodrigues e com o trabalho de Miguel Santos, "Love Forbids Us To Love" agora, Teresa Siza assina o texto de “Mujeres Fantasticas” de Flor Garduño, 3 edições de qualidade que espelham a seriedade e a aposta na qualidade. Na exposição pode ainda adquirir algumas das edições da fotógrafa e ouvir uma entrevista conduzida por Sérgio Gomes onde Flor Garduño fala sobre: mulheres carnais, mulheres mitológicas, liberdade para ver, preso à nudez, esconder o olhar, fugir ao tempo, representar a mulher, Manuel Álvarez Bravo e espinhos são sofrimento?




Manuel Álvarez Bravo





os espinhos são sofrimento?

Agradecimentos à Pente 10 e especialmente a Catarina Ferrer por ter permitido a divulgação da entrevista a Flor Garduño no Grand Monde e no Blog da APPh. – Associação Portuguesa de Photographia..


Para ver até 9 de Agosto de 2008
3.ª a Sábado das 11:00 às 19:00
Travessa da Fábrica dos Pentes n.º 10
Metro Rato
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