quarta-feira, janeiro 16, 2013

Livros de fotografia



Primitifs de la photographie

Le calotype en France (1843-1860)
Dirigé par Sylvie Aubenas
Préface de Bruno Racine
Contributions de Archives nationales
Autres contributions de Paul-Louis Roubert, Sylvie Aubenas
Editora Gallimard

quinta-feira, janeiro 10, 2013

Maçã de Darwin, macaco de Newton


João Maria Gusmão e Pedro Paiva começaram a trabalhar em conjunto em 2011, não somente em produções artísticas, mas também em projetos editoriais, das suas apresentações destacam-se a série "Eflúvio magnético" e "Abissologia - para uma ciência transitória do indiscernível", assim como exposições individuais realizadas em Noruega, Itália, França, Alemanha, Espanha, entre outros.

Exposição de fotografia na Galeria Fonseca Macedo.

sábado, janeiro 05, 2013

Crosswalk.

Rua do Ouro, Lisboa.
Fotografia Ângela Camila Castelo-Branco

quarta-feira, dezembro 19, 2012

SMELL OF TIGER PRECEDES TIGER





SMELL OF TIGER PRECEDES TIGER
 de André Príncipeé um diário de viagem existencialista. André Príncipe viajou de Lisboa a Tóquio por terra e mar, com um desejo de escapar, de ir para longe. O desconforto e alienação iniciais desaparecem à medida que os bares vazios e os quartos de hotel são substituidos por janelas de comboios e a vastidão do deserto, e regressam com o proximidade das grandes cidades Asiáticas. A sequência foi concebida de forma a ser lida da direita para a esquerda, assim como da esquerda para a direita, expressando o aspecto circular da viagem.



"Quatro livros em dois anos e André Príncipe não acabou de atravessar o mundo visível à procura de ordenar os segredos.." Philippe Azoury













sexta-feira, dezembro 07, 2012

Seminário - Benjamin e a obra de arte


Porta33
Seminário por António Guerreiro
WALTER BENJAMIN E A OBRA DE ARTE – EM TORNO DE UMA ESTÉTICA BENJAMINIANA
20 a 21 de Dezembro de 2012, das 20:30 às 23:30 horas 

22 de Dezembro, 10:30 às 13:00 / das 15:00 às 17:30 horas
As formulações, os princípios e as categorias que nos permitem falar de uma estética de Walter Benjamin não tiveram desenvolvimento sob a forma de uma obra coerente, de um tratado. Essa estética, que só pode ser reconstruída a partir de um conjunto muito variado de reflexões sobre a arte e a literatura, em momentos diferentes da sua obra, desenvolveu-se sobretudo em resposta às questões colocadas pela modernidade e pelas novas formas de experiência a que esta deu origem. A atenção do filósofo esteve sempre muito mais virada para a "obra de arte" do que para a estética e a filosofia da arte. No entanto, o seu contributo para a superação das categorias da estética clássica e romântica é valioso e alguns dos seus conceitos (por exemplo, o de declínio da aura) tornaram-se pregnantes no modo de entender a arte moderna e as vanguardas, na sua relação com uma história material e política.
Nota biográfica
António Guerreiro, ensaísta e crítico literário no semanário "Expresso", é autor de O Acento Agudo do Presente [Prémio de Ensaio P.E.N. 2000, Cotovia] e editou com Olga Pombo e António Franco Alexandre, Enciclopédia e Hipertexto. Fundou com José Gil e Silvina Rodrigues Lopes a revista Elipse. Walter Benjamin e Aby Warburg são os autores a que tem dedicado nos últimos anos o seu trabalho de investigação. Com a Porta 33, António Guerreiro colaborou na apresentação dos livros Cântico dos Cânticos, com José Tolentino Mendonça, Ilda David e Alexandre Melo, [Museu de Arte Sacra, 1997] e O Lugar do Poço, com Rui Chafes e João Miguel Fernandes Jorge, [Porta 33, 1998]; participou no seminário Identidade(s): Nada, Tudo, Alguma Coisa, com Paulo Pires do Vale, José Tolentino Mendonça e João Barrento [Porta 33, 2011] e, em Agosto de 2012, ministrou o seminário Aby Warburg — Imagem, Memória e Cultura.

quinta-feira, novembro 22, 2012

In memoriam - Vitor Wladimiro Ferreira (27/06/1934 - 22/10/2012)

Pai Vitor, Lourenço Marques 1973.
Fotografia de Ângela Camila Castelo-Branco

quarta-feira, novembro 07, 2012

Retratos de Lisboa.

