sexta-feira, Outubro 24, 2014

Lançamento do livro "Douro - Rio, Gente e Vinho"

Douro - Rio, Gente e Vinho
um livro de 
António Barreto
António Barreto a fazer revisão de provas para impressão.
 © Fotografia de Angela Camila Castelo-Branco


O lançamento do livro terá lugar no Instituto dos Vinhos do Douro e do Porto, I. P., na Rua Ferreira Borges, n.º27, no Porto, na terça-feira, dia 28 de Outubro, às 17h45.

A apresentação será feita pelo historiador Gaspar Martins Pereira.

Será servido um Porto de Honra após a sessão.





Resumo do livro

            O Douro é o lugar de um feliz encontro. Nada faria prever que aquela região, outrora inóspita, fosse local propício para tão venturosa reunião. Da própria terra, vieram os lavradores e os trabalhadores da vinha e do lagar. De ali perto, dos vales do rio, os arrais e marinheiros. Do lado de lá da fronteira, a Norte, os Galegos, inesgotáveis construtores de muros e socalcos. Do Porto, adegueiros, administradores e comerciantes. Da Inglaterra e da Escócia, sobretudo, mas também da Holanda e de outros países, comerciantes, exportadores, colégios de Oxbridge, "Clubs" de Londres e "pubs" de Edimburgo. Ao fazer um vinho excelente, toda esta gente fez também uma região, uma paisagem e uma cultura.
            Na verdade, o vinho do Porto não é um simples produto agrícola, mais ou menos típico, que se pode cultivar aqui ou ali. Com uma forte personalidade, é o resultado único daquele improvável encontro, mas também é o mais influente factor de modelação de todo o Alto Douro. O que esta região é hoje, deve-o ao vinho, à necessidade de o cultivar, armazenar e transportar. Os socalcos, quase até ao cume das montanhas, foram feitos para se plantar a vinha em proibitivos declives. Os mortórios, ainda hoje o perfil visível de numerosos vales, são os cemitérios dramáticos da filoxera. As quintas são a solução empresarial para uma complexa produção. A navegação do rio Douro, sem a qual talvez não tivesse havido vinho, abriu uma estrada de primeira qualidade, desde o século XVII.
            Sabe-se que houve vinho no Douro desde os Romanos, pelo menos. Mas, vestígios desses, há-os talvez em todo o país. A obsessão vinícola do Douro só começa no século XVII. Os Ingleses e os Escoceses, que negociavam no Norte de Portugal, mais lá para Viana do Castelo, traziam bacalhau e panos e queriam ter algo para levar de volta. Ora, os britânicos, quando faltava o vinho francês, iam-no buscar cada vez mais ao Sul, acabando por chegar a Portugal e Espanha. Em Portugal, depois de terem importado um pouco de todo o lado, mas sobretudo de Viana e de Monção, foram procurando para o interior e um pouco mais para o Sul. No Alto Douro fez-se o encontro. Encontraram um vinho mais forte, mais colorido, mais encorpado: armas para vencer o transporte e qualidades para seduzir o consumidor. Mas também um rio que permitiria trazer as pipas até à beira-mar.

Carregamento de pipas nas margens do rio Douro. Fotógrafo n/i, ca. 1870
© Colecção António Barreto


            O resto é história. Este vinho transformou-se, nos séculos XVIII e XIX, na parte mais importante do comércio anglo-português. Em certos anos, foi o vinho mais importado em Inglaterra. Durante quase dois séculos foi o mais importante produto do comércio externo português, a principal origem de divisas. E também foi uma das primeiras fontes de receitas fiscais, situação que levou o poder político a legislar abundantemente sobre a vinha e o vinho. O governo português, pelo menos desde o Marquês de Pombal, sempre cuidou, com desvelo e severidade, do vinho que lhe era fonte de vida. Por isso o Douro constitui, desde 1756, a primeira Região Demarcada da história, exemplo que virá a ser retomado, desde os meados século XIX, pela França, depois pela Itália, Espanha, Alemanha e outros produtores de vinho. Em todas essas paragens se confirmou uma lei da vida: fazer um vinho é fazer uma região.