Fundação Calouste Gulbenkian, Lisboa 2012
Fotografia Ângela Camila Castelo-Branco

segunda-feira, outubro 29, 2012

domingo, outubro 14, 2012

Prisma da semana - Lisboa, Tejo e tudo.

Cais das Colunas, Lisboa
Fotografia Ângela Camila Castelo-Branco

sábado, setembro 29, 2012

Exposição de fotografias “BLUE MUD SWAMP”, de Filipe Casaca.


A Galeria Pente 10 – Fotografia Contemporânea inaugura no dia 2 de Outubro, terça-feira, às 19h00, a exposição “Blue Mud Swamp” de Filipe Casaca. Será lançado o livro Blue Mud Swamp, edição conjunta entre o autor e a galeria Pente 10.

A exposição consiste numa série de 20 fotografias a cores, realizadas em Dalian, China, em 2011, com o apoio de uma Bolsa de Criação Artística da Fundação Calouste Gulbenkian.

Dalian encontra-se entre as melhores cidades para se viver na China”, o que a eleva a um patamar promissor. A costa quente e húmida é um postal que atrai e convida o Homem a fixar-se onde a terra encontra o Mar Amarelo. A realidade é, no entanto, dissonante. Apesar estar rodeada de belezas naturais, de praias e de lugares destinados ao entretenimento, a cidade transmite no seu conjunto uma sensação de artificialidade, para o qual contribuiu a construção desenfreada de infra-estruturas associadas a um estilo de vida cosmopolita. Em alguns casos a abundância gerou uma certa degradação e abandono. Com um esplendor que nos remete para um passado recente, paira aqui uma certa melancolia, como acontece em tudo o que era novo, colorido e perfeito, mas que não foi cuidado, perecendo com o passar do tempo.

“Que memória tenho desta cidade? A fluidez do mar; a inconstância ao longo da orla marítima; a vivência dos seus estímulos aparentemente ʻsublimesʼ, que aqui atraem a presença do Homem; a de ser um ʻparaíso artificialʼ. Ali, observei comportamentos e símbolos que me levaram a uma reflexão pessoal sobre os seus significados.”, Filipe Casaca

Filipe Casaca nasceu em Lisboa, em 1983. Frequentou a Faculdade de Belas Artes em Artes Plásticas - Escultura e o Instituto Português de Fotografia. Em 2008 expôs na galeria P4 a série “Telegrama”. No mesmo ano desenvolveu “Habitats” em parceria com José Ribeiro, doente e artista do Hospital Júlio de Matos, que integrou uma exposição colectiva no Pavilhão 28 (P28). Em 2009 foi seleccionado para os Encontros de Imagem de Braga. Em 2010 expôs na K-Galeria “a minha casa é onde estás”. Em 2011 expôs na galeria Pente 10 a série “a minha casa é onde estás”, em simultâneo com o lançamento do livro do mesmo nome, edição do autor. Frequentou a residência artística - Artist in Residence Yamanashi (AIRY), no Japão. Obteve o apoio de uma Bolsa de Criação Artística da Fundação Calouste Gulbenkian. Filipe Casaca está representado em várias colecções públicas e privadas, como BES ART – Colecção Banco Espírito Santo e no Kiyosato Museum of Photographic Arts (KMoPa), no Japão.

Filipe Casaca “Blue Mud Swamp” Pente 10
Travessa da Fábrica dos Pentes, 10 (ao Jardim das Amoreiras) 
1250-106 Lisboa catarina@pente10.com
www.pente10.com 
Tel. 91 885 15 79 
Inauguração terça-feira, 2 de Outubro, às 19H00. 
A exposição estará patente até 22 de Dezembro de 2012 
Horário: 3a a Sábado, 15H00 às 19H00 
Metro: Rato


segunda-feira, setembro 17, 2012

The History of 20th Century European Photography



Apresentação do projecto editorial

THE HISTORY OF 20TH CENTURY EUROPEAN PHOTOGRAPHY – Vol1
www.historyofphotography.eu

Conversa com Michaela Bosakova (Fotofo de Bratislava) e Emília Tavares

Lançamento do 1º volume de 1900-1938
(inclui ensaio sobre Portugal)

3ª feira | 18 Setembro | 18h |Auditório FBAUL
Faculdade de Belas-Artes da Universidade de Lisboa
Largo da Academia Nacional de Belas-Artes
1249-058 Lisboa 

domingo, agosto 26, 2012

Fotografias de António Barreto na revista Egoísta.


Revista Egoísta, edição de Junho de 2012


Deserto do Sara, Argélia 1973


Imagens Perdidas
Fotografias de António Barreto

Selecção e organização de Ângela Camila Castelo-Branco


        Há propostas de trabalho que nos atraem, mas inquietam. Patrícia Reis, na sua persistente vontade de surpreender, resolveu quebrar os preceitos habituais de formato de publicação da revista Egoísta, decidindo que a edição de Junho de 2012 seria redonda como a Terra. No seguimento da apresentação de um outro portefólio de fotografias de António Barreto, realizado para a revista anual da Fundação Eugénio de Almeida (América’78 - Kodachromes de António Barreto), a editora desafiou o fotógrafo a contribuir com um conjunto de 12 imagens para o número 49 da Egoísta, sob o tema “Noite”.


Se o tema, dado a múltiplas interpretações, permitia fazer correr livremente a imaginação, já o formato da publicação desestruturava, a priori, toda a lógica de concepção e enquadramento concebido no acto fotográfico. A fotografia, enquanto  resultado de um espaço figurativo perspectivado pelo fotógrafo, obedece também a uma organização que é limitada pelo plano focal do aparelho. Captamos imagens através de visores de vários formatos: rectangulares, quadrados ou redondos. Na ausência de manipulação, seja por distorção, sobreposição de negativos, montagem, ou intervenção do Photoshop,  o resultado final é sempre confinado a dois formatos: quadrado e rectângulo; redondo é que nunca, se exceptuarmos os primeiros rolos da Kodak ou as fotografias obtidas a partir das câmaras Pinhole.

Apesar de ter presente que o olhar do fotógrafo constitui o essencial do acto fotográfico, seleccionar e organizar um conjunto coeso, que obedecesse ao critério atrás descrito, proporcionou discussão e obrigou a uma reinterpretação das imagens. Uma tarefa trabalhosa e entusiasmante, tanto mais que António Barreto participou e teve sempre voz activa na decisão da escolha final.

O presente conjunto de fotografias respeita uma narrativa evolutiva em diversos momentos e situações da actividade humana. Nem sempre aquela mudança resulta no desaparecimento de uma actividade, quase sempre evidencia a transformação ou adaptação da mesma a uma outra realidade. O fotógrafo mostra-nos a agricultura, o comércio, o trabalho, o pão que nos chega à mesa e o lazer, em especial a terra da qual tudo podemos esperar: a aridez oxidada dos desertos, a passividade com que é rasgada e preparada para receber as sementes, a generosidade com que nos recompensa nas colheitas.

As 12 fotografias aqui intencionalmente geminadas, procuram mostrar “Imagens Perdidas”. São fragmentos de vidas e rotinas dispersas no tempo, intemporais portanto mas, apesar de tudo, imagens que se sentem à vontade no presente. Assim, o homem montado num jumento transportando folhas de palma, segue o seu caminho pelas areias do deserto, indiferente à estrada de asfalto que o ladeia (M’zab, Argélia 1973). Por ventura, a sua resistência ultrapassa a das modernas viaturas, cujas carcaças sucumbem à areia dos desertos, como testemunha o esqueleto de um “carocha” no deserto do Sara, fotografia do mesmo ano na Argélia. Ainda no norte de África, e daí para o sul da Europa, apenas dois anos separam a fotografia do costureiro “berbere”, que ganha a vida com uma máquina de costura em Beni Esguen, da fotografia em Lisboa onde conversam à janela de um primeiro andar do número 141 da Rua Augusta os alfaiates da Eugénio de Moraes, Lda.

Das vindimas no Douro ao casal que semeia na Beira Litoral, a agricultura sempre presente, imagens marcantes de um país que, contudo ainda hoje importa quase metade dos produtos alimentares que consome. Com o olhar fixo na câmara de António Barreto, o vendedor de alhos, em Ponta Delgada, é observado com espanto por um rapaz descalço que calcorreia a calçada negra da cidade com a mesma vivacidade com que os meninos em Argel se apressam a levar o pão para a mesa que os espera. Em Angra do Heroísmo, ao olharmos com uma certa nostalgia a fachada do Café Atlântico, distribuidor de espumantes e vinhos das Caves Monte Crasto, esquecemos que os líquidos que a boca pede são fruto de trabalho árduo suportado por homens que, até ao fim do ciclo da vindima, podaram, enxertaram, cavaram, colheram e transportaram às costas os cestos carregados com 60 quilos de uva.