            Solidamente estabelecido nos costumes, o vinho do Porto foi mudando sempre, ao longo dos anos. Com mais ou menos açúcar, mais ou menos álcool, "vintage" de garrafa ou "tawny" de pipa, consumido como digestivo, aperitivo ou fora de horas, o vinho do Porto foi evoluindo sempre. O seu princípio, a sua essência, poderá ser ainda a mesma de há três séculos. Mas a sua circunstância já não é. Até os consumidores mudaram. O que era quase um monopólio britânico é hoje universal. Entre os primeiros consumidores do mundo estão os franceses, os belgas e os holandeses. E até os portugueses, tradicionalmente um pouco avessos a este vinho, consomem hoje mais do que os ingleses.
            Não foi só o vinho e o seu comércio que mudaram. Também a região, os homens e as mulheres, os modos de vida e de trabalho conheceram drásticas transformações, sobretudo nos últimos vinte ou trinta anos. As novas técnicas de plantação, de vindima, de vinificação, de transporte e de armazenamento alteraram de modo radical o "livro de horas" duriense. Esta rápida evolução, recente, contrasta com a longa imutabilidade de costumes e técnicas. Nos anos cinquenta deste século, cultivava-se a vinha, fazia-se a vindima e guardava-se o vinho de modo quase idêntico ao que as crónicas dos séculos XVII e XVIII nos relatam. Só os transportes tinham experimentado uma revolução, nas primeiras décadas do século XX, com a substituição do barco rabelo pelo comboio. Tudo é diferente, hoje, na sociedade e nas técnicas, com o que ficaram a ganhar os trabalhadores, quase escravos de uma natureza difícil. Tudo é diferente, naqueles atapetados vales, onde mal se percebe o colossal esforço que foi necessário para refazer montanhas. Apesar disso, sobre todo o Douro, paira a memória de lutas e batalhas, de abundância e crises, resultado de uma monocultura que tudo impregnou, das rochas às almas. E a modernidade não consegue esbater a recordação de dois heróis, símbolos de todo o Douro: o genial inglês Joseph James Forrester, Barão por mérito, morto no fundo do rio; e a formidável Dona Antónia, a "Ferreirinha", primeira entre os portugueses e mulher de armas entre homens que tudo viram.

Muro de xisto na Quinta do Vesúvio, 2008. 
© Fotografia António Barreto

            A história da região confunde-se com a do vinho do Porto e com a do país na era moderna. O Douro participou em todas as lutas que fizeram o Portugal contemporâneo. Modernistas e conservadores; "franceses" e patriotas; liberais e absolutistas; proteccionistas e livre-cambistas; republicanos e monárquicos; autoritários e democratas defrontaram-se no Douro, ou por sua causa, com toda a vivacidade. Uma das mais famosas insurreições do povo da cidade do Porto, o Motim de 1757, teve o vinho do Douro como causa próxima. A Guerra Peninsular teve, em Mesão Frio e na Régua, episódios inesquecíveis. A Guerra entre dois irmãos, Pedro e Miguel, conheceu, no Douro, momentos de excepcional ferocidade. O mais famoso incêndio da história do Porto é sem dúvida o das caves da Companhia, em Gaia, onde arderam, por causa da guerra entre liberais e absolutistas, mais de trinta mil pipas de vinho. As incursões monárquicas, depois de fundada a República, deixaram, no Douro, marcas indeléveis. E os três mais conhecidos ditadores do Portugal moderno, Pombal, João Franco e Salazar, cedo tiveram, nas suas carreiras políticas, de se preocupar com o Douro. A verdade é que nada nesta região foi simples, ou sequer sereno. Tal como o vinho. Ou a vida.

António Barreto




Douro: Rio, Gente e Vinho
Autor: António Barreto

Organização e selecção fotográfica de:
 Angela Camila Castelo-Branco

Relógio d’Água Editores
Lisboa 2014

Impressão Guide Artes Gráficas Lda.

304 páginas
230 fotografias

Autor das fotografias contemporâneas:
António Barreto

Autores das fotografias de colecção: Joseph James Forrester, George H. Moore, Alfred Fillon, Emílio Biel, Paul Lesse, Guedes de Oliveira, José Alves Barreto, Casa Alvão

© António Barreto por Angela Camila Castelo-Branco

quarta-feira, Setembro 17, 2014

Bohemia - Life and death in the Chelsea Hotel


Exposição de fotografia de Rita Barros, com curadoria de Jorge Calado.