Trinta a quarenta anos nos separam destas fotografias que parecem fazer parte de uma realidade longínqua. Mudaram os transportes, substitui-se a força braçal pelas máquinas, intensificou-se a produção, alargaram-se fronteiras... Para melhor ou pior, em continua batalha de criatividade, o engenho e a arte do homem transformaram a natureza!

Ângela Camila Castelo-Branco


M' zab, Argélia 1973



      Douro 1975                   Beira Litoral, ca. 1975


      Argel, Argélia 1973                Tourém, Trás-os-Montes 1982


     Ponta Delgada, Açores ca. 1980       Angra do Heroísmo, Açores 
                                                                  ca. 1980

                          Beni Isguen, Argélia 1973          Lisboa 1975

                Grécia 1975                 Budapeste, Hungria 1974


António Barreto
 © Fotografia Ângela Camila Castelo-Branco

quarta-feira, agosto 22, 2012

Paisagem Humana - BESarte colecção Banco Espírito Santo.


Copo de água, 2005 Prova cromogénea de ampliação digital (Processo LightJet Lambda) · 120 x 120 cm · Edição 2/3.

Adelina Lopes 1970, Braga, Portugal






Sem título (Red Kitchen), 2004
Prova por revelação cromogénea, colada sobre alumínio · 90 x 117 cm · Edição 5/6.
Aino Kannisto 1973, Espoo, Finlândia




The Park (II), 2002 Prova por revelação cromogénea, colada sobre alumínio · 130 x 170 cm · Edição de 3/5 + 1 PA.
Sarah Jones 1959, Londres, Reino Unido




Football Face, 2002.
Prova revelação cromogénea, em papel Fugi Crystal Archive
66 x 54 cm. Ed. 13.
Irving Penn 1917, USA.










Nei Reesan Shehr Lahore Dlyan
(There is no match of the city of Lahore), 2006.
Impressão lenticular montada em alumínio. 86 x 114.3 cm.
Prova de Artista Ed. 7 + 2 P.A / P. A.
1970, Paquistão.








Marina Abramovic 1946, Jugoslávia.

Homem Magnético, 2004 Prova cromogénea de ampliação digital (Processo LightJet Lambda) · 160 x 140 cm · Edição 2/3 + 1 PA.
João Maria Gusmão e Pedro Paiva 1979, Lisboa, Portugal / 1977, Lisboa, Portugal


Still live (02.10 a 21.10 2009), 2010.
Prova por revelação cromogénea.
180 x 315 cm. Edição Única.
Michael Wesely 1963, Alemanha.



Três limões, série "O ofício de viver", 2010.
Prova por revelação cromogénea. 70 x100 cm.
Ed. 3/3 + 2 P.A / P.A.
Daniel Blaufuks 1963, Lisboa, Portugal


Green Staircase #4, 2003
Prova por revelação cromogénea s/Plexiglas 152 x 122 cm
1953, USA.


Horóscopo, 2004 Prova cromogénea de ampliação digital (Processo LightJet Lambda) · 126 x 156 cm · Edição 1/3
Duarte Amaral Netto 1976, Lisboa, Portugal




Sem título (Isabel e Mariana), da série Pli, 2004
Duas provas cromogéneas de ampliação digital (Processo LightJet Lambda) · 34 x 60,5 cm · Edição única + PA
Cecília Costa 1971, Caldas da Rainha, Portugal


Íris, 2011
Print digital sobre papel Hahnemulle
Ed. 5 + 1 P. A/ P. A
Pierre Gonnord 1963, Cholet, França








Eva, 2003 Prova cromogénea de ampliação digital (Processo LightJet Lambda), colada sobre Diasec · 100 x 100 cm · Edição 2/3
Pierre Gonnord 1963, Cholet, França




Two of us, Shibam, 1995
Prova gelatina sal de prata, colada sobre aluminio
80 x 120 cm Ed. 1/3
Paulo Nozolino 1955, Portugal.