©Fotografia de Ângela Camila Castelo-Branco



quarta-feira, Agosto 20, 2014

Banco de Portugal.

Praça do Municipio, Lisboa
Fotografia Ângela Camila Castelo-Branco

domingo, Agosto 17, 2014

Jardim do Torel

Jardim do Torel, Lisboa
Fotografia Angela Camila Castelo-Branco

segunda-feira, Agosto 11, 2014

Centro Cultural de Belém, Lisboa

Lisboa, Agosto de 2014
Fotografia Angela Camila Castelo-Branco

segunda-feira, Junho 09, 2014

Antoni Arissa - La sombra y el fotógrafo 1922-1936


Espacio Fundación Telefónica acoge la primera exposición antológica de Antoni Arissa, uno de los más destacados representantes españoles de la vanguardia fotográfica.




Sus planteamientos fotográficos beben de los preceptos de la Nueva Visión y de autores de las corrientes fotográficas europeas de su épocaAntoni Arissa (Sant Andreu 1900 – Barcelona 1980) se inició en la fotografía a comienzos de la década de 1920 y la compaginó con su labor técnica en la imprenta familiar. Si bien en sus comienzos desarrolló temáticas costumbristas, su trabajo fue evolucionando hacia un estilo dinámico y desprovisto de los ornamentos y referencias simbolistas que tanto interesaron a los fotógrafos pictorialistas. Arissa evolucionó pronto hacia una nueva visión, cercana a los planteamientos de la fotografía centroeuropea, caracterizada por la composición, la forma, la línea, el punto de vista y una iluminación que acentúa las cualidades y la intención de los objetos fotográficos. Este cambio se vio reforzado por su carrera como impresor y editor así como por sus conocimientos de tipografía. En ese terreno encontró el espacio necesario para el ensayo de sus herramientas visuales en la búsqueda de una fotografía personal y moderna.

Esta exposición está compuesta por más de 160 fotografías provenientes de las colecciones de negativos preservados por Fundación Telefónica y el Institut d’Estudis Fotogràfics de Catalunya e incorpora los escasos tirajes efectuados por el autor que se conservan en papel. El proyecto culmina los esfuerzos de Fundación Telefónica en la recuperación de archivos fotográficos, labor iniciada con el Archivo Fotográfico de la Compañía, que permite, en este caso, presentar al público la primera exposición antológica de Antoni Arissa.






Espacio Fundación Telefónica
Fuencarral, 3
28004 Madrid

De Terça-feira a Domingo: 10.00 – 20.00 h
Encerra à Segunda-feira

Entrada: Gratuita

De 4 de Junho a 14 de setembro de 2014

Metro Gran Vía / Sol
T. + 34 91 580 87 00
espacio@fundaciontelefonica.com
www.espacio.fundaciontelefonica.com


quinta-feira, Junho 05, 2014

Fotografias de Artur Pastor



Do espólio de Artur Pastor, adquirido pela autarquia em 2001, o Arquivo Municipal de Lisboa apresenta uma exposição da globalidade da obra deste autor, fotografias realizadas entre 1942 e 1998, onde se destacam as séries sobre a Nazaré (década de 1950), Agricultura (1942 a 1980), Algarve (1942 a 1965), assim como fotografias de Lisboa, Évora e imagens de paisagem e património construído de todo o país.

Apúlia 1956

A exposição é constituída por três núcleos, apresentados em três espaços distintos da cidade: Arquivo Municipal de Lisboa | Fotográfico, Museu da Cidade | Pavilhão Preto e Colorfoto Alvalade:

“Fotógrafo Artur Pastor” no Arquivo Municipal de Lisboa  



Fotográfico “Portugal de Artur Pastor” no Museu da Cidade | Pavilhão Preto

Hábitos de luto, Nazaré 1956

Com projeção do filme A paisagem de Artur Pastor. Sessões às 11h e 16h “Falésias de Artur Pastor” no Espaço Colorfoto, Alvalade