Francisco, 2001 Prova gelatina sal de prata · 124 x 124 cm · Edição de 3 + PA Eurico Lino do Vale 1966, Porto, Portugal


Sarah, da série Grief, 2007
Processo LightJet Lambda
100 x 178 cm Ed. 8/10
Erwin Olaf 1959, Holanda

The Dentist, 2002
Prova por revelação cromogénea · 122 x 163 cm ·
Edição 3/5 + 1 PA
Hannah Starkey 1971, Belfast, Irlanda do Norte, Reino Unido



As fotografias de Hannah Starkey (1971, Belfast, Irlanda do Norte, Reino Unido) resultam, no essencial, de uma espécie de encenação onde todos os pormenores são pensados para projectar uma extrema presença da imagem. Combinando o rigor da elaboração dos espaços com as personagens que os habitam momentaneamente, Starkey procura representar uma espécie de intervalo, um in between da acção quotidiana. Por outro lado, interessa-lhe representar uma centelha de suspensão particularmente atenta ao universo vivencial feminino. Mulheres ou raparigas povoam a maioria das vezes estas imagens que mantêm uma ambiguidade de leitura entre a realidade e a ficção. Há como que um desejo de congelar o tempo, mas não no sentido entusiástico da tradição fotográfica de captar o instante. Aqui procura-se sobretudo uma sensação visual de intemporalidade simultaneamente familiar e distante. É da presença quase estática das figuras que emana o sentimento de enigma sobre a verdadeira natureza destas imagens.
ao mesmo tempo criar ambientes narrativos que nos escapam, apesar do aparato e densidade visual, numa estratégia de comunicação deceptiva, frustrando qualquer contextualização mais precisa ou conclusiva. Isso pode ser confirmado em The Dentist (2002) e Newsroom (2005), duas fotografias de grande escala que remetem para acções suspensas, que parecem conservadas pelo cuidado encenado dos gestos, da pose, mas também de todos os objectos que enquadram as personagens. Espécie de encenações que imitam a realidade, estas imagens traduzem ainda uma paradoxal envolvência entre a fragilidade das figuras e a construção social dos espaços onde se apresentam. Persuasiva, no entanto, Starkey mistura a banalidade das rotinas quotidianas com uma certa densidade de significados. Ao jogar com o voyeurismo solitário do observador, esta artista britânica acentua o processo de isolamento de ambos os domínios. As suas figuras parecem assim comunicar precisamente na medida de uma partilha de evasão e indiferença perante a realidade evocada. Tal como o observador se abstrai, no exercício de uma contemplação silenciosa, as personagens femininas que aqui vemos confirmam esse poder de comunicação evasiva que se mantém, apesar de tudo, entre a imagem e a experiência da sua recepção.

David Santos

Bibliografia seleccionada Iwona Blazwick, Hannah Starkey. Photographs 1997-2007, Steidl, Göttingen, 2008. Hannah Starkey, Irish Museum of Modern Art, Dublin, 2000. A Project for the Castle, Hannah Starkey, Castello di Rivoli, Turim, 2000.


Self Portrait You+Me (Jayne Mansfi eld), 2006 Prova por revelação cromogénea, queimada · 90,5 x 80,5 cm · Edição única
Douglas Gordon 1966, Glasgow, Escócia








The Lesbian Project (3), 1997 Prova por revelação cromogénea · 56,51 x 74,29 cm · Edição 4/5
Nikki S. Lee 1970, Kye-Chang, Coreia do Sul





A Woman with a Covered Tray, 2003
Transparência cromogénea, montada em caixa de luz ·
182,8 x 227,6 x 26 cm · Edição 3/3

Jeff Wall (1946, Vancouver, Canadá) é um artista e um reconhecido ensaísta, autor de textos que influenciaram decisivamente a forma como olhamos não só para a fotografia, nomeadamente a chamada fotografia conceptual, como para a questão da imagem em geral. O seu trabalho fotográfico tornou-se conhecido na Europa principalmente a partir do momento em que foi convidado, em 1981, para a Documenta 7. As imagens deste artista caracterizam-se por uma enorme atenção ao detalhe, ao tema, à composição. Apaixonado pela história da pintura, perseguiu a forma de traduzir para a arte contemporânea, para a nossa sociedade tecnologicamente avançada, a sofisticação alcançada pelos pintores que admirava, como Eugène Delacroix e Edouard Manet. Fê-lo empregando simultaneamente ferramentas associadas à pintura antiga – referências históricas, composição meticulosa – e aos mundos do cinema e da publicidade: não só procede como um director de cinema, criando autênticos guiões, procurando cenários, dirigindo actores, como a partir de determinado momento se tornou a sua imagem de marca a apresentação das fotografias em caixas de luz, como as que servem para iluminar anúncios publicitários. Desta forma, Jeff Wall conseguiu estabelecer uma ponte entre alta e baixa cultura, entre o antigo e o moderno, ao mesmo tempo que reintroduzia na fotografia, ou na arte experimental, uma característica que então lhe estava vetada, pelo que representava de anacronismo: narratividade. No fundo, aquilo que este artista ensaia constantemente é uma síntese entre as tradições estéticas de vanguarda e a cultura de massas, recuperando o passado, a grande arte dos museus, ao mesmo tempo que participa, embora criticamente, na sociedade do espectáculo.

Ricardo Nicolau

Bibliografia seleccionada Jeff Wall, Jeff Wall. Selected Essays and Interviews, The Museum of Modern Art, Nova Iorque, 2006. Theodora Visher and Heidi Naef (org.), Jeff Wall. Catalogue Raisonné 1978 – 2004, Schaulager, Basileia, Steidl, Göttingen, 2005. Jeff Wall. Tableaux, Astrup Fearnley Museet for Moderne Kunst, Oslo, 2004 Jeff Wall. Space and Vision, Lenbachhaus, Schirmer/Mosel, Munique, 1996. Jeff Wall. Transparencies, Schirmer/Mosel, Munique, 1986.

 







Cindy Sherman (1954, Glen Ridge, Nova Jérsia, EUA) tem encontrado veículos surpreendentes para pensar os estereótipos relacionados com as questões de género, de uma forma não declaradamente feminista. Sherman utiliza, desde meados dos anos de 1970, o seu próprio corpo como modelo e recorre à encenação e ao uso de disfarces. Apesar de se movimentar sempre na esfera da fotografia não se considera fotógrafa pois concentra em si outros papéis, como o de actriz, modelo e realizadora. As metamorfoses que Sherman efectua ao simular novas identidades são impressionantes, a ponto de, muitas vezes, as suas feições serem absolutamente irreconhecíveis. Todavia, o propósito da artista não é a auto-representação ou o retrato no sentido convencional. O que lhe interessa é a mise en scène de clichés, como na série nuclear Untitled Film Stills, parodização do erotismo convencionado pelo cinema e pela publicidade. As raparigas representam modelos imediatos de sedução inspirados nos filmes de série B dos anos de 1950 e 1960. O facto de serem stills remete para a imagem parada de um filme, momento fixo de uma narrativa. Segundo Rosalind Krauss, Cindy Sherman edifica simulacros, cópias sem original, pois o que ressalta da observação é uma sensação de dejá vu, quando, na verdade, o filme a que se referem as imagens não existe. A artista dedicou-se a esta série inicial entre 1977 e 1980 e é considerada a mais emblemática e subtil do seu trabalho. Sem título (2004) pertence à série Clowns, que incide sobre o tema do palhaço e sobre a visão cultural desta figura-tipo. Sherman radica o medo inspirado pelo palhaço no contexto americano, mercê da excessiva mediatização através da publicidade. Trata-se de uma série muito psicológica, na qual se percorrem vários estados de emoção. Ambas as fotografias são bem representativas do percurso da artista, e congregam elementos chave para a leitura da sua obra. O Museum of Modern Art (Nova Iorque) acolheu, em 1997, a sua exposição individual intitulada The Complete Untitled Film Stills.

Luísa Especial

Bibiliografia seleccionada Cindy Sherman, Jeu de Paume, Flammarion, Paris, 2006. Johanna Burton (org.), Cindy Sherman, The MIT Press, Cambridge, 2006. Cindy Sherman: Clowns, Kestnergesellschaft, Hanôver, Schirmer / Mosel, Munique, 2004. The Complete Untitled Film Stills, The Museum of Modern Art, Nova Iorque, 1997. Cindy Sherman. Untitled Film Stills, Rizzoli, Nova Iorque, 1990


Sem titulo #477, 2008
Prova por revelação cromogénea
148 x 146 cm. Ed. 3/6
Cindy Sherman 1954, USA